Protestos contra confinamento
Medidas governamentais não querem dizer proteção, pelo contrário
Netherlands-regions.svg
Regiões da Holanda | Wikimedia Commons
Netherlands-regions.svg
Regiões da Holanda | Wikimedia Commons

Manifestações de protesto contra as medidas de confinamento para combater a COVID-19 irromperam na Holanda pela terceira noite consecutiva na última segunda-feira (25/01). Fogueiras foram acesas nas ruas, carros da polícia foram queimados e vitrines foram destruídas e lojas foram saqueadas. O país está sob toque de recolher como parte das novas medidas impostas para evitar a propagação da COVID-19.

As manifestações ocorreram nas cidades de Amsterdã, Roterdã, Haia, Harlem, Almelo, Helmond, Geleen, Veenendaal, Breda e Tilburg. A resposta do governo foi a usual: tropas de choque da polícia para enfrentar os manifestantes. Cerca de 300 pessoas foram detidas durante o fim de semana e na noite de segunda-feira feira mais 150 pessoas foram também detidas. O Primeiro-Ministro holandês usou termos fortes para condenar os manifestantes, acusou-os de terem motivações que nada têm a haver com o confinamento e prometeu medidas duras contra quem se manifestar.

O prefeito de Roterdã Ahmed Aboutaleb baixou um decreto de emergência aumentando os poderes da polícia para deter manifestantes. Prefeitos de outras cidades anunciaram medidas semelhantes. A polícia anunciou que imagens de vídeos serão usadas para identificar e prender quem estiver “infringindo a lei”. Novas manifestações violentas estão sendo esperadas para os próximos dias e semanas.

As manifestações de insatisfação com as medidas que vem sendo tomadas contra a pandemia na Holanda seguem uma tendência que se vê nos países que seguem o modelo econômico neoliberal. A pandemia está sendo usada como pretexto para pôr em marcha uma guerra de governos tirânicos contra os povos sob o disfarce de medidas para proteger a sua saúde.

As pessoas nesses países estão percebendo que suas vidas estão sendo destruídas, muitos estão mergulhando na miséria e no desespero, mas para realmente combater a pandemia nada está sendo feito na verdade. Por exemplo, no Reino Unido foi decretado um confinamento, mas aquele país é o recordista em mortes per capita causadas pela pandemia. Por outro lado, a China tem lidado com a pandemia com um mínimo de perdas de vidas humanas e um mínimo de perdas econômicas.

Diante da sua crise atual o capitalismo está em busca de uma forma de sobreviver e sua sobrevivência envolve a destruição dos meios de subsistência dos trabalhadores e sua escravização. A cada confinamento sem medidas reais para combater a pandemia a devastação econômica aumenta. Muitos pequenos negócios foram à falência. Segundo algumas estimativas o PIB mundial já foi reduzido em um terço, mas essas perdas se transformam em ganhos para o grande capital.

Somente uma movimentação das massas exigindo um combate verdadeiro à pandemia e exigindo que sejam postas em prática medidas para movimentar a economia poderá causar uma mudança de rumo.

Relacionadas
Send this to a friend