censura

Já havia sido anunciado, agora é fato. Bolsonaro quer acabar com o cinema brasileiro. Declarou que o Estado não deve financiar filmes, principalmente aqueles que são contrários à cultura judaico-cristã. 

No último dia 15, em uma transmissão ao vivo, o ilegítimo Bolsonaro tornou mais concreta sua política de liquidar o cinema nacional. Em sua decrépita transmissão Bolsonaro fez uma sessão especial de censura, ao vivo, pela internet. Ele vetou um edital que iria financiar pouco mais de 200 produções audiovisuais. Mais especificamente atacou produções com temas LGBTs. Disse que “garimpou” entre os filmes inscritos no edital produções que não merecem o financiamento público. 

Entre eles a minisséris “Transverssais”, sobre este filme Bolsonaro disse: “Um filme chama Transversais. Olha o tema: ‘Sonhos e realizações de cinco pessoas transgêneros que moram no Ceará’. Conseguimos abortar essa missão”. Depois censurou “Afronte”, que mostra a vida de negros homossexuais no Distrito Federal, sobre este declarou: “Confesso que não dá para entender. Então, mais um filme aí, que foi pro saco, aí. Não tem cabimento fazer um filme com esse enredo né?”. Censura nua e crua. 

Sobre a produção “Sexo reverso” que mostra como povos indígenas na Amazônia interpretam as práticas sexuais do ‘homem branco’, disse Bolsonaro, ”É o enredo do filme. Com dinheiro público. E outra, geralmente esses filmes não têm audiência. Não têm plateia. Têm meia dúzia ali. E o dinheiro é gasto. São milhões gastos”.

A transmissão foi uma sessão de censura pública, como se Bolsonaro fosse um daqueles censores da época da ditadura dizendo o que pode e o que não pode. Neste caso é mais grave. Ele está vetando produções antes mesmo de serem produzidas. É uma censura prévia, sumária. Censura mesmo antes de começarem as filmagens. O cinema é a bola da vez, mas a tendência é que este metodo se alastre para todos os ramos da arte, teatro, shows, espetáculos de dança, programas de televisão e rádio e até mesmo produções impressas como livros, revistas. O alvo preferencial, no momento são os LGBT’s, mas em breve qualquer produção que fale de política ou contenha crítica social também será censurado.

Bolsonaro pretende não só censurar e acabar com editais como extinguir a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Nesta transmissão declarou que demitiria todos os cargos da Ancine, em suas palavras, “teria degolado tudo (…) não tivesse, em sua cabeça toda, mandatos”. Uma referência aos cargos de diretoria da agência.

Bolsonaro como todo fascista, aos moldes de Franco, Salazar, Pinochet, Hitler, é inimigo da cultura, inimigo da ciência, inimigo da arte. Não é governo do povo, é um governo contra o povo, e portanto para impedir a destruição do cinema e da cultura brasileira não basta protestar contra essa ou aquela medida. É necessário exigir o fim desse governo golpista, pois somente assim será possível evitar a o fim do cinema nacional. Fora Bolsonaro!