“ Central” golpista do PSTU afirma que não participa de atos contra a prisão de Lula e defende a prisão de “ Todos”

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O juiz Sergio Moro cumprindo seu papel de capacho da direita golpista e do imperialismo expediu a ordem determinando a prisão de Lula, em menos de 24 horas após a absurda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou o Habeas Corpus (HC) preventivo para ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

O processo condenatório montado pela chamada Operação Lava Jato, ratificado pelo TRF4 de Porto Alegre é fragrantemente uma grotesca farsa jurídica, uma peça de perseguição política contra a principal liderança popular do país. A decisão do STF negando o Habeas Corpus de Lula é uma quebra do elementar direito constitucional da presunção de inocência, na medida que permite a execução da pena antes que o devido processo legal seja inteiramente transitado e julgado. Uma medida própria de regimes de exceção.

A luta contra o golpe entra no seu momento decisivo, a perseguição do judiciário contra Lula é uma ferramenta “institucional”, na verdade totalmente anticonstitucional, portanto ilegal visando aprofundar o golpe. É importante salientar, que a negativa do HC veio precedido da ameaça de golpe militar amplamente revelado e orquestrado pela Rede Globo, pelos atentados contra a caravana de Lula e pela execução da vereadora do PSOL Marielle Franco.

A decisão do STF negando o direito de Lula e a posterior ordem de prisão decretada pelo Mussolini de Maringá (juiz Sergio Moro) provocaram uma forte onda de indignação no Brasil e no exterior. Uma verdadeira multidão concentra-se na sede do Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do campo para impedir a prisão arbitrária de Lula, além disso, estão sendo marcadas manifestações políticas em praticamente todo país nesta sexta-feira ( 6/4).

Os movimentos sociais, o MST, a UNE, MTST, os sindicatos dos trabalhadores de inúmeras categorias, as centrais sindicais como a CUT e a CTB, os partidos políticos de esquerda e diversas personalidades políticas democráticas tem arquitetado as bases para amplo movimento de frente única contra os fascistas e contra a condenação de Lula, o ato público realizado no Circo Voador no Rio de Janeiro, ainda que tenha limitações é uma expressão política dessa tendência.

O aumento da escalada da violência, com a proliferação de ataques contra lideranças populares, o estabelecimento de medidas de cerceamento a liberdade expressão nas universidades ( em especial no episódio da tentativa de censura da disciplina O Golpe 2016 e o futuro da democracia) e mais que isso as ameaças constantes de um golpe militar, cada vez mais concretas após a intervenção militar no Rio de Janeiro tem provocado essa indignação  popular, com uma tendência ao desenvolvimento de uma ampla frente unitária contra os golpistas. Os atos e manifestações contra a prisão de Lula representam uma luta real contra as tendências de aprofundamento do golpe.

Da mesma forma que o juiz Moro cumpriu seu reacionário papel no processo golpista decretando a prisão de Lula, a CSP Conlutas, a “central” de faz-de- conta do PSTU mais uma vez cumpre a sua função de linha auxiliar dos golpistas.

Dessa feita, a direção nacional da CSP ( sob a completa tutela do PSTU)  buscando bloquear as  possibilidades de um amplo movimento unitário contra os golpistas, que tem inclusive provocado deslocamentos em  setores no interior da própria “Central” (já assinalei como positivo o fato que a chapa 1 no Andes, ter excluído o PSTU da sua composição e ter  finalmente reconhecido que existe um governo golpista no país) .  lançou neste dia 5 de abril uma nota intitulada   Nota da CSP-Conlutas sobre a decisão do STF ao pedido de habeas corpus de Lula.

Na referida nota, a CSP afirma que não somente se recusa a participar das manifestações contra a prisão de Lula, como de acordo com III Congresso da CSP a central é uma adepta ferrenha  da Lava Jato e da campanha reacionária  e demagógica “ contra corrupção” promovida pela direita.

“A CSP-Conlutas sempre defendeu a prisão de todos os corruptos e corruptores, bem como a expropriação de todos os seus bens e a devolução do que foi roubado dos cofres públicos. Esta foi a decisão do nosso 3° Congresso. “( https://cspconlutas.org.br/2018/04/nota-da-csp-conlutas-sobre-a-decisao-do-stf-ao-pedido-de-habeas-corpus-de-lula/).

Por sinal, a campanha “ contra a corrupção” e pela prisão de “ todos”  é a surrada e demagógica política da direita, no estilo UDN. No atual crise política, a campanha “contra a  corrupção “ e pela “ prisão de todos os corruptos” serviu para camuflar a política golpista, e para quebrar as elementares garantias constituições no país, embrenhando-se mais ainda no Estado de Exceção patrocinado pelos golpistas.

