Um elemento do golpe
A frente ampla procura apresentar João Doria como grande democrata, mas uma breve observada em sua atuação política revela o que ele é: um inimigo do povo, amigo dos capitalistas
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João Doria, quando prefeito, fazendo demagogia junto ao povo, ao se vestir de gari | Foto: Reprodução

Setores da esquerda, particularmente aqueles ligados à política da frente ampla, têm feito vistas grossas, para a política da direita da frente ampla, em apresentar apresentar o governador de São Paulo, do PSDB, João Doria, como uma possível alternativa diante do atual presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro. A ideia da frente ampla é procurar apresentar Bolsonaro como um verdadeiro “demônio” e chamar todo o povo a votar em João Doria, como o “mal menor”, contra ele, numa manobra semelhante ao que foi feito nas disputas municipais, sendo o caso mais emblemático disso o do Rio de Janeiro, em que o povo votou no candidato do DEM contra Crivella, apoiado por Bolsonaro. Um outro momento em que essa operação foi bem sucedida, foram as próprias eleições norte-americanas, em que, para derrotar Trump, a esquerda dos EUA chamou a votar em Joe Biden, um direitista apoiado pela família Bush e com um passado belicoso, racista, genocida e até com acusações de estupro.

Para construir essa imagem, Doria, se utilizou de muita demagogia, sempre com a ajuda da imprensa, com a pandemia do Coronavírus. Desde o começo da crise, procurou fazer frente aos absurdos ditos por Bolsonaro e angariar credibilidade com um setor da classe média. Quando Bolsonaro negava até a existência da Covid-19, João Doria procurou fazer todo um trabalho de propaganda no sentido de que o governo do estado de São Paulo estaria empreendendo uma verdadeira luta contra o Coronavírus e em prol da vida das pessoas. Essa falsa propaganda acabou convencendo até alguns setores da esquerda nacional, que acabaram por considerá-lo um político “responsável”, “democrático”, “civilizado” e até “científico”.

No entanto, nada está mais distante da verdade do que dizer que houve medidas de luta contra o Coronavírus da parte de Doria, um representante da extrema-direita dentro do PSDB. Apesar de propagar a política do “Fique em casa”, o estado de São Paulo não deu à classe trabalhadora nenhuma possibilidade de parar de trabalhar. Ficou em casa só quem tinha dinheiro para tal ou quem tinha um emprego que oferecesse a possibilidade do trabalho remoto.

Além disso, não houve nenhuma medida no sentido de diminuir a aglomeração dentro dos transportes coletivos, como aumento nas frotas de metrôs e ônibus, isso sem falar na ausência total de melhorias no sistema público de saúde, como a estatização do sistema de saúde, contratação de pessoal ou investimentos para disponibilizar leitos de UTI nos hospitais.

Além disso, Doria foi negligente com o momento de reabrir a economia, que ocorreu em pleno pico da pandemia, e já mostra indícios de reabertura das escolas públicas, em defesa dos interesses dos capitalistas incomodados com seus prejuízos, diante da inatividade econômica provocada pelo fechamento das escolas. O resultado dessa política é que o estado de São Paulo é o que possui o maior número de óbitos do país, com índices maiores até do que outros países do mundo.

Agora, João Doria procura fazer demagogia com a questão da vacina, se colocando como o pioneiro da vacinação da população, para fazer frente ao negacionismo de Bolsonaro e da extrema-direita. No entanto, é preciso lembrar que isso não passa de propaganda. Enquanto se fala de vacina, os transportes continuam lotados, os comércios continuam abertas, as contas continuam chegando para todos, as pessoas continuam se vendo obrigadas a trabalhar e a correr o risco de morrer com a infecção pelo vírus. Além disso, não se pode confiar nem por um segundo na qualidade da vacina feita às pressas e encomendada pelo governo tucano, sempre lembrando que estes são especialistas em assassinar a população.

É preciso lembrar, também, que a atuação nefasta de João Doria na política não começou agora com sua gestão como governador, e nem tampouco na sua breve passagem pela prefeitura de São Paulo, anteriormente. Antes disso, ocupou diversos cargos graças aos seus amigos da burguesia e já possui uma longa ficha corrida de parasita do estado e do povo. Segue abaixo uma lista, tirada de uma matéria de 2017 do site Jornalistas Livres, com 22 acusações contra o tucano:

