Menu da Rede

Anterior
Próximo

Fascismo

Chacina no RJ desmascarou quem quis se passar por “civilizado”

Os bolsonaristas e a direita "civilizada" se unificaram na defesa da Polícia Civil no episódio da Chacina do Jacarezinho.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Eduardo Paes (DEM) e Cláudio Castro (PSC) – Reprodução.

Publicidade

O atual governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC), assumiu a administração após o impeachment de Wilson Witzel (PSC). No processo de impeachment, o vice-governador sinalizou para a esquerda pequeno-burguesa, no caso da bancada do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Assembleia Legislativa, que não seguiria a política de repressão, tiro, porrada e bombas contra a população pobre.

Witzel tornou-se conhecido pela política de assassinato sistemática nas periferias. Isto o desgastou rapidamente, até o ponto em que ele caiu sem ter como esboçar resistência e sem que ninguém se mobilizasse para defendê-lo. Castro, por sua vez, tentou se travestir de “civilizado”. A chacina do Jacarezinho (RJ), ocorrida na semana passada, acabou com essa tentativa.

A Operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro é considerada a mais letal da história. As imagens das execuções na favela do Jacarezinho circularam nas redes sociais. Vinte e nove pessoas  morreram na operação. Claudio Castro, que tentara se passar por “civilizado”, em oposição a Witzel, se posicionou em defesa da Polícia Civil, legitimou a chacina e disse que o número elevado de mortes foi resultado da resistência dos supostos traficantes.

O presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) e o vice-presidente e general Hamilton Mourão (PRTB) publicaram declarações nas redes sociais de apoio à Polícia Civil do RJ. Eles parabenizaram a instituição pelo massacre e afirmaram que os mortos eram bandidos.

O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (DEM), procurou disfarçar seu apoio ao massacre. Ele evitou criticar a Polícia Civil e fez referência ao fato de os mortos serem “de fato criminosos”. O PSOL apoiou Paes nas eleições municipais de 2020. Na época, o partido dizia que era preciso uma união das “forças democráticas”, no caso, a esquerda com a direita tradicional, para derrotar “o bolsonarismo” representado pelo bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (Republicanos). A retirada da candidatura de Marcelo Freixo teve esse objetivo: apoiar e permitir a vitória de Paes.

Os políticos burgueses tradicionais concordam em tudo com Jair Bolsonaro. Os partidos Democratas (DEM) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), dois partidos burgueses importantes, são integrantes do governo Bolsonaro e são da base governista no Congresso Nacional. Entretanto, por uma questão de oportunismo, fazem demagogia para aparecerem como “civilizados”, “democráticos” e “contra o autoritarismo”. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) não condenou a ação da Polícia Civil e manteve uma posição de cautela. Não que o PSDB não apoie chacinas e massacres contra a população pobre, como acontece frequentemente em São Paulo por parte da Polícia Militar, mas procura avaliar seus posicionamentos para evitar uma associação direta com o bolsonarismo. Trata-se de cinismo e hipocrisia.

Os partidos burgueses, de conjunto, apoiam a repressão contra a população pobre nas periferias. Eles são os arquitetos do sistema de repressão estatal montado na época da ditadura e mantido intacto até os dias atuais. O PSDB é diretamente responsável pelo Massacre de Paraisópolis, quando a PM paulista torturou e assassinou jovens que se divertiam em um baile funk na comunidade do Paraisópolis em 2019. A política da burguesia é de reprimir o povo e realizar o controle social direto da pobreza sob a base do terrorismo de Estado.

Há um mito de que a Polícia Civil é mais “civilizada” em relação à Polícia Militar, o que é um engano. O caráter civil ou militar da polícia não é o elemento fundamental da questão, isto é, diz respeito à sua forma institucional. O que interessa é o caráter de classe do Estado, sua natureza social. O episódio do Jacarezinho mostrou, uma vez mais, que a Polícia Civil é tão letal, assassina, terrorista e fascistóide quanto a Polícia Militar. Ambas são a chocadeira do fascismo.

É preciso substituir a palavra de ordem de desmilitarização pela extinção do aparelho de repressão estatal. A polícia, seja civil ou militar, é um instrumento de imposição da dominação de classe à força contra o povo, de intimidação e terrorismo para aceitar a ordem social capitalista. No Rio de Janeiro, como em todo o País, a polícia treina para reprimir a população, em particular nas periferias urbanas. O tráfico de drogas é um pretexto moral para justificar o terrorismo estatal.

Enquanto o aparelho de repressão existir, as chacinas vão continuar a ocorrer. Os mesmos políticos burgueses que tentam posar de “democratas” são aqueles que, diante dos fatos, se revelam como bolsonaristas e fascistas. Claudio Castro tentou levar a esquerda pequeno-burguesa na conversa, porém foi incapaz de se esconder diante do massacre consumado. A direita “civilizada” e o bolsonarismo são duas faces da mesma moeda.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Populares na Rede
[wpp range="last24h" limit="3"]
NA COTV

2016, Não vai ser na lei, vai ser na marra - Arquivo 29

64 Visualizações 51 minutos Atrás

Watch Now

Send this to a friend