Uma amostra para 2022
Eleições na câmara revelam que burguesia não pretende lutar contra fascismo algum, demonstrando a farsa da frente ampla
Lula-2
Luta contra o fascismo passa por Lula. | EBC
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Luta contra o fascismo passa por Lula. | EBC

Após uma intensa campanha na imprensa burguesa em torno do candidato Baleia Rossi (MDB), o nome até então escolhido pelo centrão para ser o representante da “luta contra o fascismo” nas eleições para presidência da Câmara dos Deputados, a burguesia de conjunto migrou para o candidato bolsonarista Arthur Lira.

Ratos…

Como ratos, o centrão debandou de uma candidatura a outra nos poucos dias que antecediam a votação. O DEM, partido do então presidente da câmara, Rodrigo Maia, decidiu por liberar os deputados da legenda a votarem no candidato que lhes conviesse, abrindo uma crise com o próprio Rodrigo Maia, que há meses impulsionava a candidatura de Baleia Rossi.

Arthur Lira tornou-se o candidato de todo um bloco majoritário da burguesia na câmara. De um dia para ao outro, a luta “contra o fascismo” foi abandonada pelos milhões “investidos” por Jair Bolsonaro na compra de deputados e na garantia de uma base de sustentação do governo na câmara para a reta final de seu mandato.

Já a esquerda pequeno-burguesa, defensora da frente-ampla até as últimas consequências, foi a única que restou na base de apoio do que parecia ser o principal candidato da burguesia golpista.

Sob o pretexto de luta contra Jair Bolsonaro, a esquerda decidiu apoiar majoritariamente o candidato Baleia Rossi, juntando-se a partidos como MDB e PSDB. PT, PCdoB, e mesmo o PSOL, que havia lançado candidatura própria para fazer demagogia com sua base, anunciavam que apoiar Baleia Rossi era um “mal necessário” para barrar Arthur Lira, apoiado por Jair Bolsonaro.

Contudo, a união com todos os golpistas mostrou mais uma vez a que serve a frente ampla com a burguesia. Rapidamente a esquerda viu a candidatura de Baleia Rossi ser esvaziada, e revelou-se que ao contrário do que se dizia, não há de fato nenhuma luta ideológica no interior da burguesia que supostamente se dividia entre a candidatura “bolsonarista” e “anti-bolsonarista”.

Há luta contra o fascismo?

Na dita “luta contra o fascismo” o centrão se dirigiu aquele que mais pagou. As eleições na Câmara dos Deputados mostraram ser um verdadeiro leilão. Bolsonaro iniciou um processo de entrega de novos ministérios ao centrão, e pagou mais do que qualquer outro os deputados da burguesia golpista. Dessa maneira, o seu candidato, Arthur Lira, obteve expressiva votação de todos os setores da dita burguesia “democrática”, elegendo-o em primeiro turno por 302 votos, contra os míseros 145 de Baleia Rossi, o segundo colocado.

Esmagando rapidamente a oposição, Arthur Lira logo suspendeu a eleição da Mesa Diretora, alegando que o bloco base de Baleia Rossi, havia feito o registro fora do prazo. Assim, o centro politico se agrupa em volta de Jair Bolsonaro, deixando claro que nunca houve uma real luta democrática contra o fascista.

Por outro lado, a esquerda comprovou novamente sua falência política, em ser usada em primeiro lugar para impulsionar a candidatura do fascista Baleia Rossi, e posteriormente sendo largada, saindo completamente esmagada pela burguesia golpista.

Toda esta operação revela um problema importante para a classe operária na luta política brasileira. Até o momento, a esquerda pequeno-burguesa de conjunto coloca todas as suas fichas no apoio ao principal setor da burguesia contra Jair Bolsonaro. Com o pretexto de ser uma “direita democrática”, os golpistas colocam a esquerda, e assim, as direções da classe operária completamente a reboque de uma política extremamente direitista, tanto como a do próprio Jair Bolsonaro.

Contudo, as eleições da câmara foram uma nova demonstração de que não há nenhum setor da burguesia brasileira interessado na luta contra o fascismo. Todos estes não só apoiaram o golpe, como efetivamente estruturam o próprio governo de Jair Bolsonaro.

Uma amostra para 2022

Em cima deste problema, as recentes declarações de Fernando Henrique Cardoso, um dos principais nomes da política burguesa brasileira, expõem as claras de que se, como nas eleições da câmara, o centrão não conseguir produzir um candidato para substituir Jair Bolsonaro, o fascista se tornará novamente o principal candidato de todos os golpistas.

João Doria por exemplo, é visto no momento como o principal nome em potencial deste setor para substituir a ala bolsonarista. Contudo, a burguesia demonstra ter extrema dificuldade de emplacar sua candidatura para as eleições de 2022, graças a sua extrema impopularidade em todos os setores da população.

Por outro lado, a esquerda pequeno-burguesa não pode se manter a reboque desta política. Caso ela se repetida, os resultados muito irão se parecer com estes vistos nas eleições desta segunda-feira.

É posto mais uma vez a prova, de que a defesa de uma política própria por parte da esquerda é fundamental. E nesse sentido, a defesa dos direitos democráticos e da candidatura de Lula, visto por toda população como o candidatura natural da luta contra o golpe, é algo fundamental.

Lula é de acordo com a própria imprensa burguesa o único nome capaz de barrar eleitoralmente Jair Bolsonaro. Isso não significa que as eleições serão disputadas meramente no voto, como costuma crer a esquerda brasileira, mas sim na mobilização dos trabalhadores.

A figura de Lula é a única capaz de não só animar, como instigar a mobilização da classe trabalhadora na luta contra o golpe e o fascista Jair Bolsonaro. Lula é visto como um canalizador desta radicalização existente no povo brasileiro, e sua presença nas eleições, será responsável por intensificar a polarização política no país.

Não há outra candidatura, não há qualquer “programa” de governo que possa substituir este fator chave na luta política brasileira. Dessa maneira, é fundamental a unidade em torno da candidatura de Lula e o apoio incondicional aos seus direitos democráticos, brutalmente atacados pelo golpe de estado. A única saída que há para o povo brasileiro é Lula candidato em 2022, o único que pode de fato combater Bolsonaro.

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