Censura no carnaval do Rio: Crivela “diabo” é vetado

IMG_20190302_201853

No carnaval do Rio de Janeiro, como em todo o País, a polarização política está em alta.

De maneira muito original e autêntica, a escola do grupo de acesso “Acadêmicos do Sossego”, de Niterói, fez uma bela “homenagem” ao prefeito Marcelo Crivella (PRB).

Conhecido por sua ineficiência à frente da prefeitura da cidade e por frequentemente misturar os assuntos da igreja na qual é bispo com os assuntos públicos, Crivella tem sido um ferrenho inimigo da população do Rio, de suas manifestações artísticas, culturais e religiosas.

A “homenagem” foi uma escultura – pela qual a escola deve receber aplausos de pé – do bispo com a cara do diabo, ou vice versa, pouco importa.

Enquanto a população sofre com constantes alagamentos, com postos de saúde precários onde faltam pessoal e materiais, com escolas em péssimas condições, entre outros problema corriqueiros no cotidiano dos moradores da cidade maravilhosa, o prefeito do diabo preocupa-se com o diabo prefeito.

O carnaval é uma manifestação da cultura popular, que o povo brasileiro adora, e que reflete, entre outras coisas, as percepções do povo com relação a política local e nacional.

O carnaval brasileiro é conhecido no mundo inteiro por sua alegria e irreverência e, em especial, o carnaval do Rio de Janeiro, com suas escolas de samba que desfilam na Marquês de Sapucaí, são uma vitrine do Brasil para o mundo e por isso é de fundamental importância que a liberdade à livre manifestação seja respeitada.

Não foi assim que aconteceu nessa quinta (01), quando a escola Acadêmicos do Sossego foi proibida de apresentar a escultura do prefeito diabo.

Corajosamente, a escola não se absteve de denunciar a prática autoritária por parte do prefeito, e desfilou com uma faixa a frente da escola que dizia: “Respeitamos a religião do prefeito Marcelo Crivella e queremos respeito com o carnaval”.

Além disso, os membros do carro que substituiu a escultura do diabo prefeito, desfilaram usando mordaças em sinal de denúncia e protesto contra a censura sofrida.

É necessário denunciar exaustivamente todo tipo de censura e abuso por parte do poder público, por menor que seja, e ao mesmo tempo, perceber o nível de insatisfação da população com a direita e suas políticas de cerceamento das liberdades individuais e coletivas da população, composta pela classe trabalhadora.

A direita se utiliza da prática de ataques às manifestações populares, justamente por ser avessa a tudo que vem do povo, por ser efetivamente anti povo.