China reage aos ataques dos EUA

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Ontem (15), o principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, chegou a baixar da casa dos 100 mil pontos. A queda brusca teve como motivo o anúncio do governo chinês de que vai adotar “as contramedidas necessárias” em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre 300 bilhões de dólares em produtos chineses.

As tensões entre China e Estados Unidos já vêm se explicitando há bastante tempo. O imperialismo, empurrado pela profunda crise do capitalismo, tem procurado atacar a China para tentar salvar os capitalistas norte-americanos. A China, em resposta aos ataques do imperialismo, tem procurado se defender da maneira que lhe é possível.

No dia 1º de agosto, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que iria impor uma tarifa de 10% sobre U$ 300 bilhões de produtos importados da China a partir de 1º de setembro. Com isso, os produtos chineses ficarão mais caros – o que representa um maior custo para a economia chinesa. Trump espera, com isso, que haja mais condições para que a economia interna norte-americana se desenvolva.

A reação do governo chinês à tarifa absurda do governo norte-americano foi a de permitir, no dia 5 de agosto, que sua moeda caísse. abaixo da barreira dos sete yuan por dólar. A mudança do câmbio faria com que os preço dos produtos chineses importados pelos EUA caísse, causando uma certa compensação da tarifa imposta por Trump. Trata-se, portanto, de uma profunda guerra econômica entre dois dos  países mais importantes do mundo.

A ofensiva dos EUA contra a China nada tem a ver com a “personalidade” de Donald Trump, conforme alguns setores da imprensa burguesa alegam. Trump é apoiado por um amplo setor da burguesia norte-americana, que entende que é necessário que boa parte dos produtos absorvidos pelo mercado norte-americano sejam produzidos pela mão-de-obra existente no próprio país, de modo a controlar uma explosão social causada pelo desemprego.

A China, por sua vez, que depende drasticamente da exportação de seus produtos, não tem outra opção a não ser tentar se impor diante da sabotagem norte-americana.

A tentativa de os Estados Unidos bloquearem parte das importações de produtos chineses, no entanto, não é uma solução definitiva para o capitalismo. Afinal, se a indústria norte-americana absorver largas parcelas de trabalhadores para suprir a ausência dos produtos chineses, isso implicará inevitavelmente em um fortalecimento da classe operária norte-americana, o que representa um enorme perigo para o imperialismo e para o capitalismo de maneira geral.

A guerra econômica entre China e EUA mostra um impasse gigantesco do capitalismo. A burguesia tem, em alguma medida, consciência de que a crise se aprofunda e de que não há solução para esta. Por isso, a tendência é que a direita procure esfolar ainda mais os países atrasados, como o Brasil e a Argentina, de modo a descontar nas costas de seu povo o ônus da crise em desenvolvimento.