O primeiro herói da guitarra
O impacto da breve carreira de Charlie Christian no jazz foi enorme. Em apenas três anos revolucionou o uso da guitarra no jazz e plantou as sementes do bebop.
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Charlie Christian | Foto: Reprodução

Charlie Christian foi um dos primeiros guitarristas elétricos do jazz e também um dos mais importantes músicos da história. Sua fama veio dos anos em que tocou nas bandas de Benny Goodman entre 1939 e 1942. Em seus últimos anos seus solos complexos e inovadores demonstram que ele foi também um dos pioneiros do estilo que viria a superar o swing, o bebop.

Uma tragédia que tenha estado tão pouco tempo entre nós, já que ele faleceu com apenas 25 anos em 1942. Charlie Christian abriu o caminho para o som da guitarra elétrica dos tempos modernos. Foi um dos primeiros a mostrar as possibilidades da guitarra como instrumento melódico solista, inovando e criando técnicas novas presentes até hoje como o uso de bends. Sua influência está presente na maior parte dos guitarrista de jazz, blues e rock, de Joe Pass, George Benson, Wes Montgomery a Eddie Cochran, T-Bone Walker, B.B. King, Carlos Santana e Jimi Hendrix. Em 1990 Christian foi indicado ao Rock And Roll Hall Of Fame, um estilo que nem existia em sua época.

Infância em Oklahoma

Charlie Henry Christian nasceu em 29 de julho de 1916 em Bonham, Texas. Quando tinha apenas dois anos a família se mudou para a cidade de Oklahoma, onde passou a infância. O pequeno Charlie aprendeu música com seu pai, Clarence Henry Christian, um violonista e trompetista que acabou ficando cego como consequência de uma doença. Seus dois irmãos mais velhos, Edward e Clarence, também eram músicos.

Para ganhar dinheiro o pai Clarence levava seus filhos para tocarem nas ruas, geralmente nos bairros mais ricos. Inicialmente Charlie se apresentava dançando e mais tarde começou a tocar o violão, aprendendo os rudimentos com o pai. Aos doze anos de idade Clarence falece e Charlie herda seus instrumentos.

Na escola Charlie queria mesmo era tocar o saxofone tenor. Seu professor insistiu que ele tentasse o trompete. Charlie se recusou porque acreditava que o trompete iria desfigurar seus lábios. Com isso resolveu se dedicar ao baseball, na qual acabou se destacando com um grande atleta.

Continuou estudando o violão e no início dos anos 30 já tocava standards de jazz na banda de seu irmão Edward. Daí em diante Charlie começou a se apresentar regionalmente. Uma das maiores influências sobre o jovem Charlie foi o saxofonista tenor Lester Young. Christian ficou fascinado pelo estilo de Lester, cujos solos ele chegou a decorou e que acabaram moldando o seu próprio estilo de tocar.

Anos depois Christian voltou a se encontrar com seu ídolo Lester e a tocar com ele quando as bandas de ambos se encontraram em Nova York, Lester com a banda de Count Basie e Christian com o Sexteto de Benny Goodman.

Em meados dos anos 30, começou a estudar com Eddie Durham, que foi um dos primeiros a tocar uma guitarra elétrica.

A guitarra elétrica

Até esta época as bandas de jazz tinham músicos que tocavam violão ou banjo. Estes instrumentos tinham apenas uma função rítmica, fazendo apenas acordes. Fazer um solo era impensável porque esses instrumentos tinham um volume muito baixo próximo aos outros instrumentos.

Em 1936 a fábrica de instrumentos Gibson criou a primeira guitarra elétrica com amplificador. A guitarra era o modelo ES-150, que era vendido na época por 150 dólares incluindo um cabo e mais o amplificador.

Através de Eddie Durham Charlie Christian conheceu o instrumento e comprou um também.

