Caso do jornalista desaparecido é usado pelo imperialismo para pressionar sauditas a se manterem na linha

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Há mais de uma semana que o jornalista saudita, Jamal Khashoggi, desapareceu. O jornalista do Washington Post entrou no Consulado da Arábia Saudita em Istambul (antiga Constantinopla), a cidade mais importante da Turquia, e nunca mais apareceu, e ao que tudo indica teria sido assassinado a mando do governo saudita. Khashoggi era um crítico de determinadas ações da monarquia da Arábia Saudita, apesar de ser ligado politicamente a uma ala da mesma. Dia 2 de Outubro ele entrou no Consulado, e nunca mais teria saído. O governo saudita alega que sim, porém não há registros, e nunca mais se teve notícias dele, pois ninguém o viu após este acontecimento.

O Governo Turco, de Recep Tayyip Erdogan, denunciou que o jornalista teria sido assassinado e desmembrado por 15 agentes sauditas, uma prática tradicional do reino árabe, que é um dos mais retrógradas do mundo, utilizando práticas medievais de perseguição, tortura e assim por diante. Vale dizer que a Turquia está pressionando o governo Saudita, diante dos posicionamentos a favor dos interesses norte-americanos deste país, o principal pilar do imperialismo no mundo árabe, para que este esclareça o acontecimento. O governo turco que pressionar os sauditas a pararem de financiar as tropas curdas que estão na fronteira entre Turquia e Síria, participando da invasão imperialista da Síria junto com o resto do imperialismo – além também por conta dos posicionamentos, por exemplo, de boicotar o Qatar, de ter financiado o golpe militar no Egito, em 2013 e assim por diante.

Já o governo norte-americano, de Donald Trump, também está pressionando o governo saudita por esclarecimento, e prometeu punir os culpados, além de realizar sanções contra a própria Arábia Saudita. A relação do imperialismo e o governo saudita está complicada desde o contragolpe do príncipe Mohammed Bin Salman, que ano passado prendeu diversos parentes da monarquia saudita que estavam planejando um golpe contra ele, o sucessor do Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud. Na época os setores do imperialismo ficaram rachados quanto ao acontecimento. Mas ao que parece a situação está saindo do controle dos próprios norte-americanos, que sempre controlaram o país.

O príncipe Bin Salman parece ser um monarca diferenciado no país, não se submetendo totalmente aos interesses do imperialismo norte-americano. Logo de início, Bin Salman promoveu uma série de modernizações no país para estimular o desenvolvimento capitalista do país, como por exemplo, permitindo as mulheres de dirigirem carros, não por amor às mulheres obviamente, mas para aumentar a venda de automóveis e assim estimular o mercado interno do país. Além disso, existe todo um plano de industrialização do país, à partir dos fundos obtidos por meio do petróleo, que é o principal recurso do país. Existe até um projeto de anexação de uma parte do Iêmen para criar uma zona industrial, que apesar de ser uma coisa totalmente desumana, demonstra um interesse à industrialização do país que tem o potencial de ser o país mais desenvolvido, rico e moderno do Oriente Médio.

O interesse do imperialismo de noticiar o desaparecimento e possível morte do jornalista, prática corriqueira do reino reacionário da Arábia Saudita, parece ser justamente o de pressionar o governo contra essas reformas que ele vem realizando no país. Entretanto, o imperialismo precisa de muita cautela ao agir em cima desta situação, já que sendo o pilar da opressão imperialista no mundo Árabe e um país de primordial importância no mundo, uma crise muito grande no país pode levar a uma total desestabilização da dominação imperialista na península árabe.