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Venezuela's President Nicolas Maduro gives a speech during a rally in support of his government in Caracas, Venezuela April 6, 2019. REUTERS/Manaure Quintero      NO RESALES. NO ARCHIVES
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A Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, reunida nos dias 4 e 5 de maio, aprovou uma resolução sobre a crise política na Venezuela (spconlutas.org.br/2019/05/resolucao-aprovada-na-coordenacao-nacional-sobre-crise-politica-na-venezuela/).  O documento, intitulado Repudiamos a tentativa de golpe militar e repressão do regime na Venezuela! Nem maduro, nem Guaido/Trump, expressa não somente a confusão, mas indica a completa capitulação da esquerda pequeno burguesa “ democrática” ao imperialismo norte-americano, servindo como uma linha auxiliar para os golpistas na Venezuela.

À primeira vista, o leitor desavisado poderia pensar que a CSP tem uma política “independente” e mesmo combativa, na medida que a resolução aprovada pela Coordenação Nacional apresenta que “A CSP Conlutas repudia a tentativa de golpe militar pró-estadunidense”.

Entretanto, isso não significa que a CSP advoga em defesa do governo constitucional de Maduro, muito pelo contrário, a nota na verdade expressa uma política de frente única com o Trump, Bolsonaro e Guaidó para derrubar o governo Maduro. O texto é recheado de acusações contra o governo da Venezuela, chegando ao ponto de defender que seria preciso que “o povo mobilizado de forma independente que deve tirar Maduro e não um golpe militar patrocinado por Trump”, ou seja, a CSP defende derrubar o governo, no momento em que o imperialismo está objetivamente e concretamente orquestrando ações para derrubado do governo Maduro.

Apesar de um palavreado supostamente em “ defesa dos trabalhadores”, o texto defende no fundamental, como não poderia deixar de ser, a política pró-imperialista do dono da “ central”, o PSTU, ou seja, é supostamente contra “a tentativa de golpe militar pró-estadunidense”, mas quando o povo venezuelano e o governo derrotam a tentativa de golpe promovido pelo imperialismo, a CSP se coloca contra a resistência ao golpe, defendo inclusive a retirada do governo pelo “ povo”.

“Também repudiamos a repressão contra o povo e suas manifestações e Repudiamos a política repressiva do governo que gera fome ao povo.  Repudiamos a falta de liberdades democráticas do governo autoritário (ditatorial) de Nicolas Maduro.”

A pretensa política de “independência” ou “ neutralidade” da CSP diante do enfrentamento entre a direita golpista,  francamente comanda pelo imperialismo norte-americano e o governo Maduro, representante do povo venezuelano, é uma  dissimulação para mais uma vez fazer uma frente única com os  golpistas, isso já está virando uma rotina, basta lembrar a ocasião do golpe contra Dilma.

A linguagem do próprio texto da CSP é uma prova cabal do papel de quinta coluna que a “central” do PSTU cumpre. Assim, como o governo Bolsonaro e a imprensa venal imperialista, para a burocracia sindical da CSP, o governo bolivariano de Nicolas Maduro é um “ governo autoritário (ditatorial)” que merece o repúdio da “ central”.

Cabe uma questão, a CSP afirma que seria preciso “repudiar” a tentativa de golpe, entretanto, como fazer isso? Uma vez que a “tentativa de golpe militar pró-estadunidense” não poderia ser reprimida nem combatido pelas forças governamentais?

Depois assistir muito Jornal Nacional e as declarações do Itamaraty, os sindicalistas ligados ao PSTU afirmam que não se pode reprimir as “manifestações”.  Por detrás dessa confusão está uma política de apoio velado e encobrimento do golpe. Assim, a CSP apresenta mercenários contratados para derrubar o governo eleito pelo povo como sendo “manifestantes”. Essa política não é novidade, o PSTU usou essa mesma “caracterização” para apoiar as miragens criadas pelo imperialismo nas chamadas “revoluções coloridas” nos golpes de Estado no Egito e na Ucrânia. No Egito, os morenistas apoiaram as “manifestações” pela derrubada do governo da Irmandade Mulçumana, que levou a ditadura militar, e na Ucrânia, os morenistas apoiaram os “ manifestantes” nazistas para derrubar o governo eleito.

A justificativa para essa aberração política, expressa na estúpida política de “ nem um nem outro” e “ que todos são iguais”, é adesão dos morenistas (e seus sócios oportunistas da esquerda pequeno burguesa, como é a burocracia sindical do Andes) à concepção interessada do imperialismo de que a luta central no mundo é a luta abstrata pela “ democracia” contra “governo autoritário (ditatorial) ”.

A cruzada de Trump e os discursos de Bolsonaro em defesa da “democracia” contra o “ditador” Maduro desmascaram o caráter farsesco dessa política. O fato dos governos “democráticos”, que falam em eleições e representação democrática de maneira exaustiva, como os governos da União Europeia, simplesmente reconhecerem um ”presidente autoproclamado” pelo próprio imperialismo é mais uma evidência da hipocrisia do discurso democrático.

Dessa forma, é uma profunda contradição o fato de sindicalistas brasileiros que se auto intitulam “ revolucionários” e “combativos” adotarem uma política que repete as posições golpistas, reproduzindo  a acusação sistemática de que  Maduro é um  ditador, e que não se pode apoiar um governo nacionalista contra o imperialismo, advogando até mesmo a retirada do governo Maduro. Os sindicalistas “classistas” da CSP não são independentes nem nada do gênero, são tão somente e nada mais do que papagaios do imperialismo, adotando uma tradução esquerdista do discurso Bolsonarista contra a Venezuela. Interessante notar que a CSP não defende que “o povo mobilizado de forma independente que deve tirar … Bolsonaro”, essa posição dever ser pelo fato que os sindicalistas da CSP não consideram que Bolsonaro seja um “governo autoritário (ditatorial) ”.

A nota expressa que, ao contrário da visão corrente, não é só o moribundo PSTU que tem uma política golpista, mas todos os grupos que integram a CSP são tributários e cúmplices de uma política pró-imperialista. Apesar de toda tentativa de camuflar esse fato com expressões esquerdistas e retiradas dos termos explicitamente golpistas como o “ Fora Maduro”, os setores que se apresentam como de “ oposição” às insanidades do PSTU na CSP (como apoiar a prisão de Lula), em especial grupos que saíram do PSTU (Resistência, PSOL e MRT), na medida que integram uma organização sindical controlada pelo PSTU fazem o jogo do imperialismo na Venezuela.

A resolução da coordenação da CSP sobre a Venezuela revela a falência da esquerda pequeno burguesa brasileira, uma vez que o verniz de “neutralidade” é tão somente uma posição de direita. De que lado das trincheiras efetivamente estão os membros da CSP?  Não existe um “terceiro campo” abstrato, a política de Nem e Nem é tão somente uma forma disfarçada e sobretudo covarde de não lutar em defesa do povo venezuelano e efetivamente fazer frente com o imperialismo.

 

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