Caso Marielle, por que a imprensa não acusa a polícia?

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Uma testemunha chave, que está ameaçada pela milícia da Zona Oeste e tem sua identidade protegida, fez graves revelações à polícia sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. Em três depoimentos, ela relatou reuniões entre Orlando Oliveira Araújo, ex-PM que está preso em Bangu 9, e o vereador Marcello Siciliano (PHS). As conversas, que tratavam dos prejuízos causados pelo combate da vereadora ao avanço de grupos paramilitares em comunidades de Jacarepaguá, começaram no ano passado. Nos depoimentos, além do político e do ex-PM chefe da milícia, também foram mencionados os nomes de outros integrantes do bando, que teriam participado da execução.

Cumpre salientar, a propósito do caso Marielle, a reticência com que a imprensa tem tratado o assunto, no sentido de evitar acusações à polícia, malgrado as evidências que incriminam policiais como artífices do seu assassinato. Isso demonstra claramente o conluio entre as forças de repressão “física” e as de controle ideológico, que buscam neutralizar qualquer revolta da população contra a militarização da sociedade. Ao contrário, o esforço maior da mídia golpista tem sido o de fazer de conta que a repressão de direita é na verdade uma luta sincera contra o crime organizado, que expressaria o desejo da maioria das pessoas, sem que nada de política estivesse em jogo.

Mas esse “silêncio” acerca do sentido autêntico das ações violentas da polícia, bem como da intervenção militar, é um silêncio loquaz, e denuncia o quanto a imprensa majoritária está envolvida no golpe de estado e seus desdobramentos, principalmente quando se trata de reprimir o descontentamento das populações carentes, que Marielle personificava.