Caso Queiroz-Bolsonaro: Toffoli suspende inquérito de dados do COAF

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O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), denunciou movimentações suspeitas na conta de Fabrício Queiroz, em 2017, tendo movimentado 1.200.000,00 Reais. 48 depósitos feitos em dinheiro foram identificados, sempre no valor de 2 mil reais, totalizando 96 mil. 9 funcionários do gabinete de Flávio transferiram dinheiro para a conta de Queiroz em datas que coincidem com datas de pagamentos de salário. Queiroz foi incapaz de apresentar explicações satisfatórias para essas movimentações.

O Ministério Publico do Estado do Rio, pediu a quebra do sigilo bancário de Flávio no período entre 2007 e 2018, havendo indícios de lavagem de dinheiro e organização criminosa, devido às movimentações suspeitas. 95 pessoas teriam as suas contas investigadas, sendo que duas dessas têm ligação com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, acusado de ser o chefe do grupo “Escritório do Crime”, ligado ao assassinato de Marielle Franco. Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, respectivamente irmã de mãe de Adriano, tiveram seus sigilos quebrados pelo Coaf, que apontou repasses das duas para Queiroz, que também é amigo de Adriano.

Em Maio desse ano, a Veja publicou que entre 2010 e 2017, Flávio investiu mais de 9,4 milhões em mais de 19 imóveis, lucrando mais de 3 milhões com essas transações, o que constitui indício de lavagem de dinheiro, segundo o MP. O Globo publicou que policiais militares empregados no gabinete de Flávio, quando ainda deputado estadual, repassavam por volta de dois terços de seus salários a Fabrício Querioz para não precisarem trabalhar.

Queiroz foi intimado a depor em 2 datas, 19 e 21 de Dezembro de 2018, não comparecendo em nenhuma das vezes, alegando “problemas de saúde”. No entanto, esses “problemas de saúde” não o impediram de dar entrevista ao SBT. Não teve condução coercitiva e nem pedido de prisão preventiva, nesse caso.

Tendo em vista tudo isso, o presidente do STF, Dias Toffoli, ainda acolheu o pedido de Flávio Bolsonaro e suspendeu a investigação em curso. Não apenas isso, agora todas as investigações em curso no país que tenham base em dados sigilosos do Coaf e Receita Federal estão suspensas até 21 de Novembro desse ano. Todos esses processos agora devem esperar decisão do STF, para terem continuidade. Vale lembrar que Flávio Bolsonaro simplesmente não compareceu ao Ministério Publico do RJ para depor sobre as movimentações estranhas. Em Janeiro, Fux já havia mandado suspender provisoriamente o procedimento investigatório do MP do RJ, durante o período do recesso judiciário, também atendendo a um pedido de Flávio. Ao retornar das férias, Marco Aurélio Mello negou o pedido de Flávio de suspender as investigações.

Parece que a intenção é evitar ao máximo o aprofundamento dessas investigações, pois causam ainda mais instabilidade ao governo Bolsonaro, que já está seriamente abalado. Provavelmente, o que a burguesia deseja é dar o maior fôlego possível ao governo, para que esse continue a implementar as suas políticas de ataques à classe trabalhadora, principalmente enfiar goela abaixo da população a chamada “reforma” da previdência.