Caso Serrambi: 15 anos sem kombi em Recife

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Como ilustra o título desta matéria, em 2018 completam-se 15 anos desde que a utilização de kombis foi proibida nas cidades mais importantes da Região Metropolitana de Recife, como Olinda, Jaboatão dos Guararapes e a própria Recife. Em 2003, foi dado o xeque-mate à população para obrigá-la a utilizar apenas o transporte “público” gerenciado pela então EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que hoje é denominada Grande Recife Consórcios de Transportes (GRCT).

No início, houve toda uma problematização criada pela imprensa local para, como forma de “pesquisa”, implantar a ideia de que o sistema de kombis que circulava na RMR era o principal responsável por engarrafamentos, desordem, poluição sonora na cidade e, pasmem, até pela irresponsabilidade de alguns motoristas de ônibus que queimavam paradas por causa, supostamente, do embarque e desembarque dos passageiros dessa modalidade de transporte alternativo.

Depois, como a opinião da população ainda era favorável às “peruas”, principalmente pela maioria absoluta dos motoristas e cobradores desses carros serem da periferia da própria RMR, a imprensa começou a utilizar de casos de violência para mudar a famosa “opinião pública”. Destes casos, o de maior repercussão é o caso Serrambi. Conhecido como caso Serrambi, o assassinato de Maria Eduarda Dourado e de Tarsila Gusmão, jovens de classe média alta do Recife que tinham 16 anos na época, continua sem conclusão. Os corpos das jovens foram encontrados pelo pai de Tarsila Gusmão após dias do desaparecimento de ambas, em um matagal de difícil acesso no distrito de Camela, que fica na cidade de Ipojuca, na Região Metropolitana de Recife.

Dois irmãos kombeiros foram acusados de serem os assassinos das duas adolescentes, sendo o caso diretamente associado ao terror midiático que havia sido feito em torno da insegurança em andar de Kombi. Depois, por júri popular, os irmãos Marcelo José de Lira e Valfrido Lira da Silva foram inocentados.O caso também abriu uma série de versões e boatos que correram em torno de quem seria a culpa do assassinato de Maria Eduarda e Tarsila, bem como continua a tramitar em instâncias superiores, pois a família Gusmão recorreu ao STJ após os irmãos terem sido inocentados no júri popular.

Este caso, associado ao trabalho desenvolvido por setores hoje diretamente golpistas, é um grande exemplo de como determinadas situações podem ser utilizadas para impor um regime ou uma forma de serviço que prejudique a sociedade e favoreça grupos que detêm monopólios de quaisquer setores. Apesar do gerenciamento do transporte dito público ser feito por uma estatal controlada pelo governo do estado, as empresas de ônibus que possuem exclusivamente acesso as licitações das linhas de ônibus são as mesmas que exclusivamente compõem a Urbana-PE, representação máxima dessa máfia dos transportes públicos pernambucanos que ainda se intitula como sendo um sindicato.

Depois de todo o sensacionalismo da imprensa em torno do caso, as kombis foram definitivamente proibidas de circular em várias cidades. Como resultado, hoje, os ônibus são a única forma de transporte permitida nas principais cidades da Região Metropolitana do Recife, ofertando um serviço de péssima qualidade e extremamente caro para a população.