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Sem direito de ficar em casa

Categorias “essenciais” são as com mais mortes na pandemia

Patrões e seus governos estão levando os trabalhadores para o matadouro

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Mobilização dos trabalhadores – Reprodução

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Sem ter como se isolar, ao contrário dos que ficaram em home office na pandemia, desde o seu início, em março de 2020, os operários que trabalham em serviços essenciais são os que mais foram atingidos pelo coronavírus no país. Isso apesar de os patrões, o governo federal, estaduais e municipais, como Bolsonaro e do governador de São Paulo, João Doria, o “científico”, falaram que era uma “gripezinha” ou demagogicamente pedirem para “ficar em casa”.

Segundo levantamento realizado pelo jornal mineiro O Tempo a partir de dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, profissões como essas apresentaram alguns dos maiores excessos de mortes durante a pandemia, comparando o período de um ano, desde o início da pandemia que se deu a partir da segunda quinzena de março de 2020.

“De acordo com o levantamento, os desligamentos trabalhistas por motivo de óbito aumentaram 86% entre os motoristas de veículos utilitários e 71% entre os caminhoneiros, por exemplo. Condutores de ônibus urbanos ou rodoviários também morreram mais: 48% e 43%, respectivamente. Ainda nos empregos ligados à mobilidade, os falecimentos foram bem além do previsto entre os manobristas, fiscais de transportes coletivos, frentistas e motoboys”, reporta o diário.

Um outro levantamento, feito pelo Jornal Nacional – órgão televiso principal da burguesia – não consegue esconder que a maior parte dos “desligamentos” por morte ocorreu com os trabalhadores de serviços essenciais. Esse é o caso principalmente de motoristas e cobradores de ônibus, além de vigias, porteiros e zeladores, vigilantes e motoristas de carros, caminhões e vans.

Há uma observação importante a ser feita diante desse tema, qual seja vários setores foram deliberadamente excluídos como essenciais, um dos principais, inclusive o da alimentação. O setor da alimentação tem como um dos mais afetados os trabalhadores em frigoríficos. Os governantes e patrões tentam de todas as formas esconder a sujeira por debaixo do tapete, a grande imprensa também faz sua parte. Até agora fingem que nada está ocorrendo nesse setor. As notícias sobre casos e mortes, que explodiram na metade do ano passado em todos os frigoríficos do País, simplesmente sumiram dos jornais.

No setor de comércio e compras, houve aumentos de 28% a 67% nas mortes entre operadores de caixa, embaladores, fiscais e gerentes de lojas e supermercados, para citar alguns. E, nos serviços, foram identificados mais óbitos de porteiros, vigilantes, recepcionistas de consultórios, balconistas de farmácias, cuidadores de idosos, agentes funerários e sepultadores, entre outros, com saltos de entre 34% e 87% nas categorias mencionadas.

Em São Paulo, cidade onde há a maior frota de ônibus do país, em apenas uma única empresa, a Via Sudeste, os trabalhadores por várias vezes denunciaram o tamanho do descaso tanto do prefeito Bruno Covas, quanto dos donos da Via Sudeste. Lá já ocorreram mais de 100 mortes, entre motoristas, cobradores e demais funcionários, sendo os motoristas e cobradores em maior número. No entanto, nenhuma providência foi tomada diante dessa situação catastrófica.

Os dados do Novo Caged são limitados aos trabalhadores do mercado formal, com carteira assinada em regime CLT, e não detalham a causa das mortes.

Falseamento dos dados

O governo, para esconder a hecatombe existente no país e, consequentemente a real situação do quadro de mortos e contaminados, implementou uma nova fórmula para quantificar os números. Conforme divulgado na reportagem do Jornal Nacional, da venal Globo, com a metodologia de coleta de dados atual é possível apenas presumir que os aumentos destoando do histórico recente estejam direta ou indiretamente ligados à pandemia, numa adaptação dos cálculos do “excesso de mortalidade”, proposta inicialmente pela Lagom Data. Esse acompanhamento dos indicadores de óbitos é uma estratégia utilizada pelos epidemiologistas e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar os efeitos da Covid-19. Ou seja, a farsa do governo e seus órgãos de pesquisa é totalmente mascarada, em atitude criminosa, para proteger seus pares, como os grandes empresários manipulam as informações, na tentativa de ludibriar o conjunto da população.

O home office e os trabalhadores presenciais

Conforme os dados levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) ligado ao ministério da economia, da tchutchuca dos banqueiros Paulo Guedes, 76% dos que fazem home office completaram o ensino superior e 84% têm contrato ou carteira assinada. Vivemos em um país onde historicamente uma minoria ínfima da população fez faculdade e uma outra minoria cada vez mais enxuta tem algum direito trabalhista. A esmagadora maioria dos trabalhadores tem baixa escolaridade e a CLT é algo do passado. Ou seja, uma minoria privilegiada, com melhores salários, consegue fazer home office. O resto morre de fome ou de vírus.

De acordo com Geraldo Góes, pesquisador do IPEA, a maioria dentro dessa minoria é de altos escalões das empresas, advogados, contadores, secretarias, entre outros. Resumindo: quem fica em casa é a classe média.

No entanto, para a maioria dos trabalhadores do país, a única alternativa é o trabalho presencial, pegar transportes coletivos lotados. A ideia de exercer as atividades em casa usando a internet é um sonho impossível de se realizar. Ou seja, para manter comércio, as indústrias e os serviços básicos funcionando, os mais de 80 milhões de brasileiros ativos continuam indo de casa para o trabalho e do trabalho para casa, todo dia, isso quando não é acometido pelo coronavírus, ou qualquer outro acidente ou doenças oriundas do próprio ofício.

Os trabalhadores têm que dar suas vidas para que os patrões possam aumentar o lucro e manter suas contas bancárias cada vez mais volumosas. Isso é o retrato cabal do capitalismo. A situação apresentada no artigo de O Tempo de 1° de maio confirma aquilo que dissemos: a maioria não tem direito de ficar em casa e os trabalhadores são jogados para o matadouro.

Mobilização contra essa sorte de coisas

Diante de tamanha situação colocada para dezenas de milhões de trabalhadores, as direções dos sindicatos fizeram o mesmo que os próprios patrões, fecharam os sindicatos, foram para casa. Assim como está fazendo a esquerda, assistindo tudo acontecer sem fazer nada, além de não representarem os trabalhadores que dizem representar.

Contra isso é preciso organizar e mobilizar os trabalhadores imediatamente, colocar nas ruas a indignação popular contra o genocídio e exigir vacinação urgente com a quebra das patentes, auxílio emergencial de ao menos um salário mínimo, redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais sem redução salarial. Fora Bolsonaro e todos os golpistas, sejam eles “negacionistas” ou “cientistas”!

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