Ciro Gomes tira o pato da cartola

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Benjamin Steinbruch, antigo patrão de Ciro Gomes, filiou-se ao Partido Progressista (PP), o partido de Paulo Maluf, a apenas alguns dias do fechamento da janela de filiações partidárias para candidatos eleitorais deste ano. O motivo ainda não foi apresentado, no entanto, a imprensa burguesa já o coloca como forte alternativa de vice-candidato na chapa do abutre do PDT.

Apesar do que os discursos tentam ocultar, Ciro Gomes não é um candidato de esquerda, nem popular. É oriundo do partido da ditadura (Arena) e ex-quadro do PSDB. Tudo o que ele diz não passa de discurso eleitoral, e não se pode confundir discurso eleitoral com a força política real. Porém, o que veio a discussão nessa semana é muito mais que discurso, é o anúncio do golpe, da fraude eleitoral contra toda a população, que Ciro prepara.

Inicialmente apresentando-se como candidato de esquerda, o pedetista  ruma para a direita na medida em que o pleito se aproxima. Quando menos se espera, Ciro tira da cartola o pato amarelo da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Steinbruch não é um empresário qualquer a apoiar – ou financiar – Ciro Gomes. Ele é o próprio pato horroroso que financiou todo o movimento golpista no país, que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff e quer impor toda uma política de terra arrasada.

É uma fraude escancarada. Para ficar pior, bastaria apenas a troca de lugares, deixando Ciro Gomes de vice e Steinbruch de candidato. Fica demonstrado que aqueles defendem Ciro como candidato da “esquerda”, falando das glórias deste, na verdade  defendem o candidato da Fiesp golpista, do pato amarelo.

Mauro Benevides Filho, assessor econômico de Ciro, não teve o mesmo cuidado no discurso. Afirmou que o pedetista, se eleito, colocará em prática toda o programa de Michel Temer. Não o disse com essas palavras, evidentemente, mas esse foi o seu sentido. Anunciou que irão privatizar todas as empresas estatais que restaram. Fez ainda a defesa da reforma da previdência e de um novo ajuste fiscal, mesmo após ao ajuste de Temer, com o congelamento de todos os gastos públicos por 20 anos.

Se esse é o candidato da esquerda, o que fará o da direita?  Os componentes esquerdistas do discurso de Ciro – como a revogação da reforma trabalhista – evidentemente não vão acontecer (a julgar por sua forte base empresarial). Mas afinal, se Ciro não incluísse esses pontos em sua pauta, acabaria aparecendo um direitista na eleição.

Tudo isso mostra que Ciro Gomes pode muito bem ser o candidato oficial do golpe de estado. Ele tenta enganar uma parcela da esquerda ao mesmo tempo que a direita também o aceita. Será o candidato do “consenso”.

A candidatura de Ciro deve ser amplamente denunciada como uma impostura, um golpe contra toda a população. É preciso acabar com a conversa mole de que ele seria de esquerda. Ciro é, antes de tudo, candidato da burguesia golpista.