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Às ruas!

Chacina no RJ: extinção da polícia já!

É necessário mobilizar a população contra os aparatos de repressão do estado!

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Chacina do Jacarezinho é mais um exemplo que revela a necessidade de se extinguir a policia – Reprodução

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O dia amanheceu nesta quinta-feira com uma operação policial que entraria para a história como a mais letal dos últimos tempos no Rio de Janeiro. Desde às 6 horas da manhã, a Polícia Civil do estado invadiu a favela do Jacarezinho, na Zona Norte, durante a operação chamada “Exceptis”, que tinha como pretexto o “combate ao tráfico de drogas”.

A ação policial durou cerca de 7 horas e promoveu uma chacina que resultaria em 25 mortos, além dos diversos presos e feridos, demonstrando na prática, mais uma vez, a necessidade de lutar pela extinção dos aparatos de repressão do estado.

Maior chacina da história da cidade

Os números representam um recorde histórico. A chacina em Jacarezinho superou o número de mortos de operações como Senador Camará (15 mortos) em 2003, e também da famosa chacina no Complexo do Alemão (19 mortos) realizada em 2007. Em termos estaduais, fica atrás apenas dos 29 mortos por grupos de extermínio em uma chacina nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, em 2005.

Em 1994, 14 pessoas foram assassinadas no Complexo do Alemão em mandado de busca e apreensão. Com o mesmo pretexto, um ano depois, o mesmo local foi invadido pela polícia, resultando em mais 13 mortos. Em 2003, Senador Camará foi palco de uma grande cachina, a maior até então, com 15 mortos no chamado “combate ao tráfico de drogas”. Esta política, levaria ao massacre do Vidigal em 2006, resultando em 13 mortos, e no Complexo do Alemão em 2007 (19 mortos) e 2020 (12 mortos).

Agora, em plena pandemia, a Polícia Civil assassinou 25 pessoas, sendo que segundo os moradores, os números são muito maiores. A operação assassinou moradores dentro de suas casas, jovens, e até mesmo trabalhadores dentro da estação de metrô de Triagem, da linha 2, deixando um morto e diversos feridos.

Para a polícia, o trabalhador é o criminoso

Contudo, para o delegado Ronaldo Oliveira, entrevistado pelo G1, “não houve execução”. De acordo com esse sujeito fascista, “quem não reagiu, foi preso. Ou foi preso ou fugiu”.

A declaração do delegado reflete a política por de trás de toda operação policial. A invasão feita à favela tinha como objetivo central reprimir a população, massacrando os trabalhadores. De acordo com a declaração oficial da Polícia Civil, todos os mortos eram “suspeitos” de serem criminosos, ou seja, para o aparato de repressão do estado o “criminoso” é na realidade sempre o trabalhador.

Com esta operação, a diretriz imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de que a invasão policial nas favelas estava proibida a não ser em “casos excepcionais”, durante a pandemia, vai completamente abaixo. A lei é ditada conforme os interesses da burguesia na luta contra o povo, que mais uma vez foi massacrado pelo aparato de repressão do estado.

Para matar não precisa ser militar, basta ser policial

O caso também serve como prova cabal de qual deve ser a política da esquerda, das organizações populares a respeito da repressão do estado. Para a esquerda pequeno-burguesa a política central seria “desmilitarizar” a Polícia Militar, um órgão de repressão típico de um regime ditatorial, e torná-la uma polícia comum, ou seja, civil.

No entanto, a chacina em Jacarezinho, hoje a maior da história da cidade do Rio de Janeiro, não foi protagonizada pela Polícia Militar, mas sim, pela civil. A operação mostrou que quando o assunto é reprimir e assassinar a população não interessa a patente, mas sim o fato de servir à repressão do estado.

É a suposta “democrática” Polícia Civil que brutalmente assassinou diversos trabalhadores, e que está diretamente na ativa reprimindo a população nas periferias e nos centros das cidades. Junto à Guarda Municipal, Polícia Militar, a Policia Civil é um dos principais braços do estado, do regime golpista, para reprimir toda a população.

Extinguir a polícia, formar milícias populares!

Sendo assim, não faz sentido algum lutar pela mera “desmilitarização” da Polícia Militar, que é apenas um dos aparatos de repressão e não deixará de reprimir a população por isso, mas sim lutar pela extinção de todo o aparato de repressão do estado.

Não há como tolerar que milhares de trabalhadores sejam assassinados todos os anos nas mãos da repressão do estado.

Estes casos, como de Jacarezinho, mostram que a função da polícia nunca foi defender a população, garantir uma suposta segurança, mas sim, servir como os “cachorros loucos” da burguesia, reprimindo a população. Esta política fascista precisa ter um fim, a classe trabalhadora tem o direito de se auto-organizar em milícias populares que garantam a proteção da população.

Ao contrário da polícia, que é controlada pela burguesia, as milícias populares são controladas pela classe trabalhadora, divididas em bairros, eleitas pelos moradores e com os membros sujeitos ao controle popular. Hoje, o trabalhador não tem o direito de se defender, a polícia detém o monopólio de todas as armas – para a classe trabalhadora, resta ser reprimido. É necessário por isso tomar as ruas, mobilizar a classe trabalhadora contra os aparatos de repressão do estado.

Hoje, sexta-feira, a partir das 7 horas, um ato foi convocado para a Estação Maria da Garça, em frente à Cidade da Polícia. É preciso seguir este exemplo, e lutar contra os fascistas nas ruas. Pela dissolução da polícia e formação de milícias populares em seu lugar!

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