A farsa do combate ao vírus
Os governos “científicos” e negacionistas seguem exatamente a mesma política, estes apresentam-na nua, enquanto aqueles a enfeitam para enganar o povo

Por: Redação do Diário Causa Operária

O sistema de saúde nacional está à beira do colapso devido à segunda onda da Covid-19; já são mais de 10 milhões de casos de infecção registrados e mais de 255.000 mortos desde o início da pandemia, sendo cerca de 60 mil só nos dois primeiros meses deste ano. Nesse momento, o País passa por uma crescente de casos, inclusive com o desenvolvimento de novas mutações do vírus que o tornam mais perigoso e com uma média superior a 1.000 mortos por dia nos últimos 30 dias. Essa crescente tem levado todo o sistema administrativo do Estado a entrar em colapso junto com a saúde.

Não é diferente a situação econômica do País, em meio a uma taxa de desemprego de 13,5%, que corresponde a mais de 13 milhões de cidadãos brasileiros, soma-se isso aos milhões de desalentados, que desistiram de procurar emprego, temos o tamanho da tragédia, o fato é que cerca de 50% da mão de obra nacional está ou sem emprego ou subempregada, sem carteira. A carestia, fruto da política neoliberal do governo castiga o povo, a fome cresce paulatinamente, a situação torna-se cada vez mais desesperadora.

A política de combate ao vírus dos governos foi uma só, embora tenha nuances. Na realidade, foi a ausência de uma política. O governo Federal de Jair Bolsonaro teve como estratégia ignorar a pandemia; defendendo que se voltasse a completa normalidade, em um determinado momento um prefeito de uma cidade do Nordeste resumiu bem a estratégia bolsonarista: abrir tudo, “morra quem morrer”, já se vão 250 mil vidas em decorrência disso.

Essa mesma política foi adotada pelos governadores Estaduais, mas com uma nuance: para encobrir a falta de política, esses governos montaram uma encenação para disfarçar o fato de que nada está sendo feito para combater o vírus desde o início da pandemia. Um desses disfarces foi a propaganda de que o combate ao vírus estaria sendo feito com o auxílio do bom senso e da ciência em contraposição ao negacionismo e o obscurantismo bolsonarista.

Do ponto de vista prático é a mesma política genocida de permitir o massacre da população para evitar o gasto público que o Estado promove, uns, no entanto, apresentam-na nua, outros enfeitam-na.

A política do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) é a forma mais acabada da política genocida com enfeites de bom senso e cientificidade. Doria lançou mão da política de isolamento social como meio de combate à pandemia, na verdade tratava-se de resguardar os sistema de saúde pública do colapso que lhe afetaria diretamente, mas o isolamento social de Doria desde o início da pandemia era uma farsa, não se colocou nunca o problema de dar as condições para que a maioria da população pudesse ficar em isolamento; a maioria da população seguiu trabalhando, o isolamento ficou restrito a um setor da classe média e a burguesia.

De maneira burocrática e sem qualquer planejamento e coordenação, sem oferecer saídas para as pequenas e médias empresas e para o comércio, determinou o fechamento, o que agravou a crise econômica e jogou uma parcela da classe média nos braços do bolsonarismo que prega a abertura total da economia independente da pandemia e da saúde da população.

Como as medidas ilimitadas de isolamento social começaram a gerar um custo excessivo, setores capitalistas pressionaram para que essa política ineficiente de Doria, e que foi implementada país afora, fosse superada.

Assim, após a abertura total da economia durante as eleições municipais e as festas de fim de ano em 2020, passou-se para a política de pura demagogia. Doria então passou a fazer campanha e promessas de que traria a vacina, de que seguia a ciência, não era negacionista, usava máscara etc., gesto de Doria empolgou todo um setor da própria esquerda, órfão de uma política independente e desesperado diante da política bolsonarista.

O “científico” Doria apresentou uma vacina, a mais ineficaz do mundo e uma das mais caras também. Contudo, mesmo essa vacina de João Doria, o salvador, está em falta e o plano de vacinação anda a passos de tartaruga em São Paulo e em todo o País no exato momento em que o surto de coronavírus atinge proporções talvez as maiores desde o início da pandemia. Se depender dos ditos “cientistas”, assim como dos negacionistas, a crise do coronavírus se estenderá ainda por décadas.

O isolamento social que fora uma arma de propaganda de Doria no início da pandemia, agora, em março de 2021, em que especialistas declaram que poderá ser um mês dos mais tristes da história nacional, e considerando o precedente, mais de 1.000 mortes diárias em decorrência do vírus, é de se espantar, nem mesmo dele se lança mão. Doria inclusive abriu as escolas, retornou às aulas presenciais, sem dúvida um crime de grandes proporções digno de Bolsonaro e qualquer bolsonarista.

A política adotada agora para supostamente combater o vírus é a restrição de circulação e o lockdown noturnos. Embora as escolas estejam abertas, os transportes lotados e tudo esteja funcionando normalmente durante o dia, o problema identificado pelos governos é de noite, de madrugada mais precisamente.

Doria decretou toque de recolher das 23 horas as 05 horas da manhã em todo o Estado, essa política foi seguida por diversos outros Estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Goiás, Amazonas, com algumas diferenças trata-se de proibir as atividades não essenciais de funcionarem depois de determinada hora, bem como impedir o direito de ir e vir dos cidadãos e de se reunir à noite. Em alguns locais também o comércio foi fechado nos finais de semana, como em Mato Grosso.

Os objetivos desse falso isolamento social da madrugada são bem claros: colocar a culpa da desgraça cada vez maior da pandemia no povo e ao mesmo tempo encobrir a falência da vacinação e da política de combate ao vírus. Os governos tiveram um ano para adquirir equipamentos, comprar insumos e construir hospitais. No entanto, até os hospitais de campanha foram fechados e os problemas de um ano de pandemia só pioraram

A medida seria para combater o colapso do sistema de saúde que encontra-se em muitas cidades com leitos e UTIs próximo e mesmo acima dos 90% da capacidade ocupadas. A medida risível é claramente uma política de repressão ante a total incapacidade do poder público de combater o vírus efetivamente, a crise inevitável que o colapso do sistema de saúde causará somado ao aumento exponencial dos casos assustar a burguesia que se precaver colocando de antemão a PM nas ruas.

A política “científica” de Doria, assim como a política obscurantista de Bolsonaro, são em realidade duas faces da mesma moeda; a diferença consiste apenas na aparência, e essa política essencial que levou a morte de mais de duas centenas de milhares de cidadãos.

As organizações operárias e populares, assim como a esquerda não podem ficar reféns dessa política governamental da qual participam Doria e Bolsonaro, é preciso constituir uma programa urgente de defesa da vida do povo.

Programa que coloque o questão do isolamento social efetivo para todos, dando condições para trabalhadores e empresas, com investimento público de cumprir esse determinação, de investimento em ampliação da rede de saúde, com criação de hospitais especializados e leitos e UTIs; que coloque o problema da vacinação e da vacina; com um plano de vacinação acelerado e observando um plano de compra e de produção de vacinas no País.

A inação e o desejo de um salvador da pátria, vendo em Doria, esse verdadeiro excremento da sociedade, o herói por divergir na aparência de Bolsonaro, nos levará a catástrofes ainda maiores, é urgente que o movimento operário e popular discuta esse problema.

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