Não tem acordo que tire Lula da cadeia e garanta eleições democrátricas

LULA / PT

Acompanhei em diversas partes do País, o debate em torno do “acordo” anunciado pela direção do PT, no qual o Partido dos Trabalhadores se compromete a apoiar os candidatos do PSB em quatro estados, sem que nem mesmo haja uma contrapartida da parte dos “socialistas”, que votaram em Aécio Neves e apoiaram o golpe de Estado que derrubou Dilma Rousseff, a comprometer o partido com o apoio à candidatura de Lula.

Vi em alguns lugares, como na Paraíba, por exemplo, setores dirigentes do PT, entusiasmados com a aliança local que, supostamente, aumentaria as chances do PT eleger um senador e manter ou ampliar sua bancada para dois deputados federais.

Vi também dirigentes do PT comemorarem que tal “acordo” no qual apenas o PT cede, de fato, e o PSB passa a poder fingir que está no “barco” de Lula, para tentar abocanhar parte do seu prestígio eleitoral, em estados em que o petista tem mais de 70 das intenções de voto para presidente, serviria para sepultar de vez a candidatura-abutre de Ciro Gomes (hoje no PDT, depois de passar pela Arena, PSDB, PPS etc.). Isto quando até o mais desatento dos ativistas políticos com alguma percepção da realidade sabe que a candidatura de Ciro “não decolou”, uma vez que fracassou sua tentativa de se apresentar como “candidato da esquerda” (o melhor da esquerda, segundo “esquerdistas” como Miriam Leitão e Merval Pereira, da Rede Globo) e de ser adotado como preferido da direita golpista, uma vez que mesmo seus assessores elogiando o DEM (“não é de direita”, diziam) e todo tipo de golpista, esses preferiram o candidato com mais pedigree reacionário, Geraldo Alckmin (PSDB).

Em meio a toda essa enorme confusão e escancarados interesses eleitorais menores (muito comuns à maioria da esquerda), é notório que a luta pela liberdade de Lula, por construir a necessária mobilização popular, ampla, combativa, um verdadeiro “levante popular” que tire Lula da cadeia, está sendo deixada de lado por muitos setores; alguns dos quais, ja tinham – há tempos – adotado a política de buscar uma saída conciliada e impossível com a burguesia golpista, a política de “virar a página do golpe”, de defender o “plano B” (sem Lula) e/ou de buscar uma “frente ampla” com os golpistas.

Deste ponto de vista, a situação se assemelha às ilusões existentes nos momentos anteriores ao golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma, quando buscavam disseminar a ilusão de que “não havia perigo de golpe” que “o PMDB ia salvar o governo”; ou depois do impeachment fraudulento, quando o utopia (de fora da realidade) era de que o Congresso golpista iria aprovar a antecipação das eleições (“diretas”).

A diferença fundamental é que a situação evoluiu e com ela a experiência política de milhares de ativistas e milhões de pessoas que entenderam – em alguma medida – o caráter do golpe e que a direita golpista, serviçal do imperialismo, não deu o golpe para aceitar, pacificamente, que a esquerda vença novas eleições; pela experiência apreenderam que quem dá as cartas no judiciário golpista, na imprensa, nos partidos da burguesia etc. enfim nas principais instituições do regime golpista é a ala mais reacionária dos golpistas, disposta a violar a Constituição Federal e manter Lula como preso político, sem quaisquer provas etc. para impor – nas eleições e fora delas – seus interesses contra a maioria da nação.

Parcela expressiva desse ativismo se agrupou em ComiTês de Luta em todo o País. e no interior das organizações dos explorados, da CUT, da FBP, de todos os partidos que lutaram contra o golpe, entenderam que Lula não sai da cadeia sem um enfrentamento da mobilização popular com as instituições do regime.

Esse setor é o único, na etapa atual, que representa uma alternativa dos trabalhadores diante da situação.

O ponto de partida dessa mobilização deve ser a ocupação de Brasília, com um gigantesco ato no próximo dia 15, pela liberdade de Lula, contra o golpe e por Lula presidente.

Não tem acordo que tire Lula da cadeia e derrote o golpe. O caminho é o das ruas, o da organização independente, o da unidade dos que lutaram e lutam contra o golpe, dos que defendem os interesses da classe operária e de todo os explorados acima de interesses particulares e de grupos.