CBF mostra falência no futebol
Em documento de 2018, dados mostram que os capitalistas e dirigentes ligados ao esporte jogam no fundo do fosso econômico o esporte mais popular do país
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Brasilia DF 19 07 2019 O presidente Jair Bolsonaro, participa da solenidade comemorativa do Dia Nacional do Futebol, no Ministério da Cidadania. foto Antonio Cruz/Ag. Brasil
CBF e Bolsonaro aliados na destruição do futebol brasileiro | Arquivo DCO

Em documento organizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) com dados relativos a 2018, a Confederação expõe números da realidade do Futebol brasileiro, em tempos de pré – pandemia. Através dos principais dados apresentados é possível desnudar a verdadeira falência do futebol brasileiro em meio ao golpe de Estado.

O estudo aborda profundamente vários aspectos econômicos do esporte. Para realizar tal estudo a CBF procurou apresentar um raio x do esporte mapeando 250 campeonatos, mais de 7 mil clubes de futebol registrados entre amadores e profissionais, bem como chegou ao número de 360 mil atletas em atividade.

Os dados apresentados mostram que o futebol brasileiro faz parte de um importante setor econômico interferindo de maneira direta em 0,72% do Produto Interno Bruto anualmente, com uma movimentação de global de 48,8 bilhões de reais no ano, sendo a CBF, federações estaduais e clubes responsáveis por 11 bilhões deste montante. O meio futebolístico emprega mais de 156 mil trabalhadores.

O futebol brasileiro abrange uma enorme gama de interesses capitalistas que vão das vendas e empréstimos de atletas, passando por materiais esportivos, patrocinadores, grupos da imprensa em geral (escrita, televisiva, radiofônica, internet, entre outros), fornecedores de insumos ao esporte como setor logístico, alimentação, bebidas, hotelaria, até empresas de jogos eletrônicos (gamming). Os milhões de torcedores de clubes de futebol são os responsáveis por gerar fatia expressiva do PIB anualmente, para fins de comparação há três meses foi divulgado que mundialmente a educação é responsável por média de 1,5% do PIB mundial, em razão disso há toda uma pressão da burguesia pela reabertura das escolas em mio a pandemia, o mesmo ocorre com o futebol, onde o esporte profissional foi retomado em meio a escalada da contaminação e já conta com centenas de atletas, funcionários e familiares dos mesmos contaminados.

No campo esportivo, propriamente dito o Brasil concentra 7 mil clubes de futebol registrados entre profissionais e amadores, sendo 874 clubes profissionais ativos, com 798 estádios de futebol espalhados pelo país que realizam mais de 250 competições anuais, com cerca de 19 mil partidas realizadas.

Mostrando a enorme tradição deste que é o esporte mais popular do país, temos 128 clubes centenários no país, destes 114 estão na ativa, sendo 13 na série A, 10 na série B, 8 na série C, 11 na série D e 72 clubes sem série nacional.

O material humano para isto consta de 360 mil atletas registrados na CBF entre profissionais e amadores, sendo que 88 mil são atletas profissionais registrados, no entanto, apenas 11 mil com contratos profissionais ativos, o que demonstra o grande funil entre o sonho e a realidade de milhares de jovens em se tornarem atletas profissionais, ao mesmo tempo o brutal desemprego na área, onde apenas 10% de todos os atletas profissionais estão empregados.

O novo documento da Confederação Brasileira de Futebol com dados de 2018, procura mostrar ares de evolução do futebol nacional, mas basta um olhar atento que logo é possível verificar que a realidade é a oposta, o futebol brasileiro está decadência.

Em documento de 2010 da Escola Brasileira de Futebol, braço de formação técnica da CBF, tínhamos na ocasião 29.208 jogadores profissionais, destes 15% estavam desempregados, ou seja, cerca de 4.500 atletas, enquanto cerca de 25 mil estariam na ativa. Comparado com o atual documento da CBF há disparidade nas informações, no entanto é claro que o desemprego, a falta de oportunidades no futebol aumentou. Passando de 25 mil atletas empregados para apenas 11 mil.

Destes 11.683 atletas profissionais com contratos ativos no futebol brasileiro, 11.551 são atletas do gênero masculino e apenas 132 contratos de atletas do gênero feminino. O documento da CBF não apresenta dados sobre atletas transgêneros e outros.

