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Em cerimônia em Manaus, na sexta (16), o Comandante Geral do Exército, general Eduardo Villas Bôas, declarou que a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) na última quarta (14) “só aumenta a necessidade da intervenção” militar no Rio de Janeiro. O general alega que esse “é mais um crime de tantos milhares que afetam o dia a dia da população. E, portanto, um trabalho extremamente detalhado; tem que ser amplo e profundo em campo para recuperarmos a percepção e segurança que a população brasileira precisa”.

O cinismo do general é espantoso. Como se sabe, tratou-se não de um crime comum – se é que isso existe – mas de um assassinato político decorrente da atuação da vereadora em comissão de acompanhamento da intervenção federal na cidade, bem como denunciando as ações do 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro – o Batalhão da Morte de Acari. Marielle também se posicionava contra a ação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades cariocas. Diversos fatos apontam para a hipótese de execução por policiais ou militares, como o uso de pistola 9mm, exclusiva de forças de segurança, bem como de munição comprada pela Polícia Federal. Some-se a isso a precisão dos quatro tiros que atingiram a cabeça de Marielle num veículo em movimento, disparadas a partir de outro carro. Tratou-se ali de um trabalho feito por pessoas treinadas, membros das forças de repressão hoje inteiramente sob o comando do interventor federal, general Walter Braga.

O discurso de Villas Boas é parte das ações sistemáticas dos golpistas e de seu aparato de imprensa. A Rede Globo vem dando ampla cobertura ao caso, fazendo cobertura ao vivo dos atos públicos e dedicando 45 minutos do programa Fantástico no último domingo (18) para construir uma narrativa personalista e despolitizada do crime. Na sexta (16), a desembargadora Marilia Castro Neves, do Rio de Janeiro, publicaria no Facebook que a vereadora seria “um cadáver tão comum quanto qualquer outro”, sugerindo ainda que sua morte seria fruto de um suposto envolvimento com o tráfico de drogas.

O objetivo de tal campanha é claro: transformar o crime político perpetrado por agentes da repressão numa questão comum de segurança pública, que por sua vez ensejaria um endurecimento ainda maior do regime: não apenas a implementação de um estado de sítio no Rio de Janeiro, como possivelmente golpe militar em todo o país. A campanha surtiu parte do efeito desejado – pelo menos na esfera institucional –, e criou-se um pretexto para a destinação de novos recursos bilionários para a intervenção militar.

Setores da esquerda pequeno-burguesa fazem coro à propaganda golpista, levando às ruas palavras de ordem contra o feminicídio ou o genocídio da população negra, ou ainda homofobia. Marielle era mulher, negra, favelada, homossexual, mas evidentemente foi morta por ser uma liderança política e pela atuação específica que tinha como tal em casos concretos de luta contra a intervenção militar e os arbítrios da polícia. Ao jogar sua execução na vala comum dos crimes raciais, ou de gênero, termina-se por transformá-la num abstrato problema de segurança pública cuja resposta seria o endurecimento do regime.

Marielle foi mais uma vítima da repressão golpista sobre as lideranças e organizações de esquerda, que vem se intensificando desde o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e que têm como um dos principais objetivos a iminente prisão do ex-presidente Lula, cuja proximidade provavelmente ensejou o assassinato da vereadora. Foi assassinada por se posicionar contra o golpe militar e por denunciar a brutalidade policial. Villas Boas e os golpistas dão mostras de um grotesco cinismo ao usar sua execução como pretexto para intensificar a repressão.

A partir desses bárbaros acontecimentos, deve-se cada vez mais unificar a mobilização popular em torno ao eixo da luta contra o golpe de estado, desdobrando-se sobretudo no fim da intervenção militar no Rio de Janeiro e na luta contra a prisão de Lula.

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