É preciso tomar as ruas
As manifestações consistem em cartazes, panelaços, queima de barricadas e até mesmo embates diretos com a polícia militar local.
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Manifestação no Chile em 2019. Imagem: Acervo DCO |

Em outubro do ano passado, a população do Chile encontrou-se em meio a extremo descontentamento. Ocorreu uma onda de protestos que duraram até março deste ano, colocando em cheque o sistema econômico neoliberal vigente no país desde o fim da ditadura. Ademais, os manifestantes clamavam por uma nova constituinte, alegando que a constituição vigente não representava os interesses da maioria da população. Todavia, utilizou-se o pretexto da pandemia para frear essa movimentação, como tem ocorrido ao redor de todo o mundo.

Inicialmente, o Chile havia adotado um sistema de quarentena rotativa e voluntária, que não surtiu o efeito desejado pelas autoridades locais. Nesta sexta-feira, dia 15 de maio, o governo chileno decidiu implementar o chamado “lockdown”. Segundo Sebastián Piñera, presidente direitista, o número de infectados estava crescendo a um nível que tornou necessário a implementação de tal medida. Ademais, declarou que iria fornecer auxílio financeiro à população mais pobre do país por meio de um bônus, que, nas palavras de Marco Kremerman, pesquisador da Fundação Sol, é completamente ineficiente:

“Dois milhões de trabalhadores recebem um bônus de 13 mil pesos por mês (R$ 77). Isso não permite a sobrevivência ou a compensação da renda. Existe um universo de 3,6 milhões de trabalhadores que não têm contrato e estão na informalidade. O pagamento de contas básicas deve ser congelado: eletricidade, água, gás, internet e também as dívidas das pessoas. O sistema político continua em outra sintonia, obedecendo a outros interesses, e acho que esse é o principal problema.”

Em meio a crise, a população chilena decide mais uma vez se manifestar, quebrando completamente a medida fascista de “lockdown”. Desde segunda-feira, residentes de bairros mais pobres estão em estado constante de mobilização, exigindo do governo uma ajuda real. Essas manifestações consistem em cartazes, panelaços, queima de barricadas e até mesmo embates diretos com a polícia local. Esta se mostra completamente a serviço do estado burguês de Piñera, tentando reprimir e silenciar a classe trabalhadora.

Os companheiros chilenos são o perfeito exemplo do que devemos fazer em situações como a atual. A população está completamente desamparada, com níveis de pobreza e fome cada vez maiores. Nos protestos, pode-se ouvir por parte dos trabalhadores: “Se o vírus não nos matar, a fome nos matará”. Por esse motivo, é simplesmente impossível permanecer em casa. Ao invés disso, estão protestando. Estão nas ruas para garantir que tenham o direito de ficar em casa, para garantir que o estado cumpra o seu dever de auxiliar a população.

É nesses momentos que o neoliberalismo e, enfim, toda a política imperialista, se mostram mais insuficientes do que nunca. O sistema revela-se completamente incapaz de suprir as necessidades mais básicas do povo, quem dirá seus direitos fundamentais. Nesse sentido, a luta de classes não acaba no momento que se inicia uma pandemia. Muito pelo contrário, ela se intensifica. Afinal de contas, a crise de saúde global é um perfeito indicativo de que a burguesia é a única amparada e beneficiada pelo capitalismo. Vivemos o exemplo disso, é simplesmente irrefutável.

Devemos seguir o exemplo dos companheiros do Chile e protestar. Os trabalhadores de todo o mundo devem unir-se como classe unificada e centralizada para pôr um fim ao regime genocida que lhes assola desde a ascensão do capitalismo. Finalmente, para solucionarmos a crise de maneira verdadeira, precisamos criar um estado proletário, pois somente os próprios trabalhadores defenderão os interesses deles mesmos. Afinal de contas, a burguesia só se preocupa com a intensificação da retroalimentação do capital e a manutenção de seu sistema, mesmo que custe, diariamente, milhares de mortes.

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