Ciro no Jornal Nacional mostrou como o PT vai ser tratado nas eleições

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O Jornal Nacional iniciou nesta semana uma rodada de entrevistas com os cinco candidatos melhores colocados nas pesquisas eleitorais. Na prática, no entanto, apenas quatro ocuparão a “cadeira do dragão”, onde estarão diante dos apresentadores William Bonner (editor-chefe do JN) e Renata Vasconcelos.

De saída, não pode deixar de ser dito que as “entrevistas” já estão indelevelmente marcadas pela mais completa ausência de democracia, onde a ditadura das Organizações Globo e do judiciário golpistas se fazem presente pela exclusão do candidato que lidera todas as pesquisas de intenção de voto, realizadas por todos os institutos. O ex-presidnete Lula foi vetado pela emissora golpista que, a seu critério e juízo, de forma totalmente antidemocrática e arbitrária, decidiu que o ex-presidente  não pode participar do programa de entrevistas e teve o aval do judiciário, servil aos donos do golpe.

No primeiro dia, o entrevistado foi o candidato do PDT, Ciro Gomes, que compareceu à bancada do principal jornal da emissora, na segunda-feira, dia 27. Iniciada a entrevista, a primeira consideração dizia respeito à dificuldade em identificar quem era quem na sabatina-entrevista. Na prática, o que se viu foi uma completa inversão  de papéis, onde Bonner e Renata assumiram, de forma totalmente ditatorial e ofensiva a entrevista, emparedando, constrangendo e bombardeando o presidenciável do PDT, que destacados jornalistas da empresa, como Merval Pereira e Miriam Leitão, defenderam contra a candidatura de Lula, apresentando-o como o melhor candidato da esquerda.  Dessa forma, os vinte e sete minutos de “entrevista” se transformaram em algo bem mais próximo de um interrogatório numa delegacia de polícia do que propriamente numa entrevista, onde o entrevistado deveria ter a oportunidade de apresentar idéias e um resumo sobre seu programa de governo.

Os números falam por si só sobre o que foi a “entrevista” de Ciro Gomes no principal telejornal da emissora golpista. Os apresentadores ficaram com 40% do tempo total do programa, cerca de 11 minutos e 30 segundos, entre interrupções, cortadas abruptas e perguntas que mais pareciam, já foi dito, um interrogatório policial. Restou ao acuado candidato do PDT, que buscou e ainda busca por todos os meios ser o candidato preferido da direita golpista, parcos 15 minutos e 30 segundos para as respostas, de um total de 27 minutos.

A artilharia pesada a que um dos presidenciáveis esteve submetido no JN, indica de forma clara o que a direita golpista e seus veículos de comunicação estão dispostos a trabalhar pela vitória dos candidatos escolhidos pelo grande capital nas eleições que se avizinham. Vale registrar que Ciro Gomes não é e nunca foi de esquerda e sua candidatura apresenta características acentuadamente direitistas, onde a candidata a vice em sua chapa é ninguém menos do que a senadora Kátia Abreu, ruralista, latifundiária e uma das representantes mais acabadas da guerra que o latifúndio trava contra os trabalhadores rurais sem terra e contra a reforma agrária.

Portanto, se os golpistas da emissora que veicula o telejornal de maior audiência do país foram capazes de bombardear e constranger uma candidatura do elogiado Ciro Gomes, o que não seriam capazes de fazer com candidatos representantes da esquerda? Está claro que o imperialismo e seus representantes nacionais irão fazer de tudo e mais um pouco para manipular e fraudar a vontade popular, tentando legitimar o golpe através da eleição de um preposto do grande capital nacional e internacional.

Neste cenário de acirramento da luta de classes e do confronto entre exploradores e explorados, a candidatura do ex-presidente Lula se coloca como a única alternativa viável para enfrentar e derrotar os golpistas, a direita e o imperialismo. Nenhum “Plano B” será capaz de fazer entrar em movimento os diversos segmentos explorados do país que hoje sofrem na pele as consequências das duras medidas do golpe contra as massas. Portanto, está colocado na ordem do dia lutar para continuar afirmando e reafirmando a candidatura da maior liderança operária e popular do país, rechaçando todas as alternativas burguesas e pequeno-burguesas, incapazes de alavancar a luta das massas populares contra os golpistas.