Colômbia: movimento popular convoca greve geral contra o governo de extrema-direita de Iván Duque

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Da redação – Na última quarta-feira (20), organizações políticas e sociais colombianas em coletiva de imprensa realizada na sede da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) na cidade de Bogotá relataram suas conquistas e avanços e anunciaram a convocação de uma greve geral para o próximo dia 25 de abril.

A ação grevista é parte da luta contra o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) do governo do presidente de extrema-direita colombiano, Iván Duque, e de defesa “da vida, do território, da democracia e da paz com justiça social” além de exigir o cumprimento de acordos firmados pelo governo com as diferentes organizações sociais.

A greve fora decidida anteriormente quando representantes de 170 organizações se reuniram no “Encontro Nacional das Organizações Sociais e Políticas” realizado nos dias 9 e 10 de fevereiro.

Apregoado pelo governo colombiano como um pacto pela igualdade (Pacto pela Colômbia, pacto pela igualdade), um plano aberto às “sugestões” de todo o povo, o PND se consiste na verdade numa continuação da política anterior do governo Álvaro Uribe que presidiu o país entre 2002 e 2010. A receita é a mesma das reformas neoliberais que estão sendo postas em prática em todo o mundo: austeridade, liberalização e aperto econômicos combinados com o aumento do autoritarismo, da segregação, da aniquilação e criminalização da oposição social e política. Para evidenciar a forte ligação entre as medidas de austeridade e repressivas o programa do governo tem sido chamado de “austeristarismo”.

Embora não tenha passado pelo ciclo de ditaduras militares que imperou em quase todos os países da América Latina, principalmente nas décadas de 60 e 70, e tenha sempre permanecido formalmente como uma democracia, a Colômbia é e tem sido ao longo de sua história presa de uma oligarquia das mais cruéis, corruptas e entreguistas do continente, principal capacho do imperialismo na região.

A situação de opressão foi de tal escala que, como resposta, movimentos armados surgiram como única forma de defesa popular. O confronto armado durou décadas e um acordo de paz foi assinado em 2016. Este contudo não logrou cessar a violência estatal contra as classes populares. Segundo a defensoria pública desde a assinatura do acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARCs) em 2016 trezentos e onze líderes sociais foram assassinados.