Por isso, a CSP e seus sindicatos “combativos” não participam de atos em defesa de Lula, pois na verdade a lógica da política coxinha da CSP seria contracenar com os Bolsominios nos atos coxinhas da Globo pedindo a condenação de Lula e de “ todos” os corruptos.

“A CSP-Conlutas não participará de atos contra a prisão de Lula, reafirmando sua posição de que a justiça deve ser feita para todos. Que sejam presos todos os corruptos e corruptores, que seus bens sejam expropriados e o dinheiro devolvido aos cofres públicos. “ ( idem)

Demostrando que não tem nenhum compromisso com a luta dos trabalhadores e na defesa dos direitos democráticos, a “ central” não somente continua negando obtusamente que existe um processo golpista no Brasil, como cumpre o papel de serviçal dos golpistas, procurando desencorajar as manifestações contra a condenação de Lula e defendo ainda a “ prisão de todos os corruptos”, ou seja faz uma frente com a Operação Lava Jato e com o juiz Sergio Moro para prender Lula e “ todos os outros”.

Os morenistas do PSTU e sua “ central” depois de apresentar o “ Fora Dilma” e o “ Fora Todos”  agora diante do aprofundamento do golpe, defendem junto com a direita mais reacionária, ainda que não tenha a coragem de falar abertamente no texto a  “ prisão para Lula “ e  para fazer uma ponte com aqueles que defendem a intervenção militar contra os “ políticos ladrões”, a “ central “ golpista do PSTU defende também a “ prisão para todos”.

Essa nota da CSP é  uma versão  piorada da desastrosa política ultraesquerdista do PSTU de não participar de atos em defesa da democracia e de construir atos unitários da esquerda ( vejam a nota Por que o PSTU não vai aos “atos de unidade de esquerda” em defesa de Lula, Site PSTU).

Uma curiosidade, a nota da “ central” do PSTU conseguiu ter um posicionamento ainda mais golpista do que a nota do próprio PSTU. Em geral, é o inverso, pois na “ central” do PSTU tem outros parceiros da esquerda pequeno burguesa, e portanto adota-se  versões atenuadas da política golpista do PSTU, como se diz para “ não pegar mal”. Por sinal, esse truque (vale o que está escrito na resolução da central e não na política cotidiana imposta pelo PSTU) é a manobra preferencial para manter as aparências no Andes no tradicional jogo macabro de esconde e esconde da diretoria do Andes.

Certamente que ao escancarar o caráter golpista da política da CSP ( apoiar a prisão de Lula e defender a campanha de prender “ todos” ) é uma expressão da crise da CSP, e uma tentativa do PSTU em impor sua política como fato consumado aos colegas da esquerda pequeno burguesa, em especial aos setores  que tardiamente e timidamente estão aderindo a luta contra o golpe.

Isso é interessante, pois revela que ao contrário do que pregam os setores centristas do PSOL que ainda estão na “Central” do PSTU e do famoso trapaceiro da USP ligado ao PO, a CSP não é uma “central”  combativa nem muito menos de esquerda, sendo tão somente um aparato de uma burocracia sindical ultraminoritária que tem uma política de frente única com a direita golpista. A defesa da prisão de Lula e “todos” é revelador de que lado da trincheira encontra-se  os ” combativos” da  CSP.

Não é por acaso, que o mantra da direita golpista, presente  constantemente nos noticiários da Globo e no filme pró- Lava Jato, “ A Lei é para todos”, embala a nota da CSP  “justiça deve ser feita para todos”.

Isso significa que Lula não é vítima de perseguição, mas pelo contrário quer “privilégios” como a “presunção de inocência “ e um “ devido processo legal”, com a condenação somente depois transitado e julgado e outras garantias “ desnecessárias” que impedem a prisão dos “ corruptos”. Bem, então é bastante compreensivo que os sindicalistas da CSP não vão participar das manifestações contra os golpistas e em defesa dos direitos democráticos, afinal a frente única desses setores com a direita é mais profunda do que podemos imaginar. É não somente uma conciliação de classe prática, mas também ideológica, ou seja a CSP esta se convertendo em central que se auto proclama “ combativa”, mas é ideologicamente reacionária, num fenômeno parecido com a conversão “ transformista” ( termo “ gramsciano” citado a náusea pelos marxianos ao analisar o PT) dos sindicalistas radicais combativos ao fascismo na Itália no inicio do século XX.

Certamente, que além dos sindicalistas “ esquerdistas” da CSP, outros setores digamos “ classistas” não irão participar das manifestações contra a condenação de Lula e atenderam o apelo contra a “ corrupção” da central golpista do PSTU  como  coxinhas de camisas amarelas,( os racistas, homofônicos, e machistas), o MBL, a Fiesp, os militares que estão ocupando o Rio de Janeiro, os que promoveram o atentado contra a caravana do ex-presidente, os executores de Marille Franco, o Juiz Moro e os membros do judiciário golpista, os representantes do imperialismo e a imprensa golpista.