Coronavírus em Manaus
Sem um plano efetivo para combater a pandemia, Manaus caminha para uma terceira onda mais mortífera do coronavírus.
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A terceira onda do coronavírus em Manaus pode se espalhar pelo Brasil de forma mais trágica. | Foto: Reprodução
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A terceira onda do coronavírus em Manaus pode se espalhar pelo Brasil de forma mais trágica. | Foto: Reprodução

Ainda sem um plano nacional, estadual e municipal efetivo de combate ao Coronavírus, a pandemia no Estado do Amazonas caminha para uma terceira onda mais mortífera, podendo se espalhar para todo o país.

Em artigo publicado em agosto de 2020 na revista científica britânica Nature, uma equipe de cientistas havia previsto um segundo colapso na saúde do estado. Para os pesquisadores, para conter agora uma terceira onda, as autoridades amazonenses deveriam decretar um lockdown e realizar vacinação em massa de forma acelerada. Segundo Lucas Ferrante, biólogo e um dos autores do estudo científico,

“Sem o isolamento social adequado, Manaus deve enfrentar uma terceira onda ainda em 2021. É necessária uma fiscalização forte da polícia para garantir o fechamento de Manaus. Além disso, é impensável a volta às aulas presenciais para qualquer local do Brasil neste momento, justamente para impedirmos o espalhamento da variante que surgiu no Amazonas. Recomendamos o fechamento também das fábricas e do Distrito Industrial em Manaus, que podem parar sem quebrar e sem deixar de pagar o salário de seus funcionários”.

A tragédia de Manaus é um retrato do que já vem acontecendo no país e em vários países. A burguesia mundial dar a cada dia uma mostra do fracasso do regime capitalista em atenuar essa pandemia. A vacinação em massa da população mundial é baixíssima, mais ainda em países como o Brasil, que, apesar de em anos anteriores ter tido uma eficiência nas campanhas nacionais de vacinação, nessa pandemia mostra o vergonhoso retrocesso e genocídio em ação.

A recomendação dos pesquisadores para uma vacinação em massa e mais rápida é importante, mas até o momento o que vemos é um festival de demagogia, burocracia e lentidão para salvar a população. O lockdown proposto pelos cientistas e que poderia ser feito por essa burguesia, auxiliada pelas forças policiais, não pode ser a saída, visto que esse procedimento seria mais uma oportunidade para oprimir o povo nas favelas e periferias.

Como implantar um lockdown numa situação caótica em termos de infraestrutura habitacional e crescente desemprego formal, dentre outras mazelas sofridas pelo povo? Lockdown, além de ferir o direito individual de ir e vir, seria mais uma oportunidade para a burguesia violentar a população nas ruas, pois a população, sem nenhum apoio para enfrentar o fechamento total, teria que sair de casa para buscar a sua sobrevivência.

Os grandes empresários não liberarão os trabalhadores de trabalhar, pelo contrário, continuarão exigindo deles que compareçam ao trabalho, vindo ao local por meio de transportes lotados e com frotas de ônibus reduzidas.

A burguesia brasileira em Manaus como em todo o país vem fazendo justamente o que não deve ser feito para conter mais uma onda da pandemia: lançam os trabalhadores nos transportes lotados, começam a reabrir as escolas, encerram o auxílio emergencial, aumentam os preços dos insumos hospitalares, não compraram oxigênio, não realizam testes em massa, a vacinação é em conta-gotas, inflacionam a cesta básica, seguem caninamente a violência do teto de gastos, não movem uma palha para criar emprego, dentre outros absurdos, e agora ela quer nos dar um xeque mate com um lockdown?

É preciso denunciar toda essa farsa do combate à pandemia em Manaus e no Brasil, estimulando e mobilizando o povo para pedir o fim desses governos e implantar as justas medidas em prol de toda população.

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