Com a guitarra elétrica em mãos Charlie Christian se tornou um atração da cena local. Tocou com inúmeros músicos famosos que passaram por sua cidade como Teddy Wilson e Art Tatum. A pianista Mary Lou Williams que tocava na banda Andy Kirk And His Clouds Of Joy acabou indicando-o ao produtor John Hammond. John acabaria se tornando uma das figuras mais importantes da música americana em todos os tempos. Ele era um caçador de talentos e produtor de discos responsável por descobrir Billie Holiday, Harry James, Benny Goodman, Bob Dylan, Count Basie, Aretha Franklin, Leonard Cohen, Pete Seeger e Bruce Springsteen e muitos outros, além de ser um dos principais incentivadores da redescoberta da obra de Robert Johnson.

A fama nacional

Em 1939 Charlie Christian fez um teste com John Hammond, que entusiasmado, o recomendou a Benny Goodman, então o bandleader da orquestra de swing mais popular da época.

Inicialmente Goodman estava totalmente descrente em Christian porque ele não gostava de violão e muito menos de novo instrumento como a guitarra elétrica. Ele já havia tido experiências com outros violonistas como Floyd Smith e Leonard Ware, mas nenhum com a habilidade e musicalidade de Christian.

Em seu teste para Goodman este nem ao menos deixou Christian ligar seu amplificador e o dispensou rapidamente. John Hammond não se deixou abater e naquela mesma noite colocou Christian no palco da apresentação que Goodman iria fazer. Isto deixou Goodman irado e este respondeu mandando a banda tocar a música “Rose Room”, que ele pensou que ser desconhecida para Christian ou que ele tivesse dificuldade para acompanhar. Charlie fez um solo extenso e impressionante que fez com que Goodman o contratasse logo em seguida.

Charlie permaneceu por dois anos tocando com o Sexteto de Benny Goodman. Ele escreveu vários dos arranjos do grupo (alguns que Goodman creditou para ele mesmo) e se tornou uma inspiração para seus colegas de banda. O Sexteto o tornou famoso e deu-lhe um bom salário.

O nascimento do bebop

Além dessas apresentações com Goodman ele procurava sempre que possível participar de jam sessions com outros músicos. Descobriu um clube no Harlem em Nova York, localizado na West 118th Street, o Minton’s. Lá ele tocou com outros excepcionais músicos como Dizzy Gillespie (trompete), Charlie Parker (saxofone), Thelonious Monk (piano), Kenny Kersey (piano), Kenny Clarke (bateria) e Nick Fenton (baixo), entre outros. Charlie impressionou a todos com seus longos solos improvisados, não convencionais e com uso extenso de acordes alterados. Charlie chegou até a comprar um segundo amplificador para deixar no Minton’s. O local acabou se tornou o ponto de encontro dos músicos que viriam a criar o bebop.

O bebop foi o movimento de jazz que veio para superar o swing, que até então era a música mais popular nos Estados Unidos. O bebop, principalmente a figura de Charlie Parker, trouxe como características um ritmo muito mais rápido, harmonias complexas, sequências de acordes estendidos e um domínio técnico que os músicos do swing não possuíam. Significou uma retomada da vanguarda do jazz pelos negros, já que a cena swing era dominada especialmente por músicos brancos, como é o caso de Benny Goodman. Mas o bebop teve um impacto pequeno com o grande público, ficando restrito às platéias mais intelectualizadas.

Últimos dias

No verão de 1941 Christian estava excursionando pelo país quando começou a sentir os primeiros sinais da tuberculose. Ele sempre teve uma saúde frágil. Após desmaiar em uma ocasião ele deixou a excursão e foi internado no Seaview Sanatorium em Staten Island. Apesar de notícias de que ele estaria melhorando acabou não resistindo à doença e faleceu nove meses depois em 2 de março de 1942 com apenas 25 anos de idade. Ele foi enterrado em um túmulo sem inscrições em sua cidade natal de Bonham no Texas.

O legado discográfico de Charlie Christian se compõe de suas gravações como músico nas bandas de Benny Goodman, Lionel Hampton, Ida Cox e Metronome All Star Band. Charlie nunca gravou como bandleader. Além dessas gravações em estúdio existem gravações amadoras com Charlie tocando em clubes como o Minton’s, mas de qualidade sonora bem amadora.

Charlie Christian estaria completando 104 anos de idade neste dia 29 de julho caso ainda estivesse vivo.

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