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Renan Rosa Arruda

Renan Rosa Arruda

Rendição ao governo

CEB, um exemplo de como não se lutar contra a privatização

A privatização da CEB é resultado de uma política que em nenhum momento buscou mobilizar os trabalhadores

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Ibaneis no leilão da CEB – Imagem Youtube

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Era manhã da sexta-feira (4) e quase simultaneamente dois acontecimentos, em tese antagônicos, convergiram para selar a privatização da Companhia de Energia de Brasília (CEB).

Em São Paulo, Ibaneis Rocha, o neoliberal e golpista governador do DF, que jurava de pés juntos que não privatizaria nenhuma empresa do DF – na campanha eleitoral, é lógico –  com o seu  secretário de Economia e o presidente da CEB, acompanhavam na Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa, a “disputa” de cartas marcadas entre as três companhias que se credenciaram para o leilão – a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola (vencedora do leilão), a CPFL da chinesa State Grid e a figurante CEEE – D. O resultado, já anunciado de muito, foi o arremate da empresa por R$ 2,515 bilhões, com ágio de 76,63% em relação ao valor inicial de R$ 1,4 bilhão, com um detalhe, o faturamento anual da empresa supera os R$ 4 bilhões.

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Longe dali, a mais de mil quilômetros, uma fúnebre assembleia chamada de última hora pela direção do Sindicato dos Urbanitários de Brasília -STIU DF, em frente a sede da empresa, a direção do sindicato atendendo apelo do Ministério Público e do presidente do TRT – DF, “suspendeu” a greve da categoria iniciada na terça-feira, dia 2, em nome de novas negociações sobre as reivindicações da categoria que está em campanha salarial. Detalhe, a principal bandeira da mobilização era justamente a luta contra a privatização.

Não vou me deter no fato de que pelo menos há um ano e meio Ibaneis já havia anunciado a privatização da empresa. Ao longo desse período teve muita conversa – ora com o governo, ora com o judiciário, ora com os parlamentares – isso, sem contar as horas de discursos jogados ao vento, seja por parlamentares, seja por sindicalistas, todos em nome de que a CEB não seria privatizada.

Durante todo este período, os maiores interessados, os trabalhadores, foram levados a assistir passivamente o desenrolar das “negociações”, pois apenas às vésperas do leilão é que foi chamada a greve e mesmo assim com a ilusão, por parte das direções, de que o legislativo, o judiciário ou sabe-se lá que forças ocultas impediriam a venda da empresa. Ou seja, nem pensar uma política decidida, radical, diante de um fato prestes a acontecer, que só poderia se dar com a ocupação da empresa. 

O desenrolar dos acontecimentos me fizeram lembrar as privatizações na época do governo FHC. O cenário era o mesmo. Muita negociação, muito discurso, mas nada de mobilizar os trabalhadores, além da fé cega nas liminares, que barrariam os leilões. No final apenas desilusão e muita repressão com espancamentos e muita bala de borracha atiradas contra os manifestantes, que acreditavam barrar os leilões nos dias das suas realizações.

Agora aconteceu algo muito semelhante. Nas redes sociais foram aplausos e declarações de vitória pela liminar expedida às vésperas da realização do leilão na Bovespa – “vitória dos trabalhadores”, “vitória da luta”, muito embora a euforia tenha sido de muita pouca duração, sendo logo substituída pelo velho chavão: “a luta continua”. Para não dizer que a cena parecia uma repetição dos anos 90, desta vez sequer teve manifestação no dia do leilão. O ato de protesto que estava marcado para ser realizado na frente do ministério das Minas e Energia foi substituído pela assembleia realizada na porta da empresa. Uma outra diferença. A liminar que impedia o leilão sequer foi considerada. Antes ainda tinha uma arremedo, por vezes os leilões foram adiados por dias e dias. Agora nem isso.

Ao que tudo indica, a privatização da CEB parece ser fato consumado. O problema que se coloca agora é a luta pela sua reversão, pelo seu cancelamento. Isso só pode se dar com uma nova política. Uma política de enfrentamento, de mobilização dos trabalhadores, sem crença no judiciário, no parlamento, mas na própria força dos trabalhadores organizados. A política dos governos Bolsonaro e Ibaneis é entregar tudo que restou de empresa estatal. É nesse bojo que deve ser visto a luta dos trabalhadores da CEB, a começar contra as demissões, que virão, com certeza. Além disso, é necessária uma verdadeira unidade dos trabalhadores do setor elétrico, tanto das empresas ainda do governo como das privatizadas. 

Uma questão essencial diz respeito a como mobilizar os trabalhadores, para isso, uma questão fundamental é ter um plano de mobilização e uma pauta verdadeiramente de luta. Organizar os trabalhadores por locais de trabalho; constituição de comitês de luta;  realização de plenárias, congressos, locais, regionais e nacionais, que vá além da categoria dos eletricitários e se funda com um grande movimento nacional contra as demissões, contra as privatizações, pela reestatização das empresas privatizadas, pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas e por Lula candidato, Lula presidente. 

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