América do Sul
Movimentos sociais convocaram para o dia 21 de setembro uma jornada de luta contra a ditadura de Ivan Duque. O regime político adquire características abertamente fascistas
Demonstrators throw stones at riot police on motorbikes during a protest against the death of a lawyer under police custody, in Bogota, early on September 10, 2020. - A man who was detained by police officers died Wednesday in Bogota after receiving repeated electric shocks on the ground with a stun gun. (Photo by STR / AFP)
Protestos e enfrentamentos com a polícia nas ruas da capital Bogotá | AFP
Demonstrators throw stones at riot police on motorbikes during a protest against the death of a lawyer under police custody, in Bogota, early on September 10, 2020. - A man who was detained by police officers died Wednesday in Bogota after receiving repeated electric shocks on the ground with a stun gun. (Photo by STR / AFP)
Protestos e enfrentamentos com a polícia nas ruas da capital Bogotá | AFP

A população colombiana convocou nova jornada de protestos prevista para ocorrer dia 21 de setembro em todo o país contra a ditadura militar, presidida por Ivan Duque, que governa o país. Na semana passada, a ação da polícia na repressão a protestos deixou um saldo de 12 mortos.

As manifestações de rua têm ocorrido como resposta à crescente brutalidade policial. A morte do advogado Javier Ordóñez nas mãos dos agentes da polícia provocou, de forma imediata, a explosão de protestos na capital Bogotá que se espalharam por todo o país.

O presidente da Central Unitária dos Trabalhadores, Diogenes Orjuela, afirmou que a jornada de protestos será pacífica e tem por objetivo denunciar a situação do país, o aprofundamento da crise econômica e o problema do coronavírus.

O regime político colombiano pode ser caracterizado como uma ditadura militar de características fascistas, apoiada pelo imperialismo norte-americano. O aparelho governamental é direcionado para o extermínio dos partidos de esquerda e dos movimentos populares. O partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC), maior partido de esquerda do país e possuidor de ampla base popular, é vítima de sistemática perseguição e assassinato de seus militantes e dirigentes.

Além das FARC e da guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN), sindicalistas, indígenas, camponeses, ambientalistas e líderes comunitários são sistematicamente assassinados, em especial nas regiões rurais do país sul-americano. O regime apoia, estimula e se utiliza de forças paramilitares e milícias fascistas de extrema-direita para atacar as sedes de organizações de esquerda. É conhecida a ligação destas forças fascistas com a polícia e, sobretudo, com as forças armadas.

Recentemente, foi permitida operações de forças regulares do Exército dos Estados Unidos em território colombiano. O aparelho de inteligência americano tem enorme influência em todo o aparelho de repressão estatal do país.

As manifestações convocadas pela população demonstram a disposição de luta contra o regime, que é freada pelas direções políticas da esquerda colombiana. Enquanto o povo se dispõe a enfrentar o regime nas ruas, a esquerda se propõe a organizar protestos pacíficos, bicicletaços, buzinaços, vigílias e entrega de abaixo-assinado para o governo Ivan Duque.

A tese da crise das direções políticas da esquerda demonstra toda sua validade nos países da América Latina, com especial agudez na Colômbia. A repressão da ditadura é feroz e a implementação da política neoliberal produz uma onda crescente de miséria nas cidades e no campo.

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