Centrão diz que o País está à beira do colapso

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O Brasil governado pelo fascista Jair Bolsonaro caminha para “um colapso social muito forte”. A afirmação é do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) em entrevista publicada pelo jornal direitista O Globo na última segunda (3). Maia é hoje a principal liderança parlamentar do chamado Centrão – o bloco da burguesia nacional –, reforçando não apenas as profundas contradições entre os golpistas mas também a apreensão da direita com o crescimento das manifestações pelo Fora Bolsonaro expressa nos atos pela educação e contra a reforma da Previdência. O diagnóstico de Maia evidencia ainda o absoluto fracasso das manifestações pró-Bolsonaro ocorridas no dia 26.

A burguesia nacional ligada ao Imperialismo financeiro talvez tenha sido a última a aderir ao projeto fascista encarnado por Bolsonaro nas eleições. Embora o grupo evangélico conservador estivesse na base do militar, até as vésperas do primeiro turno da eleição presidencial partidos inteiros como o DEM, PP, PPS ou Solidariedade mantiveram-se reticentes em apoiá-lo enquanto o establishment global ainda tentava manobrar com o movimento do Ele Não a favor de seu candidato preferencial, Geraldo Alckmin (PSDB).

O tucano Alckmin, porém, carecia de qualquer base popular, enquanto Bolsonaro mostrava capacidade de mobilização alavancada pelo crescimento dos grupos fascistas ocorrido nos últimos anos. Tal base popular fixa – correspondente a não mais que 10% da população – parece ter sido o fiel da balança na afirmação do ex-capitão do Exército como candidato viável para os golpistas. Por outro lado, os fortes compromissos do núcleo duro bolsonarista com o Imperialismo trumpista, por assim dizer, alavancaram uma ruptura cada vez mais marcada entre os golpistas. De um lado, Bolsonaro e seu entreguismo de viés estadunidense, representado pelo confuso apoio de Olavo de Carvalho e seus asseclas. De outro lado, amplos setores da burguesia nacional, e o establishment do Imperialismo financeiro global.

A única concordância desses grupos parece ser, ainda hoje, a urgência em amainar a crise capitalista por meio de ataques predatórios à população brasileira, tirando seus direitos, perseguindo as organizações e lideranças populares, destruindo nos Estado, arrasando a Educação e a Saúde públicas, entregando nosso patrimônio natural e desmontando nosso aparato Estatal.

Desde que Bolsonaro destruiu em janeiro os acordos comerciais com os Estados Unidos envolvendo o agronegócio – uma de suas primeiras medidas – abriu-se uma profunda contradição com setores ruralistas da burguesia nacional. Isso levou, no campo parlamentar, à ruptura da bancada evangélica com o presidente fascista e a uma permanente crise com o Centrão, cujo porta-voz passou a ser Rodrigo Maia desde fevereiro. À medida em que fica claro para os empresários do setor produtivo brasileiro que o projeto entreguista de Bolsonaro não os contempla, mais e mais ratos golpistas abandonam o barco do presidente. Sem apoio amplo da própria direita, Bolsonaro se mostra cada vez mais incapaz de aprofundar os ataques golpistas. Sem estabilidade política, não se concretizam os investimentos externos que garantiriam ao menos a ilusão de uma retomada da economia. Ao contrário: aprofunda-se a crise, aumenta o desemprego, cai o poder aquisitivo e o país dá mostras de que pode entrar em um ciclo recessivo.

Por outro lado, os constantes disputas entre setores da própria direita apresentaram um cenário de acusações públicas mútuas que acabaram tornando claro para setores cada vez mais amplos da população o plano anti-povo de Bolsonaro, bem como a inépcia muar de seu gabinete ministerial. Desde o carnaval, povo cada vez mais toma as ruas exigindo a imediata deposição de Bolsonaro e todos os golpistas, bem como a liberdade para Lula. Apreensiva com tal polarização e com a iminência de mobilizações de características revolucionárias, a burguesia do Centrão adverte a própria direita bolsonarista dos riscos da polarização política para seus planos.

Apenas um grupo segue firme no apoio a Jair Bolsonaro: as lideranças da esquerda pequeno-burguesa. Tanto os grupos ligados aos governadores do PT e PCdoB, por um lado, como também a esquerda abutre hoje liderada por Guilherme Boulos (Psol) – acreditando que com o vazio deixado pelo PT auferirão bons resultados nas eleições de 2020 e talvez até de 2022. Insistem em manter o Fora Bolsonaro fora das manifestações. Fazem ouvidos moucos ao clamor popular pela liberdade de Lula. Tentam abaixar as bandeiras dos partidos nos atos. À medida em que sua postura capituladora se torna evidente, saltam de um pretexto para outro com a desenvoltura de paquidermes: “Não vamos pedir a queda de um governo eleito” – dizia Boulos, como se a vitória de Bolsonaro não fosse fruto da prisão de Lula; “não vamos pedir a queda de Bolsonaro pois Mourão é pior”, balbuciam outros como se Mourão e outros militares já não estivessem empoleirados no poder.

São apenas desculpas torpes que mal escondem seus interesses mesquinhos: manter-se em cargos públicos por meio das eleições burguesas, vender à burguesia a capacidade de confundir e refrear as manifestações populares. A realidade dos ataques da direita porém se impõe. Cada vez mais setores aderem ao movimento de construção de uma Greve Geral que exija o Fora Bolsonaro, a Liberdade para Lula e a imediata convocação de Eleições gerais comandadas pelo e não pelos golpistas. Todos às ruas na paralisação de 14 de junho!