Isso é o que sobra para o povo
De acordo com dados apresentados por órgão ligado à OEA, a repressão militar às manifestações no Chile já atingiu a casa dos milhares. É um aviso para toda a América Latina.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
chile repressao
Repressão militar no Chile. Foto: Edgard Garrido/Reuters |

Após uma série de gigantescas manifestações populares, que deixaram o governo direitista de Sebastián Piñera por um triz, aparentemente o clima político resfriou. Aproveitando o fato de que o reação popular se deu após o aumento do preço dos combustíveis, similar ao que vimos recentemente no Brasil no caso dos caminhoneiros, um setor da esquerda chilena entrou em um acordo com o governo Piñera, sob a promessa de que ele recuaria na questão dos combustíveis.

Há no Brasil quem procure ridicularizar os índios brasileiros, que aceitaram trocar metais preciosos e outros recursos naturais por espelhos. O que dizer então deste setor da esquerda chilena, que trocou manifestações populares enormes, que inclusive já pediam o “Fora Piñera”, por um acordo em troca de um recuo momentâneo do governo com relação ao preço dos combustíveis? Quer dizer, diante do fundamental na política, que é a questão do poder, esta esquerda se contentou com o que não poderíamos chamar sequer de migalhas.

Pois bem, e para o povo, que se mobilizou heroicamente nas ruas, qual o saldo final? Além de ter que aturar por mais tempo o governo Piñera, que pode reverter a qualquer momento o frágil acordo em torno dos combustíveis, os dados são alarmantes. De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que é ligada à OEA, a brutal repressão militar às manifestações no Chile tinham somado até agora 42 mortos, 12 mulheres estupradas, 121 desaparecidos e milhares de torturados. Se levarmos em consideração de que os dados foram divulgados em uma matéria publicada no dia 23 de outubro deste ano e que a OEA é um instrumento do imperialismo na América Latina, chegaremos à conclusão de que a realidade é muito pior do que estes números revelam parcialmente.

Esta brutal repressão militar feita no Chile é fundamental para que possamos caracterizar estes acontecimentos na América Latina de conjunto. Diferentemente do que dizem setores da esquerda, que procuram apresentar a ideia de que cada país é um país, com as suas particularidades, e que portanto devem ser analisados isoladamente, estamos diante de uma ofensiva generalizada, articulada pelo imperialismo estrangeiro, em aliança com as Forças Armadas, a burguesia e a extrema-direita de cada país.

Se por um lado, no caso da Venezuela, as Forças Armadas ainda não tenham se bandeado para o lado do imperialismo, temos apenas mais uma comprovação da nossa tese, afinal, trata-se de um dos únicos governos nacionalistas que ainda se mantém. Dado o golpe militar na Bolívia, alguns intelectuais mais afoitos se apressaram em dizer que o caso da Bolívia é um “caso isolado”, como se no restante do continente estivéssemos a salvo de um golpe militar. Essa profunda repressão no Chile, que foi apenas a ponta do iceberg da repressão real que ocorreu no país, o golpe militar na Bolívia, o governo Bolsonaro e os seus generais fazem parte do mesmo movimento político: a imposição de ditaduras militares em toda a América Latina.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas