Perseguição política
Um ano de prisão ilegal de Cesare Battisti, militante de esquerda perseguido pela extrema-direita
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Battisti é um preso político. Foto: Alberto Pizzoli / AFP |

O militante político Cesare Battisti, perseguido político da extrema-direita e da direita italiana, completou um ano de prisão arbitrária. Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália, segue encarcerado em um presídio de segurança máxima na ilha da Sardenha.

Seu advogado tenta utilizar os anos em que ele cumpriu pena na Itália, entre 1979 e 1981 e os cerca de quatro anos que passou detido no Brasil, para daqui a dois ou três anos pedir progressão da pena, já que nesse caso é necessário cumprir 10 anos da condenação para poder progredir. O judiciário Italiano, no entanto, dominado pela direita, é pouco inclinado para a concessão deste direito. 

Mesmo o pedido feito pela defesa para autorizar um encontro com o filho brasileiro por Skype não foi atendido e aguarda deliberação. O ex-militante político encontra-se, após os seis primeiros meses de solitária, isolado na prisão, que é dedicada a prisioneiros supostamente pertencentes à máfia que são separados de acordo com o grupo pertencente.

Cesare foi acusado e condenado pela justiça Italiana por supostamente ter participado de três assassinatos, todos de elementos pertencentes a grupos fascistas, na década de 1970. Os assassinatos ou justiçamentos foram supostamente promovidos por uma organização a qual Battisti pertencia, porém nunca foi provada sua participação individual nos acontecimentos. 

Após breve prisão na Itália, Cesare Battisti conseguiu fugir para o México e, posteriormente, para França e Brasil, tendo recebido asilo político em 2007 concedido pelo ex-presidente Lula. Battisti tornou-se um dos militantes da esquerda mais perseguidos do mundo, encontrando hostilidade até mesmo no interior da esquerda, devido à campanha da direita internacional.

Seu processo foi totalmente fraudado, ilegal, seus direitos totalmente pisoteados na Itália, com o golpe de Estado no Brasil, País que sob um governo de esquerda e a duras penas lhe concedeu o princípio democrático do asilo a um perseguido. Mesmo esse princípio fundamental do chamado Estado Democrático de Direito sucumbiu totalmente à ânsia da extrema-direita e da direita de condenar alguém que lutou contra os fascistas. 

A extrema-direita utiliza este caso como elemento de propaganda terrorista e de repressão geral contra a esquerda. Este caso não é mera condenação de um indivíduo, está atravessado pela luta de classes, trata-se da punição exemplar da direita contra a esquerda e a tentativa de sua desmoralização. Battisti, que neste ano e em condições escusas (possivelmente tortura física ou psicológica) confessou sua participação nos assassinatos os quais a direita lhe atribui, também publicou uma carta condenando a luta armada dos 1960/70 na Itália, um período conturbado e de acirramento da luta de classes entre a classe operária e a extrema-direita fascista que resultou em enfrentamento direto. 

O que é condenado pela direita no caso Battisti não é o fato de ter participado do assassinato dos três fascistas, mas o fato de a esquerda ter levantado-se de armas em punho contra o fascismo. Querem mostrar às novas gerações que o caminho que ele e muitos outros seguiram não deve ser trilhado. 

Cesare é um perseguido político e vítima de uma fraude judicial, demonstrada por diversos estudiosos do caso, que suprimiu seus direitos democráticos mais fundamentais, por expressar a luta dos oprimidos contra os opressores e por isso deve ser defendido incondicionalmente contra a direita e a extrema-direita.

Liberdade para Cesare Battisti!

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