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Ditadura no futebol
Censura: presidente do Santos é punido por criticar o VAR
Por declarações consideradas “desrespeitosas” à arbitragem e ao VAR, o presidente do Santos corre o risco de receber pena de suspensão
josecarlosperesgazeta-press
Ditadura no futebol
Censura: presidente do Santos é punido por criticar o VAR
Por declarações consideradas “desrespeitosas” à arbitragem e ao VAR, o presidente do Santos corre o risco de receber pena de suspensão
José Carlos Peres, presidente do Santos (Foto: Guilherme Dionizio/Gazeta Press)
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José Carlos Peres, presidente do Santos (Foto: Guilherme Dionizio/Gazeta Press)

 

No futebol, quem se aventurar a criticar a arbitragem e, em particular, o VAR , corre o risco de levar como punição um período considerável de suspensão. O presidente atual do Santos, José Carlos Peres, é o mais novo alvo desse padrão persecutório.

Nesta quarta-feira (6), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) confirmou para a próxima sexta-feira (8) a sessão de julgamento do mandatário santista. O dirigente será colocado no banco dos réus da justiça desportiva por declarações consideradas desrespeitosas contra a arbitragem do Campeonato Brasileiro.

Em entrevista à Rádio Energia 97, em outubro, Peres afirmou que “Se depender do VAR, o Flamengo é campeão”. E esclareceu suas ideias: “Não falei que o Flamengo é culpado. Queria estar no lugar do Flamengo. É questão dos juízes… VAR veio para ajudar, mas é a mesma coisa de dar uma Porsche para quem não sabe dirigir. Vão falar que errada é a Porsche”.

Como se vê, o presidente do Santos foi bastante moderado em sua crítica. Mediu as palavras. Salvou o VAR, o “Porshe” na sua analogia, e restringiu sua crítica aos “motoristas”, aos árbitros e dirigentes de arbitragem.

O STJD, no entanto, enquadrou as declarações no art. 258, II, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, por desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou reclamar desrespeitosamente de suas decisões. Pelo “crime” de falar e exercer o direito elementar de expressão e crítica, Peres pode enfrentar uma pena de suspensão de 15 a 180 dias.

A peça acusatória deixa abertamente exposto o caráter ditatorial do regime que vigora no futebol, que não passa de uma manifestação particular do regime político geral do país. O promotor afirma que o dirigente “extrapolou os limites da indignação e desrespeitou a arbitragem. A atitude imprópria do denunciado ao realizar uma reclamação pela via inadequada, causa extremo abalo na estabilidade da competição”. Ou seja: uma simples e moderada crítica ao quadro de árbitros brasileiros é algo proibido porque pode causar um “extremo abalo na estabilidade” do campeonato.

Sabemos perfeitamente que as críticas, moderadas ou radicais, só podem causar um “extremo abalo na estabilidade” deste grande instrumento de manipulação e intervenção externa que é o VAR. A liberdade de expressão, de crítica, o direito de opinião são direitos democráticos fundamentais, importantíssmos para a luta política dos explorados, e sua defesa deve ser incondicional e irrestrita. Todo cartola, jogador ou torcedor deve ter assegurado o direito de falar o que quiser, independentemente do conteúdo. As instituições policiais e judiciais do Estado burguês devem se abster de interferir no que as pessoas pensam e falam. Para que isso ocorra, é preciso a luta e a mobilização da classe operária e das massas populares, bem como a ação consciente de suas organizações. Abaixo a ditadura no futebol!