Ditadura, fascismo
Não bastassem os ataques cibernéticos aos portais da esquerda, o Judiciário se alinha à extrema direita usando seu poder para censurar o portal GGN de Luis Nassif.
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Luis Nassif, do sítio GGN, que sofreu a censura imposta pela Justiça | Foto: reprodução

No último dia 14 de julho de 2020 o sítio do GGN – O Jornal de Todos Os Brasis, que tem o jornalista Luis Nassif à frente, publicou uma matéria investigativa e de denúncia, “A Estranha Venda de Créditos Podres do Banco do Brasil ao BTG Pactual”, assinada pelo jornalista Patricia Faermann, onde se apresentava o caso da venda de carteiras de crédito pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 2,9 bilhões, na maior parte de perdas, a um fundo administrado pelo banco BTG Pactual, fundado nos anos 1980 pelo atual ministro do governo Bolsonaro, Paulo Guedes.

Segundo a matéria a operação chamou a atenção por ter sido a primeira cessão de carteira do Banco do Brasil a um banco privado, uma entidade fora do Conglomerado do Banco do Brasil e pela falta de transparência sobre os possíveis lucros ou ainda como o BTG teria a capacidade de recuperar as perdas desse suposto crédito podre.

O problema reside justamente nos detalhes sobre o tal crédito podre que não é detalhado pela direção do Banco do Brasil, sendo mencionado apenas como “majoritariamente em perdas”. Este assunto rendeu uma série de 11 reportagens que foram retiradas do sítio no último final de semana.

 

Processo contra o GGN

 

Esta série de reportagens do GGN lhe renderam um processo judicial onde a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o GGN retire do sítio as reportagens sobre o assunto sob a alegação de que a imprensa não pode “causar danos à imagem de quem quer que seja”, destacando ainda que o “sítio transbordou os limites da liberdade de expressão” e que as notícias poderiam causar prejuízo financeiro aos acionistas do banco. A não remoção das reportagens do sítio causaria uma multa de R$ 10 mil por dia.

Esta decisão judicial expõe claramente a situação em que vivemos hoje. A liberdade de expressão, segundo a Justiça, tem limites, se você as ultrapassar então será censurado, é a sua conclusão. E os limites, já constatamos, são determinados por esta mesma Justiça que pune com sua mão de ferro os seus “transgressores”.

Lembremos aqui que a Constituição de 1988 garante a total liberdade de expressão, um direito fundamental, que deveria assegurar uma vida livre e igualitária a todos os cidadãos. No inciso IX do artigo 5º está escrito o seguinte: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Esta decisão judicial demonstra que a Constituição de 1988 não tem mais valor algum. Dependendo de quem será julgado uma lei pode ou não ser aplicada.

Paulo Guedes, o presidente ilegítimo Bolsonaro e o governo federal estão usando todos os instrumentos do Estado para fazer um ataque completo ao povo e no caso do GGN e de Nassif, do poder judiciário. Em tempos de “democracia institucional” o papel repressor do judiciário se esconde, assume uma aparência de neutralidade, mas em tempos de esmagamento da população pelo fascismo mostra a sua verdadeira face, escarando o seu verdadeiro papel, que é o de servir aos interesses da burguesia e do imperialismo.

 

Ataque dirigido às esquerdas

 

Nesse mesmo contexto se encaixam os ataques cibernéticos sofridos pelo Diário Causa Operária, pela Ponte Jornalismo, pelo jornal Nova Democracia e pelo portal do Sintect-SP (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo).

O ataque ao portal do sindicato dos trabalhadores dos correios ocorreu bem em meio à greve da categoria, onde o servidor do sítio foi sobrecarregado por um excesso de solicitações, resultando na queda do portal. Este foi um ataque bem semelhante ao ocorrido com o sítio do Diário Causa Operária no dia 24 de agosto quando um computador dirigiu mais de 150 mil solicitações ao servidor do jornal e também conseguiu derrubar o portal por algumas horas.

Fica evidente que não são coisas distintas, o ataque judicial ao GGN e os ataques hackers aos portais da esquerda. Estamos na véspera das eleições municipais de 2020, onde será feita uma massiva campanha de propaganda pela imprensa tradicional em favor de partidos da direita e dos candidatos do governo golpista de Bolsonaro.

 

Eleições de 2020

 

A direita aproveitará as eleições de 2020 para impor uma esmagadora vitória sobre a esquerda. Para isso se utilizará de todos os instrumentos de Estado de que dispõe (judiciário, legislativo, polícia) para conseguir seu intento e transmitir a ideia de que o povo escolheu a direita, algo evidentemente absurdo.

As eleições de 2020 prometem ser uma das mais fraudadas da história. A começar pelo extremamente curto prazo de apenas 45 dias de campanha, insuficiente para uma pessoa tomar conhecimento dos fatos até a proibição das lives com participação de artistas, um dos únicos recursos que haviam restado à esquerda para fazer a população conhecer suas ideias. Aliado a toda a manipulação que envolve o uso das urnas eletrônicas temos aí um quadro que mostra que as eleições só servirão para fortalecer a direita e a extrema direita.

Tem sido louvável a manifestação de centenas de pessoas em solidariedade aos ataques aos órgãos de imprensa da esquerda. Temos que fortalecer essa campanha para que possamos ter condições de enfrentar o fascismo, uma imposição do governo federal, da burguesia e do imperialismo, fruto da crise histórica do capitalismo que não vê outra saída a não ser o total esmagamento da população e o roubo de todas as suas riquezas.

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