Catedral de Notre-Dame resistiu à Revolução Francesa e a duas guerras mundiais, mas não resistiu a Emmanuel Macron

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Da redação – A histórica Catedral de Notre-Dame, em Paris, levou 180 anos para ser construída. As obras iniciaram em 1163 e terminaram apenas em 1345.

A Revolução Francesa procurou destruir tudo o que representasse o antigo regime monárquico, e as obras de arte, arquitetura, e mesmo o próprio calendário gregoriano. A Catedral de Notre-Dame não foi poupada: teve partes destruídas e bens saqueados, serviu de armazém de alimentos enquanto durou a radicalização revolucionária. No entanto, sua estrutura principal permaneceu de pé.

No século seguinte, a Comuna de Paris, de 1871, foi outro turbilhão que sacudiu toda a França e a Europa. Diz-se que, em meio àquela revolução, tentou-se incendiar a catedral, o que terminou não ocorrendo.

Devido aos bombardeios alemães, o governo francês teve de ser transferido de Paris para Bordeaux, em 1914, no início da I Guerra Mundial. Notre-Dame, entretanto, sobreviveu.

O assédio alemão na II Guerra Mundial foi ainda mais forte: em 1940, os nazistas invadiram, subjugaram e ocuparam a França, incluindo Paris, estabelecendo o regime fantoche do general Philippe Pétain. Finalmente, os partisans expulsaram as forças hitleristas. Novamente, a catedral resistiu.

Há 50 anos a França vive em relativa harmonia, sem guerras ou grandes convulsões sociais. No entanto, uma força tão devastadora quanto toma conta do país: o neoliberalismo, representado pelo presidente Emmanuel Macron. Capaz de devastar um país, destruir seus serviços públicos, sucatear a infraestrutura, atacar os direitos dos trabalhadores, bombardear outras nações, apenas para entregar o lucro vindo com tudo isso aos grandes banqueiros, esse regime também conseguiu a proeza que nenhum outro acontecimento havia alcançado: destruiu a Catedral de Notre-Dame.