Cínica, direita golpista culpa cotas pelo sucateamento das universidades

A universidade pública, bem como a educação pública  em geral, tem sofrido uma dura investida por parte do governo golpista. Levam adiante uma política de sucateamento e destruição do ensino público, a chamada PEC do teto de gastos, que congela investimentos, sobretudo em saúde e educação é um exemplo claro deste fato. Além desta tentativa de inviabilizar o ensino e a pesquisa de qualidade por meio do de cortes orçamentários a direita lançou-se em uma cruzada, cujo objetivo é expulsar da Universidade os alunos de baixa renda, contra as políticas de ações afirmativas, sobretudo a política de cotas.

Um relatório do Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) entregue ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) em Janeiro, reivindica mais verbas para as universidades paulistas (USP, Unicamp e Unesp) para custear os gastos com a permanência estudantil, uma vez que mais estudantes de baixa renda chegam ao ensino público em decorrência da política de cotas e necessitam de auxílio para concluir seus estudos. A base dos recursos das universidades estaduais de São Paulo é uma parcela de 9,57% da arrecadação paulista do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), as universidades reivindicam uma parcela maior do imposto. O governo alegou ano eleitoral, como pretexto para inviabilizar a discussão deste tema. Logicamente que o governo tucano não quer é investir mais em educação pública.

Eis aí um dos fatores fundamentais que explicam o porquê de a burguesia ser contra todo tipo de cota na universidade pública. A política de cotas, mesmo sendo bastante limitada, exige do governo planejamento e investimentos para que os estudantes concluam seus estudos em bom nível formação, ou seja, que o orçamento estatal sirva aos setores operários e trabalhadores da população. Traz para dentro da universidade uma pequena parcela dos filhos da classe trabalhadora, aumentando as reivindicações populares contra a destruição do ensino público, em favor dos tubarões do ensino privado.

Logicamente, que a burguesia em geral não é favorável que o orçamento estatal, ou seja, o dinheiro povo, que é quem banca a universidade, sirva para promover nada do que não seja estritamente do interesses dos capitalistas e suas máfias que controlam o Estado. O orçamento estatal é um dos fatores fundamentais da luta de classes dentro de um Estado nacional, ou seja a luta para determinar que classe ira se apropriar e em que extensão dos recursos do Estado.

Cinicamente, a direita golpista culpa as cotas pelo sucateamento das universidades promovido por essa mesma direita. 

Isso quando o sucateamento da universidade pública é parte da política econômica da direita golpista, que pretendem reduzir ao máximo a universidade pública, ou até mesmo  suprimi-la completamente para transferir esses recursos públicos para o capital privado. Para a burguesia golpista a educação para o povo é e sempre foi um gasto desnecessário, e na medida em que a situação política permita, caso o golpe de Estado não seja derrotado, vão destruir completamente o sistema público de educação, da educação básica a pós graduação, reduzindo assim os “gastos” do Estado e ampliando o mercado para a iniciativa privada.