Perseguição contra a esquerda
Sergio Moro quer censurar organizadores de festival punk em Belém do Pará alegando atentado à honra de Bolsonaro
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Cartaz de divulgação do Facada Fest. Foto: divulgação |

No último dia 28 de fevereiro o festival de música punk de Belém (PA), Facada Fest, se tornou notícia quando o ministro da justiça Sergio Moro requisitou abertura de inquérito para investigar supostos crimes contra a honra de Jair Bolsonaro.

Foram interrogados, pela Polícia Federal, membros das bandas THC, Delinquentes e Filhux Ezkrotuz e os produtores do evento. No centro da investigação estão dois cartazes usados para divulgação do festival. Em um deles aparece a imagem do palhaço Bozo sendo empalado por um lápis gigante. Em outro aparecer a figura de Bolsonaro com um bigodinho de Hitler e cuecas com a bandeira norte americana vomitando fezes sobre uma floresta. As duas ilustrações foram criadas pelo artista Paulo Victor Magno.

No despacho de Moro ele afirma que os cartazes trazem elementos que atentam contra a honra de Bolsonaro, além de instigar violência contra sua figura. Sobre o cartaz com o Bozo empalado ele diz ser uma apologia ao suposto atentado sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora em 2018.

Como acertadamente apontou o artista Paulo Victor Magno, a investigação é “um ataque direto contra a liberdade de expressão”.

Segundo Jayme Neto, vocalista da banda Delinquentes e um dos organizadores do festival ficou claro que “foi um ato de censura. Aos nossos olhos pareceu bem explícito…foi uma intimidação, algo do tipo: ‘parem de fazer isso, vocês estão incomodando’. O que me preocupa é que isso possa servir de exemplo para outros eventos, outros festivais que queiram criticar o presidente”.

O Facada Fest é um festival que acontece em Belém desde 2017. A edição que trouxe todos esses problemas foi a terceira e ocorreu em junho de 2018.

Este acontecimento mostra que a direita sabe muito bem do poder que a cultura tem no esclarecimento da população e no combate ao fascismo e ao pensamento reacionário geral. Conhece muito bem o poder transformador da arte. Por isso vai usar de todos os meios de que dispõe para podar, censurar e proibir manifestações culturais. Tudo isso é parte da política de Bolsonaro de “liquidar com a esquerda”.

Facada Fest no Rio de Janeiro

O festival Facada Fest terá uma edição no Rio de Janeiro, que acontecerá agora no dia 14 de março, sábado. A edição carioca não tem ligação com o evento de Belém, mas utiliza o nome em solidariedade com os produtores do evento original e em protesto contra a investigação aberta por Sergio Moro.

No cartaz do festival carioca há uma ilustração do artista Gabriel Cunha que mostra, além de Bolsonaro com suástica, o governador do Rio, Wilson Witzel usando saia e o prefeito Crivella com uma Bíblia e um maço de notas no púlpito da igreja evangélica.

Inspirados pelo ocorrido, vários outros festivais Facada Fest já foram realizados por todo o país, em cidades como Campinas, Curitiba, São Luís e Marabá.

Vale lembrar que Bolsonaro já havia sido satirizado em um cartaz de divulgação da turnê do grupo americano Dead Kennedys em 2019 e mais recentemente num cartaz do grupo punk russo Pussy Riot.

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