Causa Operária TV: a conferência tem o papel de impulsionar a luta contra o golpe

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Entenda a importância de uma luta centralizada e séria pela libertação de Lula e a derrota do Golpe. Veja em Momentos da Análise Política da Semana do dia 30 de junho de 2018, por Rui Costa Pimenta, que acontece ao vivo todos os sábados, às 11h30, na COTV:

“Queria fazer uma explicação sobre a questão dos comitês de luta contra o golpe. Nós já destacamos em várias oportunidades, queria retomar aqui e ver se a gente consegue aprofundar um pouco essa ideia. Primeiramente, a formação dos comitês de luta contra o golpe se desenvolveu como um processo relativamente espontâneo de setores que trataram de se organizaram de lutar contra o golpe por fora das estruturas políticas tradicionais, principalmente do PT e dos sindicatos. Por que isso aconteceu? Porque essas estruturas estão paralisadas e não tiveram iniciativa real na luta contra o golpe e se confundiram em diversas oportunidades.

Primeiro, o aparelho político do PT e da CUT, nem falando do PCdoB e de outros partidos – que abandonaram a Dilma depois do impeachment – dizendo que não era muito sábio defender a volta da pessoa que foi eleita. Na realidade, capitulando diante do golpe do Estado, pois se você não irá defender a volta da pessoa que foi eleita, simplesmente não há lógica no mundo para mostrar que você está contra do golpe do Estado, se colocando, na realidade, a favor da continuidade do golpe de Estado. Esses setores lançaram uma campanha totalmente desorientada por “diretas já!” na véspera de eleições presidenciais. Se ainda fosse uma campanha para garantir as eleições que estão ameaçadas até agora, ainda faria um pouco de sentido. Lançar uma campanha por “diretas já!” em oposição às eleições que já estavam começando a acontecer era uma coisa totalmente distracionista e levou a coisa para um nível de confusão muito alto. Não conseguiram, os principais aparelhos políticos, organizar uma campanha contra a prisão do Lula e agora não conseguem organizar uma campanha séria pela liberdade dele e estamos vendo o motivo pelo qual essas coisas acontecem: há uma divisão política muito profunda e há todo um setor que procura se acomodar com o golpe de Estado. Todo o setor do PT que se coloca contra o golpe de Estado alimenta ilusões nas possibilidades de que as instituições passem a funcionar democraticamente, coisas que, na realidade, nunca fizeram e revertam o golpe de Estado, que também é uma fonte de paralisia. A própria prisão do Lula é o resultado de uma crença de que o STF iria libertar o Lula, de que pelos meios legais ele iria ser libertado.

Por todos esses fatores surgiram, no Brasil, centenas de comitês de luta, quer dizer, as pessoas querem lutar contra o Golpe, querem lutar contra os golpistas, querem lutar pela liberdade do Lula, querem lutar pela própria candidatura do Lula e não encontram outra maneira de se organizarem a não ser por comitês independentes de base. Esses comitês, logicamente, são mais desenvolvidos em alguns lugares e menos desenvolvidos em outros lugares, mas eles cumprem um papel fundamental. Nós podemos até dizer que, de modo geral, são os comitês, ou as pessoas que participam dos comitês os que levaram adiante as mobilizações que houve até o momento contra o golpe. Mobilizações como na época do impeachment, os atos em Curitiba e em Porto Alegre, o acampamento em Curitiba e outras coisas, daí a importância dos comitês.

Quando nós falamos que é preciso fortalecer e formar comitês por todos os lados, nós não estamos inventando um plano tirado de nossa cabeça, nós estamos simplesmente impulsionando aquilo que a realidade já mostrou, que é o caminho natural do desenvolvimento das coisas. É isso que nós estamos fazendo. Então, a política de fortalecimento dos comitês, é uma política que se mostrou absolutamente acertada e que precisa ser levado adiante com toda a energia. Em segundo lugar, o grande problema dos comitês até agora, é o fato de que eles acabam subordinados, apesar das atividades realizadas, da disposição de luta e tudo o mais, eles, por não terem uma organização própria, acabam subordinados à paralisia dos aparelhos políticos principais. Como os aparelhos não fazem nada, não lançam campanhas e nem organizam campanhas de fato, o PT propôs a campanha para libertação do Lula, mas essa campanha não sai do papel. O PT tem grande dificuldade de levar adiante essa campanha pela divisão interna do partido. Nessas condições, a questão chave da política nesse momento é criar um instrumento de unificação desses comitês, de organização desses comitês que permita tornar esses comitês de pessoas que estão fazendo a campanha em diversos pontos do país isoladamente, num certo sentido, numa ferramenta, numa alavanca poderosa para suscitar, para criar, para impulsionar o movimento de massas no país. Por isso, nós convocamos para os dias 21 e 22 de julho, a Conferência Nacional Aberta dos Comitês na expectativa que todos os elementos que têm disposição de luta, que compreendem a importância de luta contra o golpe, compareçam e deem sua opinião e tudo mais.

