Ciro Gomes, o abutre, quer se juntar a tucanos em frente sem o PT

Brazil's former national integration minister Ciro Gomes gestures during the launching of his pre-candidacy for Brazil's presidential election for the Democratic Labour party, at the National Congress, in Brasilia

Se o governo do filisteu Jair Bolsonaro (PSL) – proveniente da maior fraude da história recente – tivesse dado alguma missão aos arrivistas de plantão, essa poderia ser chamada de “insulamento petista”. Enquanto o PT vivencia uma crise interna, o PDT e o PSDB articulam uma frente oportunista visando a construção de uma “ponte para o futuro”; e nesse caminho, os golpistas terão como contenção uma artilharia pesada e aponta para qualquer avanço à esquerda.

Na medida em que o regime político oriundo do pacto social firmado na “abertura democrática” (1974 – 1988) desmorona, os astutos políticos profissionais dão mostras de puro cinismo e reestabelecem suas imanentes ligações; pois, o bom filho a casa torna. Desentendidos desde 2010, Tasso Jereissati (PSDB) e Cid Gomes (PDT) voltam a negociar e dispõem sobre a mesa, seus interesses de maior importância: dada as condições, como isolar o PT e desenvolver uma política à direita de fato? O presidente do PDT, Carlos Lupi, chegara a afirmar, “Não vamos ser inimigos do PT, mas também há um consenso na nossa bancada de que não seremos liderados pelo PT. Vamos construir nosso próprio caminho”. Vale ressaltar que o encontro se deu um mês após Cid Gomes ter feito fortes críticas ao PT, após o primeiro turno das eleições; cobrando mea culpa da direção do PT e, chamando de babacas os militantes petistas que protestaram contra seu discurso. Seguindo os passos do irmão Abutre, Cid Gomes afirma que o PDT não será oposição sistemática ao governo Bolsonaro e, escancara suas pretensões ao declarar a estrutura de sustentação da “ponte para o futuro”.

Nessa empreitada, duas etapas servirão como alicerces para a pavimentação política ulterior. Na primeira fase: objetiva-se a criação de um bloco de centro-esquerda no Congresso Nacional com o PSB, Rede e o PPS do sicofanta Roberto Freire. Em seguida, a segunda etapa terá como missão: a construção de blocos partidários para atuação conjunta sobre pautas específicas e em disputas internas. Neste desígnio, o PDT buscará pontes com o PSDB, Solidariedade, Podemos, PHS e todas até mesmo legendas mais próximas a Bolsonaro como DEM e PP de Paulo Maluf. Quanto ao acordo, Tasso Jereissati já desponta como o gerente operacional e se coloca como opção para presidência do senado.

É preciso deixar claro que, o arrivista Ciro Gomes buscou sempre a dissolução do PT, servindo aos golpistas na perspectiva de deslocar parte do eleitorado do Partido dos Trabalhadores, abrindo o caminho para a direita – que o mesmo sempre foi atrelado; sendo, portanto, um golpista de segunda categoria. O abutre que sempre serviu à direita tem buscado a todo custo distanciar e isolar o PT através das articulações já engendradas pelo golpe de Estado. A prova mais acabada do cinismo de Ciro foi rejeitar uma aliança com o PT, mas buscar integrar junto ao movimento golpista – iniciado pelo PSDB através do pedido de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff – um acordo com os saqueadores da nação.

Em épocas de bonança os sicofantas representados pelos políticos profissionais e direitistas conseguem se disfarçar de ativos defensores democratas; todavia, quando a ruína do templo se apresenta, mal conseguem disfarçar suas pretéritas intenções. Desta forma, tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas, Karl Marx.