Luta pela terra
Governo do latifúndio: fogo em Terras Indígenas supera média nacional
Os incêndios criminosos cresceram exponencialmente em todo o país. Dentro das terras indígenas esse crescimento foi muito maior e revela que está sendo usado para atacar os índios
brigadista_indigena
Luta pela terra
Governo do latifúndio: fogo em Terras Indígenas supera média nacional
Os incêndios criminosos cresceram exponencialmente em todo o país. Dentro das terras indígenas esse crescimento foi muito maior e revela que está sendo usado para atacar os índios
Brigadista indígena combatendo incêndios florestais Foto: Arquivo Ibama.
brigadista_indigena
Brigadista indígena combatendo incêndios florestais Foto: Arquivo Ibama.

Um estudo recentemente divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) apresentou um crescimento dos focos de incêndio dentro das Terras Indígenas (TI) muito maior que o crescimento em todo o país.

Os dados levantados e analisados a partir do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) diz que o crescimento dos incêndios entre janeiro e agosto de 2019 em todo o território nacional comparados com o ano passado foi de 71%. Se analisarmos somente as terras indígenas, o crescimento neste mesmo período foi de 88%. Além do número de focos de incêndios crescerem também foi maior o número de terras indígenas afetadas. O crescimento foi de 18,6% de áreas indígenas afetadas pelo fogo.

Há terras indígenas com mais de 1200 focos de incêndios em que os indígenas não dão conta de apagar todos os dias o fogo, como a TI Parque do Araguaia, no Estado do Tocantins. No Mato Grosso, o estado campeão em incêndios florestais, a Terra Indígena Areões, no município de Nova Nazaré, a 800 km de Cuiabá, foi totalmente queimada em sua extensão. São mais de 219 mil hectares de florestas, roças e caça, das quais dependem esses indígenas que foram totalmente destruídos.

Como estamos vendo, o aumento do fogo na floresta Amazônica e, maior ainda, dentro das terras indígenas não ocorrem por acaso. A principal base de apoio do governo Bolsonaro é ligada aos latifundiários ligados a grilagem de terras públicas, invasão de terras indígenas e garimpeiros ligados a grandes mineradoras internacionais.

Os incêndios nessas áreas não têm nada a ver com aumento da produção agropecuária. Está ligado a um esquema para invasão de terras públicas e de destruir o meio de vida de comunidades tradicionais e sem-terra.

É uma “jogada ensaiada” do governo Bolsonaro juntamente com as declarações de apoio aos latifundiários, cortou 38% das verbas destinadas ao Programa de Prevenção de Incêndios Florestais, o PrevFogo, deixando as brigadas de incêndios indígenas sem nenhum tipo de equipamento para combate ao fogo. Chegou ao extremo de indígenas Myky tiveram que improvisar combater os incêndios criminosos na terra indígena Menku, em Brasnorte, no Mato Grosso, com latas d`água.

Essa forma de atacar os povos indígenas vem de encontro com outras formas de retirada de direitos e de violência. Neste final de semana passado, o indigenista Maxciel Pereira dos Santos, que prestava serviços a Funai, foi brutalmente assassinado com um tiro na nuca, na frente de seus familiares na cidade de Tabatinga, no extremo oeste do Amazonas. Maxciel trabalhava há mais de 12 anos junto à Funai na região, sendo cinco deles como chefe do Serviço de Gestão Ambiental e Territorial do Vale do Javari. Essa região está sendo ataca por grileiros de terras, latifundiários e garimpeiros que invadem a terra indígena e ameaçam índios e servidores da Funai.

Como podemos ver, os incêndios estão sendo utilizados para reprimir os indígenas diante de ofensiva da direita e dos latifundiários para tomar conta dessas áreas que pertencem as comunidades tradicionais.

E isso não acontece por incompetência de Bolsonaro ou por falta de conhecimento do assunto de seus ministros fascistas, como algumas organizações de esquerda ou da própria direita propagam na imprensa. São medidas tomadas de maneira consciente porque Bolsonaro foi colocado através de uma enorme fraude eleitoral pela direita e com apoio dos países imperialistas para acabar com as terras indígenas e entregá-las de mão-beijada para grandes mineradoras internacionais, grileiros de terra e latifundiários.

Não adianta levantar a retirada de ministros para resolver o assunto, pois entra outro muito pior. É preciso derrubar Bolsonaro do poder o mais rápido possível e acabar com a ofensiva da direita contra os que lutam pelos direitos dos povos explorados.