Manaus e o genocídio
Mortes se multiplicam rapidamente, e cenário catastrófico aparenta não ter fim em Manaus.
Manaus (AM), 21/04/2020 - Cova imensa aberta em CemitÈrio de Manaus - Covas abertas no CemitÈrio Parque de Manaus, na manh„ desta terÁa-feira (21), no bairro tarum„, zona oeste da cidade de Manaus. Em nota, a Prefeitura de Manaus proibiu a entrada da Imprensa e os enterros sÛ podem ser acompanhados por cinco familiares por sepultamento. (Foto: Sandro Pereira/Fotoarena/AgÍncia O Globo) especiais
Escavadeiras sendo utilizadas para os enterros em vala comum, no cemitério em Manaus. | Sandro Pereira/Fotoarena/Agência O Globo
Manaus (AM), 21/04/2020 - Cova imensa aberta em CemitÈrio de Manaus - Covas abertas no CemitÈrio Parque de Manaus, na manh„ desta terÁa-feira (21), no bairro tarum„, zona oeste da cidade de Manaus. Em nota, a Prefeitura de Manaus proibiu a entrada da Imprensa e os enterros sÛ podem ser acompanhados por cinco familiares por sepultamento. (Foto: Sandro Pereira/Fotoarena/AgÍncia O Globo) especiais
Escavadeiras sendo utilizadas para os enterros em vala comum, no cemitério em Manaus. | Sandro Pereira/Fotoarena/Agência O Globo

Um alerta divulgado no último dia 21, de autoria do epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, acabou denunciando a estratégia absurda que os administradores públicos, sejam eles prefeitos ou governadores, na maioria da direita “cheirosa” e “científica”, como é o caso do prefeito de Manaus, que, para prestigiar os empresários e o comércio local, não só manipulam os dados que são tornados públicos, sobre o número de contagiados e mortos pela pandemia do coronavírus, como também não tomam as medidas necessárias que a urgência do momento da pandemia exige, colocando em risco toda a população.

Orellana, que de acordo com suas próprias palavras “não ser mais possível confiar nos diferentes níveis de gestão que estão à frente da epidemia”, levantou a defesa da formação de uma missão de observadores internacionais e o envio urgente à Manaus, onde, de acordo com o epidemiologista, e o título que deu ao comunicado, “Manaus está perdida e a covid-19 explodiu”.

Jesem Orellana chegou a fazer uma previsão em dezembro, sobre como ficaria Manaus sem as medidas restritivas que anunciou como necessárias para conter o descontrole da pandemia. Segundo afirmou, Manaus teria pela frente um novo boom trágico de mortes por falta de oxigênio hospitalar. Vendo que sua previsão se cumpriu e que, mesmo depois dos seus alertas a administração local se omitiu não fazendo nada do recomendado, criticou-a severamente, dizendo que ela acabou “entrando para a história recente das pandemias como uma das mais dramáticas experiências sanitárias e humanitárias já documentadas”.

Fatos como esses deixam evidentes a perversidade desses atos que este Diário vem denunciando como sendo verdadeiramente genocidas e dolosos, praticados pelos golpistas em todo país. O genocídio que está em marcha, é de total responsabilidade da burguesia golpista, que não apenas não defende a população, como na realidade impulsiona a reabertura de toda a economia, forçando os trabalhadores a ficarem à merce da pandemia.

É tantas pessoas morrendo, que o que se espera, é que nos cemitérios, para dar conta dos enterros, a prefeitura se utilize, como em maio do ano passado, de escavadeiras para abrir uma vala comum e ir tapando à medida que os caixões sejam depositados, assim como a quantidade de mortos, que na época, chegou, em média, a cerca de 100 por dia 

E tudo isso, porque a administração alocou o dinheiro público de forma a salvaguardar os interesses de banqueiros e empresários, ou o desviou pensando na própria sobrevivência e do projeto político de poder do seu grupo, a direita burguesa traidora, golpista e entreguista, que hoje está à frente, não só de Manaus, mas de várias outras administrações públicas pelo Brasil afora, do próprio governo federal, agindo de maneira totalmente contrária aos interesses da população.

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