  1. Em 1988, quando deixou a presidência da Embratur em cargo nomeado por José Sarney, foi acusado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de vários desvios de verbas e intimado a devolver os valores aos cofres públicos.
  2. Comprou uma “empresa de prateleira” do escritório Mossack Fonseca, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, para adquirir um apartamento em Miami, em revelação dos Panama Papers.
  3. Para se tornar o candidato à prefeitura pelo PSDB comprou votos e ofereceu benefícios a filiados nas prévias, de acordo com líderes do partido.
  4. Com Geraldo Alckmin, cometeu abuso de poder e usou da máquina pública do Estado para obter vantagens ilegais nas eleições, conforme acusação do Ministério Público.
  5. Recebeu cheque de R$ 20 mil de empresa investigada pela Lava-Jato em uma suspeita venda de obra de arte.
  6. Em gravação da Polícia Federal, na Operação Boi Barrica, aparece dialogando com filho de José Sarney a respeito de indicação de cargo para diretoria na Eletrobrás.
  7. Em 2014 fez uma doação pessoal de R$ 50 mil para Rocha Loures, o famoso homem da mala da JBS.
  8. Omitiu e subvalorizou diversos bens em sua declaração à Receita Federal – que assim chegou a “apenas” R$ 179,6 milhões.
  9. Entre 2014 e 2015 recebeu R$ 1,5 milhão em anúncios sobrevalorizados da Gestão Alckmin.
  10. Já foi condenado em duas instâncias na Justiça do Trabalho por não pagar horas extras, salários, adicional noturno e verbas rescisórias a seus seguranças, que chegavam a se submeter a jornadas ilegais de 16 horas seguidas.
  11. Acumulou por 15 anos uma dívida com a Prefeitura que chegou a R$ 90 mil por recusar-se a pagar o IPTU de sua mansão nos Jardins, e quitou o valor apenas depois que o caso veio a público.
  12. Obteve em 2012 um favorecimento suspeito da Oi para instalação de antena em condomínio de luxo em Trancoso, onde tem uma casa, em revelação do Ministério Público.
  13. Cercou um terreno de uso público para anexar à sua mansão em Campos do Jordão e se recusou a devolver mesmo depois que a Justiça determinou a reintegração de posse para a Prefeitura.
  14. Fraudou em sua gestão a concorrência para o patrocínio do carnaval de 2017 na cidade, como demonstram áudios divulgados pelo Ministério Público.
  15. Promoveu em sua gestão parceria da prefeitura para que empresas ganhassem milhões em isenções fiscais doando remédios perto do vencimento para a população.
  16. Intercedeu em benefício da esposa junto a chefe de agência no governo Dilma. Posteriormente Bia Doria obteve R$ 702 mil da Lei Rouanet para pagar exposição em Miami e livro sobre a própria obra.
  17. Para presidir a SP Negócios, órgão público do município responsável por parcerias e investimentos privados na cidade, nomeou o presidente da sua empresa (Lide), Juan Quirós, réu em acões trabalhistas e dono de um dívida de R$ 60 milhões, que tem os seus bens bloqueados pela Justiça por não cumprimento de contrato.
  18. Para liderar a principal subprefeitura, a regional da Sé, nomeou Eduardo Odloak, condenado em duas instâncias por improbidade administrativa.
  19. Escolheu para liderar a Secretaria dos Transportes um réu em duas ações na Justiça por fraudes em licitações e contratos de trens do Metrô. Para a Secretaria da Saúde, nomeou investigado no Ministério Público por improbidade administrativa em transações com o Hospital das Clínicas, a Santa Casa e o Hospital do Servidor.
  20. Contrariando orientações de sua própria equipe de transição, assim que assumiu o mandato de prefeito ordenou o rebaixamento do órgão da prefeitura responsável por fiscalizar a corrupção, a Controladoria-Geral do Município (CGM), a um mero departamento.
  21. Após a descoberta da máfia da Cidade Limpa, envolvendo seis subprefeitos e três secretários nomeados por ele, ao invés de afastar os envolvidos demitiu a responsável pela investigação.
  22. Demitiu Gilberto Natalini, Secretário do Meio Ambiente, depois que ele denunciou à Controladoria-Geral uma máfia para fraudar licenças ambientais na cidade.

As acusações mostram o verdadeiro sentido da atuação política de Doria no Estado nacional: arrancar tudo do povo e entregar para os seus amigos capitalistas, de quem recebe toda confiança e investimento necessários.

A esquerda e os setores que verdadeiramente defendem os interesses da população devem se colocar totalmente contra qualquer tentativa de promover João Doria ou outros políticos da direita tradicional como “democráticos”, usando Bolsonaro para fazer chantagem política. O movimento operário deve defender e apoiar as candidaturas que possibilitem o avanço da luta contra o golpe e contra a burguesia. Para as eleições de 2022, todo o apoio a Lula presidente e ao Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

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