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No último período, a esquerda se colocou a reboque da direita diversas vezes e acabou numa situação bastante ruim. Confira aqui 5 dessas situações
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Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o petista Fernando Haddad | Foto: Bruno Poletti/Folhapress

A eleição da presidência da Câmara dos Deputados está mostrando quão a reboque da direita se encontram os parlamentares de esquerda. Quem está disputando é o candidato Arthur Lira (PP – AL), candidato apoiado por Bolsonaro e por outros partidos ligados ao presidente ilegítimo. O candidato de Rodrigo Maia, que ainda não foi definido, e que irá se opor a Arthur Lira, está sendo apoiado por 11 partidos: PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PC do B, Rede. Alguns setores do PSOL também estão fazendo pressão para que o partido entre no bloco.

A presença da esquerda (PT, PC do B e talvez PSOL) nesse bloco é mais uma demonstração da política verdadeiramente oportunista levada adiante pelos parlamentares e não tem nenhuma explicação racional. A maior parte dos partidos que apoiam o candidato de Maia foram apoiadores e até articuladores do impeachment contra Dilma Rousseff e apoiaram todas as medidas direitistas e de ataque contra o povo levadas adiantes pelos governos golpistas, tanto Temer quanto Bolsonaro.

No entanto, essa não é a primeira vez que a esquerda foi levada como um cachorrinho na coleira pela direita e pela burguesia, segue abaixo alguns dos episódios recentes em que isso aconteceu e como a esquerda acabou se “dando mal” posteriormente:

1 – Acreditaram que o Congresso ou o Senado iam impedir o golpe

Em 2016, a esquerda não quis levar adiante uma verdadeira mobilização do povo contra o impeachment por acreditar que as votações nas casas legislativas iriam favorecê-la no final das contas. Na época, muitos acordos foram traçados, muitos favores foram cobrados e sabe-se lá mais o que foi costurado por baixo dos panos para que os parlamentares, tanto na câmara quanto no senado, votassem contra a derrubada de Dilma Rousseff. No entanto, as sessões grotescas de votação provaram que toda essa esperança foi em vão e a presidenta foi posta abaixo sem grandes dificuldades por parte dos deputados e senadores golpistas.

A “depressão” que se seguiu em toda a esquerda foi total e foi uma lição para muitos setores mais esclarecidos da sociedade que ali compreenderam que não é possível confiar nem por um segundo nesses vigaristas capachos da burguesia que temos no parlamento.

2 – Confiaram que Lula não seria preso

Quando começou a perseguição implacável contra Lula, com um dos primeiros marcos sendo a condução coercitiva do ex-presidente, em 4 de março de 2016, uma parte da esquerda acreditou que aquilo era mera propaganda e que Lula jamais seria preso, por ser uma figura de grande importância e respeito entre a população. No entanto, o que se viu a partir daí foram as instâncias do poder judiciário passando por cima de todas as liberdades individuais do ex-presidente e de todo o seu direito à presunção de inocência. Desde condená-lo sem que houvesse provas do crime cometido até aceitar medidas totalmente anti-constitucionais, como quando o STF votou pela prisão em segunda instância, antes do trânsito em julgado.

Lula foi preso em abril de 2018, após muita perseguição, em um evento que foi também uma demonstração de gigantesca capitulação por parte da esquerda. Na sede do sindicato dos metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Lula estava rodeado de milhares de manifestantes que não queriam deixá-lo se entregar de maneira alguma. No entanto, setores capitulacionistas da esquerda pequeno-burguesa que ali estavam, convenceram-no de se entregar sob o pretexto de que ele seria solto em apenas 3 dias, mas não foi o que se viu. Lula ficou quase dois anos preso, tendo sido impedido de participar das eleições e permanece sem os seus plenos direitos políticos até hoje.

3 – Acreditaram que iriam derrotar Bolsonaro aceitando a fraude eleitoral

Nas eleições de 2018, com Lula na cadeia e muitas outras regras ditatoriais estabelecidas para o processo eleitoral, a fraude estava totalmente armada para uma vitória avassaladora da direita. O que a esquerda podia fazer naquele momento era insistir para que Lula fosse seu candidato e mobilizar o povo para manter sua candidatura.

No entanto, o PT cedeu e lançou Haddad candidato, assinando embaixo de toda a fraude. O resto da esquerda fez o mesmo, lançando seus candidatos que deram a falsa legitimidade para as eleições e o resultado final foi a vitória do candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro.

4 – Acreditaram que a direita ia combater o coronavírus

Quando começou a crise da pandemia e se viu a perspectiva de uma mortandade gigantesca da população brasileira, Bolsonaro, o presidente ilegítimo, procurou desmerecer o perigo e propagandear a importância de simplesmente ignorar a doença e não tomar nenhuma medida efetiva contra ela, permitindo que milhões de brasileiros se infectassem e centenas de milhares morressem. Os governadores da direita tradicional fizeram exatamente o mesmo, mas com uma dose gigantesca de demagogia.

A esquerda, no entanto, se colocou totalmente a reboque dessa direita tradicional representada, principalmente, por João Doria, e apoiou de forma totalmente acrítica essa política do “fique em casa”, sem apresentar nenhum programa próprio para a crise sanitária. Interromperam qualquer traço de mobilização que podia estar havendo na época, chegando ao ponto de fechar os sindicatos e entregar suas sedes para os governadores de estado fazerem suspostos “hospitais de campanha”, inclusive. Uma capitulação total.

5 – Acreditou que ia ganhar cargos nas eleições municipais

Nas eleições municipais deste ano de 2020, a esquerda abriu mão de todo e qualquer programa que pudesse favorecer a classe trabalhadora e fez apoios e conchavos com a direita em troca de votos ou cargos, servindo como um pilar de sustentação para o regime golpista, que viria a fraudar mais um processo eleitoral. O PSOL chegou a lançar candidatos latifundiários e bolsonaristas, para conseguir ganhar uma eleição em cidades com população minúscula, sem nenhuma importância.

Em São Gonçalo (RJ), o candidato do PT chegou a ponto de defender pautas bolsonaristas como a proibição do aborto, além de um grande apoio a igrejas evangélicas, para depois perder para o candidato do partido AVANTE. Em São Paulo, o PSOL e o resto da esquerda pequeno-burguesa encampou uma campanha junto com a imprensa burguesa para procurar anular o PT e fazê-lo desistir da sua candidatura, a fim de ajudar a vitória do candidato do PSDB, Bruno Covas.

Em todas essas situações, a esquerda depositou sua confiança na direita e retrocedeu, mostrando que o que deve ser feito em todos os momentos é procurar defender uma política própria, de princípios, com um programa de defesa dos trabalhadores. A falta de programa próprio diante do problema da vacina e a colaboração com a direita na eleição da presidência da câmara representam capitulações vergonhosas da esquerda e devem ser duramente denunciadas.

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