Dentre os atletas empregados temos a atual pirâmide salarial disposta da seguinte maneira:

55% dos atletas profissionais receberam salários equivalentes a um salário mínimo, cerca de mil reais; 33% receberam entre R$1.001,00 e R$ 5.000,00, 5% receberam entre R$5.001,00 e R$ 10.000,00, enquanto apenas 13 atletas receberam remuneração acima de R$ de 500.000,00 mensais. No caso dos salários dos clubes das principais séries dos campeonatos nacionais e estaduais, os atletas tem seus salários compostos com base na CLT (Consolidação das leis do Trabalho) e adicionais de direito de imagem, que muitas vezes chegam a 40% do valor de seus contracheques.

Os dados acima desmentem a confusão e a ilusão de que atletas de futebol são todos milionários, nada mais longe da realidade. A enorme maioria dos atletas são operários da bola, poucos empregados e recebendo valores miseráveis, a maioria deles desempregados. Um percentual de 9% que integram a classe média dos atletas e apenas 3% destes podem ser considerados ricos, sendo que apenas 13 são milionários. Outro dado importante de ser levado em consideração é de que a carreira de jogador de futebol é extremamente curta, indo em média dos 18 aos 35 anos, sem que os atletas estejam na condição de aposentados e após a vida ativa e profissional, os ganhos salariais vão a zero, se extinguem. Jogando milhares na mais profunda miséria.

Mais dados alarmantes da condição econômica e falimentar no futebol brasileiro: 37% dos atletas profissionais jovens entre 17 e 20 anos não possuem contratos ativos com clubes, 24 mil atletas estão com mais de 40 anos, destes apenas 905 com contratos ativos. O maior mercado empregatício se concentra na região sudeste com 64% do montante salarial dos atletas do país.

Em 2018, a taxa de ocupação dos estádios brasileiros foi de 48, 5%, com cerca de 7 milhões de torcedores presentes e com um ingresso de valor médio de R$ 23,00. Tais dados escondem uma brutal distorção, no chamado país do futebol composto por mais de 211 milhões de habitantes, apenas 3% adentraram os estádios, nas 19 mil partidas realizadas, o que mostra a falência impetrada pelos dirigentes esportivos em especial os ligados as federações e à CBF.

A grande maioria da classe trabalhadora do país está alijada dos espetáculos esportivos das principais competições estaduais e nacionais.

Como colocado os dados acima se referem a 2018, se o quadro já colocava toda a falência econômica do esporte, o que dirá em 2020, onde centenas de clubes foram fechados neste ano, milhares de atletas ficaram sem salários e sem nenhuma ajuda, inclusive do governo fraudulento de Jair Bolsonaro, durante a pandemia.

A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol reuniu jogadores em um vídeo de apelo há quatro meses atrás, pela extensão do benefício emergencial aos atletas de futebol. “Para mim, esse auxílio não é privilégio, é sobrevivência”, diz o goleiro Alex Dida, mandado embora depois de sua equipe, o Atlético-AC desmanchar seu elenco por não ter condições de pagar salários durante a parada do Campeonato Acreano.

“Somos contra privilégios, mas entendemos que o atleta deve ter direito ao auxílio emergencial”, afirma Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato de Atletas de São Paulo, que trabalha junto ao Congresso pela derrubada do veto presidencial. “O jogador é o único trabalhador que contribui para a Previdência em troca de nenhum benefício. Não consegue se aposentar, porque a carreira no futebol é curta, nem recebe seguro-desemprego ao término dos contratos.” A entidade colheu mais de 25.000 assinaturas contra o veto, incluindo atletas de várias modalidades, em manifesto que será enviado a deputados e senadores.

Apesar da mobilização o presidente fascista Jair Bolsonaro sancionou no último dia 14 de outubro, sete meses após o início da pandemia o projeto de lei 2.824/2020, que ficou conhecido como PL de Socorro ao Esporte, mas que não socorrerá em nada os milhares de atletas de futebol do país, pois o golpista inimigo do futebol brasileiro, vetou a ideia original do projeto, do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), que era oferecer a atletas e a outros profissionais do esporte a oportunidade de receberem o auxílio emergencial. Além dos profissionais ligados ao esporte, mais de 50 categorias de trabalhadores informais de baixa renda ficarão sem o benefício.

Tal situação expõe claramente como o governo fascista de Jair Bolsonaro é um inimigo do futebol, amigo apenas dos dirigentes, da CBF e dos capitalistas do Esporte, amigo apenas dos patrões da bola. E quando aparecia em estádios de futebol ou usava publicamente camisas de clubes de futebol era meramente para se passar por popular entre a população brasileira, Bolsonaro nunca gostou de futebol e agora condena a miséria os artistas da bola no país.

 

 

 

 

 

 

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