Nós estamos publicando, a partir de segunda-feira, uma proposta de tese política que iremos distribuir amplamente. Nós gostaríamos que os companheiros que têm ideias, que tem propostas se posicionassem, que, inclusive, mandassem contribuições para a conferência, toda contribuição será aceita pela conferência. A ideia é que a conferência seja muito democrática, que permita participação a mais ampla possível de todas as opiniões que participam desse movimento e, portanto, estamos estimulando os companheiros a enviarem essas contribuições. Eu acho que o momento é de concentrar nessa mobilização e fazer com que essa conferência possa unificar os comitês e possa fazer com que os comitês seja um instrumento efetivo de mobilização popular.

Quer dizer, essa mobilização que estamos propondo e os comitês não estão em oposição total às organizações tradicionais como os sindicatos e tudo o mais. Logicamente, há alguma medida de oposição, porque, senão, os comitês não seriam necessários e não apareceriam como uma solução, mas a ideia é que os comitês sirvam como instrumento, inclusive, como mobilização dessas organizações de massa que estão nesse momento se mostrando incapazes de mobilizarem-se, de mobilizar os trabalhadores em torno das reivindicações fundamentais. Essa é a questão mais importante do momento, a crise é muito grande e é necessário intervir na crise. É necessário mobilizar os trabalhadores, mobilizar os setores populares, mobilizar os setores democráticos, para ter uma posição própria e independente na crise. Não deixar o problema da libertação do Lula nas mãos da engrenagem jurídica exclusivamente. Lógico que tem que haver um processo e tudo o mais, mas a luta principal tem que ser nas ruas, tem que ser através da mobilização e esse é o objetivo dos comitês: defender a candidatura do Lula, que significa se opor a toda estrutura golpista que foi montada. Esses dois aspectos centrais serão um tema fundamental na conferência juntamente com outras questões, outras reivindicações, o problema das reformas e tudo o mais. Nós temos que ter muita consciência da importância do que tem sido feito e das possibilidades que essa atividade apresenta. Quer dizer, é preciso desenvolver uma grande mobilização. É possível unificar um setor combativo, ativo diante do golpe. A situação já evoluiu bastante nesse sentido. Há uma evolução significativa dos setores que lutam contra o golpe, que foram aprendendo através da luta contra o golpe a entender o papel real das instituições políticas do regime, de determinadas políticas ilusórias que levam os trabalhadores para um beco sem saída, que levam os setores democráticos para um beco sem saída. Então, isso criou as condições para que todo o movimento contra o golpe dê um salto adiante. Nossa expectativa é que a Conferência Nacional Aberta possa efetivamente ser capaz de proporcional esse salto para frente, esse salto adiante da organização e da mobilização. Nós vamos tirar também uma proposta de organização dos comitês para aprofundar. O PCO juntamente com vários comitês tomou a iniciativa de soltar o jornal “A luta contra o golpe” que está tendo uma divulgação muito grande e também existe uma tendência grande a participação na conferência. Nós temos, companheiros, de se organizar e se mobilizar intensamente em torno dessas questões, com a expectativa de que se crie uma ferramenta efetiva de luta, que nós não fiquemos assistindo aos acontecimentos de uma maneira impotente, vendo o Lula ser preso sem poder fazer nada, vendo o acampamento de Curitiba sendo atacado sem poder fazer nada, mas que os comitês se transformem em atores fundamentais das coisas que estão acontecendo, que seja uma ferramenta poderosa de mobilização”.

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