Revolta espanhola
Em meio à onda de protestos de reivindicações por medidas assistenciais, governo espanhol tenta enganar o povo colocando a culpa em grupos de extrema-direita
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Protestos na Espanha | Foto: Reprodução

Uma onda de protestos tem tomado conta da Espanha, devido às medidas de restrição para conter pandemia, mas provavelmente de uma forma equivocada, os atos foram atribuídos à extrema direita.

Os protestos aconteceram no último dia 31 de outubro, contra o estado de emergência decretado pelo primeiro ministro, Pedro Sánchez. O mesmo impôs toque de recolher das 23h às 6h em todas as regiões do país – exceto nas Ilhas Canárias – com a desculpa de conter o avanço da pandemia na Europa.

O diretor dos Mossos (Polícia da Catalunha), Pere Ferrer, atribui o protesto à extrema-direita, explica que a polícia trabalha com essa tese.

Em declarações à rádio RAC1, Pere Ferrer explicou que se trata de grupos “com perfil de extrema direita” e nos próximos dias vão analisar mais a fundo o ocorrido e os seus instigadores com base nas identificações e no trabalho policial.

Ferrer também destaca, que os Mossos já fizeram buscas anteriores nas pessoas que entraram na praça antes do início da manifestação e apreenderam uma centena de fogos de artifício de alta potência e sinalizadores marítimos. Ferrer também afirma que “havia uma forte organização por trás disso e não foi possível requisitar todo o material”, acrescentou o diretor do Mossos, que indicou que nestes “filtros anteriores” detectaram “pessoas muito equipadas”.

Mediante a tal declaração, nos resta a dúvida e questionar, o por que uma pessoa é considerada de extrema-direita, por portar fogos de artifício e sinalizadores marítimos?

Podemos considerar pessoas que estejam portando fogos de artifício e sinalizadores marítimos como “pessoas bem equipadas”, quando comparamos com todo o poder bélico que a polícia tem à sua disposição?

Ferrer também apresenta mais uma desculpa esfarrapada, que é o motivo das vans da polícia circular em alta velocidade pelas ruas: “porque a segurança dos agentes estava em risco, já que havia grupos pequenos, mas muito violentos, encurralando equipes da Guarda Urbana e do Mossos”. Destacamos mais uma vez o poder bélico que a polícia tem à sua disposição, o que nos causa estranheza a tamanha ostensividade do Mossos, para grupos que eles mesmo consideram pequenos.

Para concluir, Ferrer declara que “em Barcelona vimos grupos de extrema direita muito violentos e organizados, teremos de investigar para evitar que isso volte a acontecer”, deixando muito claro o caráter repressivo.

Na verdade, mesmo que grupos de extrema-direita estejam presentes nesses protestos, há uma verdadeira insatisfação popular geral com a situação econômica e sanitária na Espanha. O governo do PSOE, junto com a direita, e as forças de repressão, usam supostos elementos de extrema-direita como bode expiatório para justificar sua repressão.

Em diversos segmentos dos campos do direito e da defesa dos direitos humanos, começa-se a questionar até que ponto a luta epidemiológica não pode acarretar, em contrapartida, a uma limitação do direito fundamental ao uso dos espaços públicos, bem como o fato de se propor a combater a Covid-19 com base em restrições e limitações, pode prejudicar pessoas e grupos que se encontram em situação social mais vulnerável.

Além dos últimos protestos, na última segunda-feira (02), foram convocados comícios em várias cidades espanholas para exigir que a epidemia seja combatida com medidas sociais, uma vez que o povo espanhol de esforços para melhorar o sistema de saúde, do interesse em proteger o direito à moradia, já que não se fala em suspender os despejos, a suspensão dos pagamentos dos aluguéis, tão pouco foram adotadas medidas para as pessoas que estão perdendo o emprego ou vendo sua renda drasticamente reduzida.

O governo espanhol a todo custo tem evitado utilizar o termo correto para o atual cenário no país, mas o que verdadeiramente está acontecendo, é um toque de recolher, que historicamente, está ligado a situações de falta de democracia e rebelião militar, mas claramente, é uma medida absurdamente fascista.

A adoção do toque de recolher gerou debate no campo da defesa dos direitos humanos em que medida pode levar a uma limitação dos direitos fundamentais e abrir a porta para levar a ações abusivas por parte da aplicação da lei, especialmente contra os setores mais vulneráveis.

É inaceitável a adoção de um estado de alarme em que se impõe toque de recolher sem medidas de assistência em caráter de urgência como a suspensão dos despejos estão ocorrendo e outras como o fechamento dos CIEs, especialmente em Barcelona, ​​onde já existem casos de Covid, ou a suspensão das deportações.

Como os sem-teto vão cumprir com esse regime de confinamento imposto à sociedade espanhola?

O que vemos são apenas medidas de repressão contra a população e nenhuma medida de assistência que garanta a vida e a sobrevivência do povo, principalmente os mais pobres, que já estavam desalentados bem antes da pandemia.

Tudo isso não passa de política deliberada que está sendo realizada para a extrema direita assumir o controle político das massas na Espanha, equivalente à política imperialista para a América Latina e Pedro Sánchez, busca afundar toda a esquerda junto com seu próprio governo para consolidar o caminho da extrema direita rumo ao fascismo com amplo apoio da mídia. A política direitista do PSOE e do Podemos pavimenta o caminho para a extrema-direita, ao fazerem um governo neoliberal de ataques contra a população, jogando as massas no colo dos demagogos fascistas.

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