Caso Bebianno: como a Globo está diretamente ligada ao aparelho de Estado, ao governo e aos militares

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Correm pelos corredores de Brasília o rumor de que Bebianno teria sido afastado por ter uma reunião marcada com Paulo Tonet, diretor e vice-presidente da Globo. Tonet já se reuniu com dois ministros, ambos militares : general Carlos Alberto de Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo; e o general Heleno do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Bebianno foi presidente do PSL durante a campanha eleitoral no ano passado, e ao contrário dos militares que de fato governam o País, compõe o baixo clero do qual provém Jair Bolsonaro, por isso, o presidente sentiu-se traído.

É clara a dominação que os militares têm do governo, afinal a saída de Bebianno, como bem disse Mourão, será preenchida pelo general Floriano Peixoto. Os generais estão diretamente ligados ao imperialismo que orquestra o golpe no Brasil, assim como sempre esteve a Globo. Bolsonaro se encontra cercado, suas ações são vigiadas e pautadas por esse setor imperialista, que não pode dar-se ao luxo de ver seus planos frustrados pela inexperiência e a falta de articulação de Jair e seus aliados que têm que controlar a base militante: um verdadeiro balaio de gato, composto por cães raivosos, e marginalizados confusos, havendo a presença de setores relativamente hostis à imprensa golpista e aos banqueiros.

A relação entra a Rede Globo e os militares sempre foi muito íntima. Depois de apoiar o golpe militar, empresa dos Marinhos foi impulsionada pelo imperialismo transformando-se numa “estatal” do regime militar, encobrindo os escândalos do governo, apoiando-o e exaltando-o, atacando implacavelmente os setores populares que se opuseram aos anos sangrentos pelos quais passou o Brasil.

Após a ditadura continuou intrinsecamente ligada ao aparelho estatal, sendo o pé firme do capital internacional no Brasil. Manteve suas relações com o Judiciário, as Forças Armadas, a Polícia Federal e o Legislativo. As benesses que esses setores trouxeram para a Globo transformou-a num verdadeiro monopólio da comunicação no país. Essa simbiose com essa parcela do Estado foi cristalina durante o impeachment e todo o processo do Golpe. Informações de primeira mão da PF, áudios vazados pelo juiz Sérgio Moro – agora ministro do governo -, e forte propaganda para aniquilar o Partido dos Trabalhadores, enquanto encobria com seu jornalismo marrom os casos da oposição, ou mostrando-os de maneira parcial e diversionista. Os casos de sonegação envolvendo o conglomerado de comunicação são faraônicos. R$ 761 milhões de ICMS de dívida como Estado do Rio, escândalos de sonegação que atingem bilhões se somados com o dinheiro dos paraísos fiscais e manobras para obter diretos de transmissão em eventos internacionais.

A eleição de Bolsonaro foi fruto do intenso trabalho de ataque ao PT, complementando o processo fraudulento que elegeu o presidente e uma penca de militares e desconhecidos para os cargos do legislativo e executivo. Embora não tenha sido a primeira opção do capital internacional, Bolsonaro foi posto com os militares em seu cangote, em grande parte por causa da Globo, e por mais que os antagonismos desse governo estejam vendo a luz do dia nesse início de mandato, seu destino está inevitavelmente ligado à mobilização popular. Somente o povo pode tirá-los do poder, pois em caso de implosão, os golpistas sempre têm outro pior para botar no lugar.