“Empreendedorismo”: a escravidão moderna

Com o aumento do desemprego, como resultado do golpe de Estado, uma quantidade gigantesca de trabalhadores foi colocada totalmente à margem do emprego formal, de carteira assinada, com os direitos trabalhistas garantidos.

Daí surgiu uma categoria, chamada pela imprensa burguesa, de “empreendedores”, pessoa que teriam total controle sobre sua atividade laborativa, investindo em ramos autônomos do mercado de trabalho, controlando seus horários, suas férias, enfim, quase que pessoas livres dentro do sistema capitalista.

Esses empreendedores são, dentre outros, a juventude negra e pobre que está fazendo entregas de produtos por meio de bicicletas, como é possível ser visto no centro de São Paulo, mas, agora, em quase todas as capitais e centros de cidades espalhados pelo Brasil. 

O governo golpista e a imprensa procuram apresentar esses dados de maneira a confundir a população, de ludibriar os leitores e mascarar a verdadeira realidade que o país está enfrentando, ou seja, o desemprego galopante. 

Essa realidade fica, a cada dia, mais dura para os trabalhadores, para os negros brasileiros (parte majoritária da massa trabalhadora) que tem sido demitida de seus setores de trabalho, e enfrentado os terrenos áridos da justiça trabalhista, controlada quase em sua totalidade pelos direitistas.

O golpe tem como um de seus principais objetivos atacar o povo trabalhador, retirar seus direitos, lhe devolver à escravidão. A burguesia nunca gostou de ver o negro liberto, de ver o pobre mantendo alguma condição de vida, e, para salvar um punhado de ricassos, vão atacar justamente a parcela mais vulnerável da população.

Mas, por outro lado, o que a burguesia também conhece é que o desemprego promove a radicalização expressiva da classe trabalhadora, é uma das principais fontes de mobilização do povo. Afinal, sem emprego, é impossível sustentar a própria vida, muito menos a de uma família. 

A hora para a mobilização é agora e é preciso colocar abaixo o regime dos golpistas, que pretendem arrancar até o último fio de cabelo dos trabalhadores. Por isso a necessidade de aprofundar a mobilização em torno do fora Bolsonaro, e pela liberdade de Lula, preso político do golpe.