Como na fuga para Paris
Em entrevista, Ciro confessou que seu objetivo é impedir o PT de chegar no 2º turno em 2022 contra Jair Bolsonaro. O mesmo papel que desempenhou em 2018.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Ciro Gomes (PDT) foi uma engrenagem importante da fraude eleitoral de 2018. Sua participação no primeiro turno tinha por objetivo tirar votos do candidato do PT, Fernando Haddad. Os 12% de votos do pedetista não impediram que a esquerda fosse para o segundo turno contra Jair Bolsonaro (na época, filiado ao PSL).

Os ataques virulentos contra o PT são uma marca de Ciro, que foi ministro no governo Lula. Ele busca se travestir como um político “de esquerda”, “nacional-desenvolvimentista” e “nacionalista”, mas na verdade é um homem ligado ao bloco político golpista, particularmente ao PSDB, partido pelo qual foi governador do Ceará. Seu papel é atacar o PT “pela esquerda”, semear confusão nas bases petistas, rachar seu eleitorado e tentar diminuir sua força política.

No segundo turno das eleições de 2018, entre Bolsonaro e Haddad, Ciro Gomes fugiu para Paris. Na época, o oligarca nordestino alegou que “já tinha feito sua parte” e expressou mágoas pessoais contra o PT. Tratavam-se de pretextos esfarrapados para não manifestar apoio ao PT e, com isso, contribuir para a vitória do candidato da extrema-direita, dos golpistas e das Forças Armadas. Por debaixo dos panos, seu compromisso era com a vitória de Bolsonaro.

O PDT anunciou “apoio crítico” e “voto sem participação na campanha” no segundo turno. Isto era um jogo de cena para fazer demagogia e dizer que o partido se posicionou contra Bolsonaro. Qual o sentido de anunciar voto sem fazer campanha eleitoral? Antes de fugir para Paris, Gomes não anunciou apoio político a Haddad. A ideia era não contribuir com a campanha, não dar palanque para o candidato petista. Uma clara sabotagem à candidatura da esquerda.

Ciro Gomes e a situação política

O eixo central da luta política no país se expressa na polarização entre o Partido dos Trabalhadores e a extrema-direita bolsonarista. Devido à sua presença nos movimentos populares, sua ampla base social e por dirigir a Central Única dos Trabalhadores (CUT), organização operária que tem mais de 4.000 sindicatos pela base, o PT é o único partido político capaz de derrotar Bolsonaro em âmbito eleitoral. Ciro Gomes sabe que o PT é um empecilho para os planos políticos da burguesia golpista (a quem ele serve), por isso se dedica a atacá-lo e organizar formas de sabotá-lo. Este é o sentido de afirmação de que o PT é “hegemonista” e que o partido é o responsável pela vitória de Bolsonaro.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Ciro Gomes confessou que sua tarefa nas eleições presidenciais de 2022 é impedir que o PT dispute o 2º turno contra Jair Bolsonaro. Não se pode permitir que o PT passe do primeiro turno. Para perseguir esse objetivo, Ciro dá declarações que acusam os petistas de “corruptos”, fala que nos governos do PT a “ladroagem era orgânica”, ataca o que classifica de “lulopetismo”. O cinismo é tamanho que o oligarca busca responsabilizar os governos petistas pela atual crise econômica e social que assola o país.

Gomes busca articular sua candidatura presidencial e montar uma “amplíssima união de centro-esquerda” entre PDT, PSB, Rede Sustentabilidade e PV. Neste bloco, cabem os partidos da direita, DEM (ACM Neto) e PSD (Gilberto Kassab), ambos partidos apoiadores de Jair Bolsonaro. Nas eleições municipais do ano passado, a coligação PDT-PSB saiu vitoriosa nas capitais Fortaleza, Recife e Maceió, em disputas contra o PT. O PDT compôs as chapas que venceram as eleições em Aracaju (PSD), Salvador (DEM) e Natal (PSDB). Em São Paulo, o PDT foi vice na chapa de Márcio França (PSB), ex-governador que assumiu após a renúncia de seu aliado Geraldo Alckmin (PSDB).

Em todos os momentos, Ciro destaca sua adversidade irreconciliável com o ex-presidente Lula. Em sua visão, “existem vários PTs”, alguns dos quais é possível conversar e articular alianças. Com a ala lulista, não se pode fazer negócio. Entre seus interlocutores no PT, estão políticos da ala direitista do partido, como o governador do Ceará, Camilo Santana (um homem de Ciro Gomes dentro do PT) e o ex-governador da Bahia, Jacques Wagner.

Para que o político pedetista ganhe votos contra Bolsonaro, seria preciso que a burguesia se dividisse em relação ao problema da reeleição de Jair Bolsonaro. Se as forças do centro não conseguirem chegar ao segundo turno contra Bolsonaro (o que é a tendência atual), como consequência de eliminarem o PT da disputa, seguramente apoiarão o candidato da extrema-direita. Será uma repetição do que aconteceu em 2018.

A política da frente ampla tem a finalidade de isolar o PT no cenário político e impedir que este partido tenha condições de chegar à presidência da República novamente. Ciro Gomes é um candidato que conta com o apoio de setores dos partidos de direita, que atualmente são pilares de sustentação de Bolsonaro no Congresso (PSDB, DEM, PSD). Os partidos supostamente de esquerda que apoiam Ciro não passam de fachada, pois na verdade são fantoches políticos da burguesia. É preciso que o regime golpista tenha sua ala esquerda para entrar em cena no momento conveniente de crise do regime.

Os partidos da burguesia organizaram o golpe de 2016 e a fraude de 2018. Não podem aceitar a volta do PT. Se as manipulações não forem suficientes para impedir que o PT passe para o segundo turno, o natural é que se unifiquem – novamente – no apoio à candidatura de Bolsonaro. Tal como em 2018, Ciro Gomes é uma peça da direita para 2022.

 

 

 

Send this to a friend