Cartas na mesa: burguesia revela seu plano para as eleições

alckmin-bolso

Nesses últimos dias de campanha presidencial, estabeleceu-se uma espécie de consenso suprapartidário anti-Bolsonaro. Na convergência das mais diversas forças políticas, de Fernando Henrique Cardoso a Guilherme Boulos, todas as vozes parecem se erguer contra o “monstro”. Manchetes de jornais estrangeiros, porta vozes dos interesses do “mercado”, como The Economist, afirmam que o candidato de extrema-direita representa uma grande ameaça à América latina. Um movimento de mulheres contra Bolsonaro cresceu quase instantaneamente, de forma exponencial, e através das redes sociais, todo mundo passou a enxergar no candidato do PSL a “grande ameaça” à estabilidade política e social do país. De uma hora para outra, o grosseiro ex-capitão do exército, que convalesce no hospital de uma facada, surgiu como um perigo a ser debelado a todo custo. Movimentos como o “Ele-não”, impulsionados pela esquerda psolista e petista, roga-se evitar sequer pronunciar o nome do “Coiso”.

Mas algo de malicioso talvez se esconda por detrás de toda essa construção fantasmagórica de uma personagem hedionda, um “ser supremo em maldade”, de estupidez inomeável: a legitimação do voto no candidato da direita, e na verdade muito mais perigoso: Geraldo Alkmin.

Antes de mais nada, é preciso estar ciente de que a direita não costuma expor suas intenções abertamente. Ela solta aqui e ali indícios, insinuações, para que o eleitor infira “por si mesmo”, como se fosse uma conclusão sua, aquilo que ela quer que ele pense. Aconteceu assim durante o golpe de estado que retirou Dilma do poder. O mesmo se passa com a campanha direitista contra Bolsonaro. Estão fazendo de B um espantalho, uma figura horrível, um facínora, a fim de se justificar qualquer voto contrário a ele.

As pesquisas indicam que 40% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar. Nesse sentido, o “Coiso” teria apenas 30% de 60 %. Diante dessa indeterminação, o PSDB, partido com mais tempo de televisão, apoiado por um conjunto de partidos golpistas, ainda teria condições de apresentar seu candidato, Alkmin, como a solução intermediária, um ponto de equilíbrio entre o fascismo extremista arrasa quarteirão e o PT como esquerda “corrupta”.

Na verdade, Alckmin é o verdadeiro candidato do Temer, o candidato da continuidade, elemento que apoia e aprofundaria todas as reformas implementadas pelo governo golpista.  Em sua trajetória como governador de São Paulo, ele já deu mostras contundentes de ser um candidato direitista, capaz de privatizar a rodo, fechar hospitais e escolas, reprimindo violentamente funcionários públicos a golpes de cassetete. Trata-se de um legítimo representante dos banqueiros, do grande capital, que atua de modo contumaz à revelia dos anseios e necessidades da população, principalmente da mais pobre e habitante das periferias.

A direita manobra hoje para converter o voto de protesto que elevou o extremista Bolsonaro nas pesquisas, num voto de continuidade das reformas que hoje esmagam, e esmagarão muito mais ainda, os direitos dos trabalhadores. A própria crise com seu vice e os problemas que tem enfrentado como a facada, etc, parecem revelar a presença de inimigos internos em sua campanha, que visam prejudicá-lo, abrindo espaço para um outro candidato.

A conclusão é que enquanto todos parecem tomar como fato consumado a eliminação de Alckmin, o “picolé de chuchu”, para fora da disputa eleitoral, um chamado à esquerda anti-fascista se faz urgente: abram o olho, pois por detrás do “monstro” Bolsonaro, pode se esconder algo muito pior.