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Casal é preso acusado de “aborto” em Corumbá

Nesta terça (06) mais um ato de repressão às mulheres ocorreu no país. Desta vez na cidade de Corumbá (MS), uma jovem de apenas 22 anos, junto ao seu companheiro, de 23, foram presos por realizar um procedimento de aborto que acabou não dando certo.

Com o avanço do golpe, a política de repressão e violação nos direitos das mulheres se intensifica. Como é sabido, o aborto não deve ser analisado por um viés moral, mas sim uma questão de saúde pública. Todas as mulheres, em tese, deveriam ter o direito sobre seus corpos e suas vidas. O aborto, logo, deveria ser permitido acesso a todas aquelas que, por qualquer razão, julgassem necessário utilizar o recurso, sem que fosse feito sobre ela qualquer espécie de julgamento, mas sim, amparada antes, durante, e depois do procedimento.

Porém a prática é completamente diferente. No caso da jovem presa, ela, sem amparo do Estado, acabou realizando, por conta, um aborto. Ela tomou diversos comprimidos abortivos, que poderiam ter causado sérias sequelas para ela, inclusive, o óbito.

A menina, junto a seu companheiro, deu entrada às 14h15 desta segunda na maternidade. Com o aborto, feito de maneira precária, a jovem entrou em trabalho de parto e então foi levada ao hospital. Por volta das 6h da terça o bebê veio a óbito. Ao descobrirem que havia sido realizada uma tentativa de aborto, o hospital comunicou a polícia, que prendeu o casal e os encaminhou para Delegacia de Atendimento à Infância.

Deve se ressaltar a importância da luta contra o golpe, uma vez que, com a intensificação dele, o direito das mulheres caminha para o retrocesso. O aborto não é visto como questão de saúde pública, mas como moral e religiosa (visto, por exemplo, em medidas da bancada evangélica que visam à criminalização completa das práticas de aborto em casos de estupro, por exemplo). Muitas mulheres no país morrem ou ficam com graves sequelas decorrentes de procedimentos mal efetuados.

Logo é de suma importância à luta contra o golpe, pela legalização do aborto, bem como para que os direitos das mulheres sejam mantidos e ampliados. É inaceitável que mulheres sejam criminalizadas e moralmente julgadas por fazerem aquilo que lhes deveria ser um direito: lidar da forma que consideram melhor, seus corpos e suas vidas.