Ciro Gomes, que apoiou Bolsonaro, quer tomar o lugar do PT na “oposição anti-Bolsonaro”

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“Nós somos dois candidatos, a gente vai estar junto no segundo turno”, falou Manuela D’Ávila em palestra. “Sem Lula, PT, PC do B e PSOL devem apoiar Ciro”, disse Flávio Dino à imprensa burguesa. Ciro Gomes seria um candidato “mais aguerrido”, declarou Jaques Wagner. Apesar do esforço, os setores abutres da esquerda nacional não conseguiram transformar Ciro em uma figura palatável para os trabalhadores.

Ciro Gomes entrou nas eleições desse ano para jogar lama na candidatura do PT. Todo dia, Ciro fazia algum ataque ao ex-presidente Lula. Com o tempo, começou a atacar abertamente todo o PT, fazendo uma frente única com a direita que insiste para que o PT faça uma autocrítica.

Quando saiu o resultado do primeiro turno das eleições, Ciro Gomes viajou para a Europa e abandonou o candidato Fernando Haddad, do PT. Enquanto Ciro desfrutava de suas “férias”, seu irmão, Cid, atacou o PT em pleno comício de Haddad, ridicularizando o fato de Lula estar preso.

Os irmãos Gomes foram uma peça-chave para que o PT perdesse as eleições. Ciro Gomes impediu que houvesse uma frente única da esquerda pela liberdade, transformando as eleições em um circo sob controle da burguesia. No entanto, seu trabalho sujo ainda não terminou.

Após o resultado do segundo turno das eleições-fraude, Ciro Gomes declarou que faria oposição a Bolsonaro. Mas seria uma oposição “de centro”, “limpinha”, isto é, desligada da esquerda. A oposição cirista será, portanto, uma oposição “nem-nem”: nem Bolsonaro, nem PT.

As consequências dessa política “em cima do muro” da família Gomes já foram postas a prova. Na medida em que o PDT se  recusou a lutar pela liberdade de Lula e a lutar, ombro a ombro, com a CUT, o MST e os trabalhadores em geral contra o golpe, Ciro Gomes ficou do lado da direita.

A posição de Ciro Gomes foi um dos fatores que levou Bolsonaro à Presidência. Por isso, qualquer militante sério não pode se deixar levar pela “oposição cirista”. Trata-se de mais uma pressão para que o PT faça a tão falada autocrítica e se submeta completamente ao Regime Político.