Censura e perseguição política: Record afasta Paulo Henrique Amorim por críticas a Bolsonaro

Seminário Desafio do Crescimento.

“Olá, tudo bem?”

Esse bordão famoso aí de cima não será mais ouvido aos domingos à noite na Rede Record de Televisão, onde batia ponto há 14 anos ininterruptos no programa “Domingo Espetacular”: o jornalista Paulo Henrique Amorim “tirado do ar”, ao que tudo indica, por ordens de Brasília.

A emissora do bispo tem com ele contrato até 2021 e, dizem, não vão demiti-lo, apenas mantê-lo “na geladeira”, no jargão da profissão. Já faz tempo que a cabeça do jornalista tem sido pedida à Record, pelos menos desde 2014, quando a polarização política entre esquerda e tontos de direita (o que é um pleonasmo) se tornou mais acirrada. As críticas dele à direita, tanto na TV, quanto no seu blog “Conversa Afiada” ou no seu livro “O Quarto Poder” (no qual detona os ex-patrões da Globo e a ditadura militar) são contundentes.

Dessa vez a Record arregou. Foi uma espécie de dízimo para se manter no favoritismo da destinação das verbas publicitárias das estatais e se livrar do incômodo que certamente gerava no rebanho evangélico. Segundo a emissora, PHA vai fazer parte de projetos internos, claro, desde que o rosto e a voz dele não apareçam mais.

Circulou um boato que a ordem teria partido do general Augusto Heleno, aquele que dá murros na mesa desde os tempos em comandou a chacina de 66 pessoas em uma favela no Haiti e quer a prisão perpétua para Lula. A assessoria do general que também é ministro do Gabinete de Segurança Institucional, nega, diz que não passa de fake news.

Mas, um passarinho nos contou que a gota d’água (ou oportunidade) surgiu quando Bolsonaro apareceu em um vídeo usando a camisa do Flamengo. Paulo Henrique questionou, afinal, se o presidente ilegítimo torcia para o Palmeiras ou para o Flamengo e cantarolou: “uma vez Flamengo, Flamengo até morrer…breve”. Isso foi interpretado como uma profecia ou desejo de que Bolsonaro morra logo por todos que odeiam o PHA e a gritaria foi grande.

Os bolsonaristas estão comemorando o afastamento dele da tela agora.

Jornalistas “a favor” mantém seus empregos em ditaduras. Mas não são só jornalistas abertamente de esquerda, como Paulo Henrique Amorim (moderado), que são perseguidos, em um claro atentado à liberdade de expressão. O fascismo ataca qualquer um que discorde.

Marco Antonio Villa, que nem dá para se dizer que seja jornalista e muito menos de esquerda, já dançou na Rádio Jovem Pan. Agora, o “véio da Havan” anda pedindo a demissão da fascista Raquel Sherazade, do SBT, onde é patrocinador, para o Senor Abravanel (vulgo, Sílvio Santos), afirmando que ela é comunista … o que é ofensivo para todos os comunistas.

A serpente, cujo ovo foi chocado com a ajuda do Villa e da Sherazade, agora deita e rola. Logo, logo, pega a Globo, que embalou o ninho e é praticamente da família.

Antes que seja muito mais tarde, é preciso pôr fim a mais esta ditadura, enquanto ela ainda matou mais reputações e projetos do que vidas. O antídoto chama-se povo nas ruas se fazendo ver e ouvir.