Caso Lula não foi um julgamento, foi quase um golpe militar

caso lula nao foi um julgamento foi quase um golpe militar

Na véspera da votação no Supremo Tribunal Federal que decidiu sobre o habeas corpus do ex-presidente Lula, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, publicou duas mensagens ameaçadoras em sua conta no Twitter: O general afirmava “assegurava à Nação que o Exército Brasileiro […] se mantém atento às suas missões institucionais” e que “compartilhava com os anseios dos cidadãos de bem de repúdio à impunidade”.

A mensagem foi lida na integra no fechamento do jornal Nacional, ou seja, a rede Globo dava voz e lastro à ameaça do comandante maior das Forças Armadas, na véspera do julgamento que decidiria colocar o maior líder popular do País na cadeia.

À mensagem de Villas Bôas seguiu declarações de pelo menos mais seis generais. Todos em tom de ameaça e chantagem, defendendo ainda mais abertamente uma intervenção na situação política caso o STF não decidisse de acordo com os interesses dos donos do golpe, ou seja, contra o habeas corpus de Lula.

Fica claro, apenas por esses acontecimentos, que qualquer ilusão de que os ministros votariam a favor de Lula não era nada mais do que ilusão. Os militares agiram para garantir a vontade dos donos do golpe. Agiram para garantir que fosse feita uma manobra que é fundamental para o andamento do golpe que é justamente a prisão de Lula. Isso significa que qualquer tentativa de mudança nesse “curso natural do golpe” foi sufocado pela ação dos militares.

O STF votou sob a chantagem e a ameaça dos militares. É preciso dizer claramente que o Brasil já vive sob um virtual golpe militar, o episódio no STF mostrou que são os militares que dão as cartas nas instituições.

As Forças Armadas não ainda não se colocaram fisicamente na situação política, embora a intervenção no Rio de Janeiro seja uma passo importante das “aproximações sucessivas” que o general Hamilton Mourão, defensor abeto do golpe militar, havia explicado. Mas os tanques ainda não saíram nas ruas para impor determinada “ordem” política. A maior parte dos tanques ainda está guardada, mas eles estão presentes na situação política como uma ameaça real dos generais.

O habeas corpus de Lula não foi julgado no STF. Aquilo não foi um julgamento, foi quase um golpe militar. os ministros “julgaram” sob a ameça dos tanques e dos fuzis dos generais.