A reboque da direita
A esquerda pequeno-burguesa crê que apoiar a burguesia tradicional e seus planos garantirão a democracia burguesa que tanto presam
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A esquerda não deve apoiar a farsa eleitoral e muito menos a direita | Foto: Agência Brasil

As eleições de 2020 se resumem, no fundamental, a uma grande chantagem política da burguesia contra a classe trabalhadora e o povo brasileiro. Tratou-se mesmo, em diversos locais, de atrelar a classe trabalhadora; a população pobre e oprimida do país aos tradicionais políticos e partidos da burguesia, responsáveis pela miséria e opressão do povo, em nome do combate de um mal maior, o bolsonarismo, que essa mesma burguesia criou.

A esquerda pequeno-burguesa nacional, expressando sua completa dependência da burguesia e do regime político burguês, chancelou, uma vez mais, a manobra política tradicional dos capitalistas. Ao invés se opor e denunciar a manobra dos inimigos do povo, a esquerda não apenas se coloca na posição de refém indefeso, como participa da extorsão geral exercendo-a nos seus círculos de influência, chegando mesmo a pressionar a classe trabalhadora. É certo que sem a adesão da esquerda o manobra não teria o resultado esperado.

Os casos mais paradigmáticos nessas eleições talvez sejam os das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. No Rio os principais partidos da esquerda ( PT, PCdoB, PSOL) chamaram voto em Eduardo Paes (DEM), candidato do partido da ditadura militar, supostamente para combater o mal maior, o bolsonarista Marcelo Crivella. Em São Paulo, formou-se uma frente da esquerda com partidos golpistas, com apoio de investidores e capitalistas, para apoiar a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à prefeitura da cidade. Embora Boulos tenha caído no gosto da classe dominante paulistana pelo estrago que causará à esquerda do PT e a esquerda em geral, por isso está sendo promovido, aparece mais como um promissor político da conciliação de classes, para momentos vindouros. Em breve teremos certeza do que os capitalistas preparam para seu futuro e  o grau de compromisso que mantém. Assim como esses, muitos outros ocorreram no primeiro turno da eleição e ocorrem nesse segundo turno, em todos eles a esquerda tomou posição pelo “mal menor”.

A estratégia da burguesia tradicional é clara, trata-se de fortalecer esse bloco político (PSDB, DEM, PP, PSD, MDB, dentre outros) usando, diante a aversão que causam na população, o bolsonarismo como espantalho e contando, evidentemente, com a estratégia dessa esquerda de explicar ao eleitorado, aos trabalhadores a teoria do mal menor. De outro lado, um dos aspectos fundamentais para a burguesia na eleição é debilitar o Partido dos Trabalhadores, em especial a ala lulista, mostrando-o, com o resultado eleitoral, como um partido rechaçado e superado pela história, aqui entrou o participação fundamental de Boulos, que tanto entusiasmou a burguesia.

A esquerda pequeno-burguesa nacional, contudo, ignorou a manobra evidente do setor mais poderoso dos capitalistas e se colocou plenamente de acordo com essa política, fazendo exatamente o que a burguesia esperava que fizessem. Até mesmo setores que utilizam o nome do socialismo, do marxismo, mas que traem essa tradição a cada passo, abandonaram qualquer perspectiva de independência de classe e se colocaram a reboque da política burguesa defendendo o apoio a burguesia “civilizada” aos candidatos anti-PT.

Com as mais mirabolantes justificativas, às vezes apresentadas pretensamente a maneira marxista, como movimentos táticos e estratégicos, conduzem seus círculos de influência, os trabalhadores, os militantes e ativistas de esquerda a se comprometerem com a política da burguesia. O fazem, pois é de sua natureza, como elementos da pequena-burguesia. O regime de dominação capitalista, a democracia, constitui seu horizonte político e é o meio de realização de suas potencialidades enquanto pequeno-burguês, ante o fascismo e o retrocesso momentâneo da classe operária, voltam-se completamente para a burguesia tradicional, execrada pelas massas, constituindo sua base com vã ilusão de que estes são a essência do regime dito democrático e o garantirão, isso a despeito da fraseologia mais ou menos revolucionária que possam utilizar.

Para os revolucionários, sua missão histórica é ajudar na constituição do partido operário independente, e não apenas nas palavras, mas na ação. Deve ajudar a libertar as massas, inclusive setores da pequena-burguesia, da influência nefasta da burguesia, das ideias e dos preconceitos liberais. Formar um bloco com a burguesia para apoiá-la contra outro setor ou ajudá-la a destruir o maior partido da esquerda nacional, ainda que reformista, não contribui em nada com a luta dos oprimidos, ao contrário, joga contra essa luta.

O Partido da Causa Operária (PCO) não aceita a infame chantagem, chama os trabalhadores ao voto nulo como meio de repudiar a farsa das eleições. Chama voto nulo como meio de manifestar o repúdio dos trabalhadores do país a burguesia, sua política e suas manobras de conjunto. Assim como os trabalhadores em muitas oportunidades durante a ditadura militar se recusaram a escolher entre a ARENA e o MDB, os dois partidos da ditadura, chamamos os trabalhadores a repudiar a burguesia de conjunto, seja ele dita civilizada, os pais de Bolsonaro, ou bolsonarismo.

Somente assim a classe operária pode avançar como classe consciente, como partido politico revolucionário, através da independência, da critica severa ao inimigo de classe e seus colaboradores e com um política audaciosa que não visa outra coisa que não seja o avanço da organização e da consciência de classe dos trabalhadores, que não é nada senão a consciência da necessidade da luta por todos os meios disponíveis contra o capitalismo, a burguesia o Estado burguês e pelo comunismo.

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